TransparênciaHackDay – Relato do Primeiro Encontro

Foto do primeiro HackDay MoradiaPrimeiramente gostaria de pedir desculpas a todos os interessados por demorar tanto para escrever sobre a primeira atividade do THackDay Moradia. A faculdade me consumiu muito nessas duas últimas semanas!
Mas vamos lá. =)

Cheguei ao THackDay e o debate já havia começado, o pessoal estava ao redor de uma grande mesa discutindo com bastante vontade.
Após alguns minutos eu tentei propor uma dinâmica ao grupo. A proposta era dividir o grupo em subgrupos para debaterem temas específicos e trazerem uma proposta de volta ao grupo maior.

Chegamos a um acordo que os dois grupos seriam “Imóveis” e “Pessoas”.
O grupo imóveis iria debater questões como “Bases de imóveis ‘desocupados'” existentes, como a população pode contribuir e/ou continuar com o projeto do ponto de vista dos imóveis, “Classificação dos imóveis” – o que será considerado imóvel “vazio”, quais os critérios, quais leis embasam a proposta, como fazer tais imóveis serem destinados a moradia, qual a necessidade de reformas, e por ai vai.

O grupo “pessoas” debateu dois “grupos” distintos. Um deles seriam o que denominamos como colaboradores. Estes seriam aqueles que iriam interagir com o sistema, adicionar informações, atualizar, etc.
O segundo grupo seria o das pessoas que estamos tentando ajudar.
Foi deste grupo (“pessoas”) que participei, e abaixo farei o relato da discussão do grupo.

Primeiramente debatemos a nomenclatura pela qual trataríamos as pessoas que desejamos ajudar.
A primeira terminologia que surgiu foi “Pessoas em situação de Rua”. Porém, com a grande colaboração de colegas dos movimentos de moradias, entendemos que seria melhor utilizarmos “Pessoas em Situação de Rua e/ou Sem Teto”.
Alguns fatores que nos levaram a essa decisão: Primeiramente não precisamos tratar apenas com aqueles que efetivamente moram nas ruas, entendemos que também é fundamental considerar pessoas que possuem uma situação instável de moradia, e que o amanhã é incerto. Outro fator é que a utilização de termos como “morador de rua” e “sem teto” possuem valores que vão além da pura grámatica dos termos, trazem consigo valores sociais e morais distintos, posturas e engajamentos diferentes na luta pela moradia, e, além disso, essa amplitude que utilizamos nos permite abarcar um número maior de pessoas que não se considerariam de um grupo ou de outro (justamente pelo teor social que os termos carregam).

Em seguida tentamos listar todos os termos utilizados para denominar nossos colegas.

  • Trecheira(o)(s)
  • Andarilha(o)(s)
  • Sem Teto
  • Morador(a) de Rua
  • Morador(a) de Cortiço
  • Morador(a) de Pensão
  • Morador(a) de Vila
  • Mendigos
  • Favelados

O passo seguinte foi pensar em quais eram as informações que poderiam ser levantadas/buscadas dessas pessoas, o que poderia nos ajudar em nosso objetivo de levantar recursos para pressionar o poder público por uma melhor condição social para estas pessoas?
Um ponto que consensuamos foi o de que não seria saudável, nem viável, querer identificar as pessoas. Não precisamos expor a individualidade destas pessoas. Claro que a história de vida de todos são importantíssimas (e falarei disso mais abaixo), mas o respeito pelos indivíduos deve ser uma premissa. Muitos não possuem documentos, não querem se identificar, como são conhecidos “nas ruas” difere dos documentos que possuem, e por ai vai.
Segue a listagem que conseguimos fazer:

  • Idade;
  • Gênero;
  • Diversidade Sexual (Opção sexual) – A terminologia aqui ficou muito ampla, não conseguimos chegar a um denominador comum ainda, mas o importante aqui é a ideia geral;
  • Profissão;
  • Cidade/Estado de Origem
  • Pontos de Pernoite – Em quantos locais distintos essa pessoas costuma dormir? Esse tipo de informação nos é importante para termos uma noção primeira de “estabilidade geográfica”. É comum muitas pessoas passarem “a semana no centro” e nos finais de semana ir para a região da periferia aonde a família mora;
  • Mobilidade – Esta é a segunda informação que precisamos para pensar na questão geográfica. Este seria o dado de, aproximadamente, quanto a pessoas costuma se deslocar diariamente ou semanalmente. Neste ponto seria importante levantar quais são as regiões da cidade que a pessoa costuma frequentar;
  • Uso de Serviços – Aqui entram serviços de toda sorte, públicos ou não. Banheiros, Casa de pernoite, Casa de acolhida, postos de saúde, hospitais, internet, e por ai vai;
  • Vínculos familiares – Neste ponto a ideia é levantar se a pessoa ainda possui relação com sua família “anterior” (pai, mãe, irmãs e irmãos), se sim qual é esta relação e se não o porque não possui mais;
  • Casais c/ ou s/ filhos – Aqui a ideia é levantar dados relativos a família(s) que essa pessoa possa ter formado, se tem marido/mulher, filha(o) – de sangue e/ou adotada(o); e também informações sobre estes familiares;
  • Participa de movimentos (Sim / Não / Se Não, PQ?) – A proposta aqui é saber se esta pessoa participa de movimentos sociais, em especial de movimentos de moradia. E se não participa, qual o motivo (não conhece, não gosta, não confia, não concorda, e por ai vai);
  • Escolaridade;
  • Trabalho e Renda – Aqui entrariam informações como auxílios públicos, renda própria, trabalho informal e afins;
  • Alimentação – Onde, como e com o que a pessoa costuma se alimentar;
  • Cultura – Se tem algum acesso a equipamentos / meios de cultura (bibliotecas, teatro, etc);
  • Saúde – Idem ao anterior, mas relativo ao sistema de saúde;
  • Foi vítiva de violência física? Se sim, quem foi o agressor, aonde ocorreu, em que período? – A proposta aqui é levantar dados que apontem locais aonde existe recorrência de violência contra a população em questão, tanto para alertarmos as autoridades quanto para que a própria população saiba as regiões não recomendadas para se frequentar e em quais períodos;
  • Dependências Químicas;
  • Posses / Pertences – Levantar quais posses e/ou pertences a pessoa tem. Celular, Fogão, Geladeira, Sapatos, “barraco”, etc;
  • Documentos – Aqui queremos saber se a pessoa possui documentos oficiais, mas sem a necessidade de anotar os dados da pessoa.

Por fim, com relação a esta listagem, caso vá ser feito um questionário para uma “pesquisa de rua”, fica a sugestão de se colocar no fim uma pergunta “O que te falta?”, que avaliamos ser importante e que nos traria, possivelmente, respostas inusitadas e distantes do que conseguimos imaginar.

Com relação ao outro “grupo de pessoas” relativo ao sistema, os Colaboradores, começamos listando quem poderiam ser esses Colaboradores:

  • Pessoas ligadas a Serviços Sociais;
  • Comerciantes;
  • Movimentos e Fóruns sociais;
  • Associações de Moradores;
  • Entidades filantrópicas e/ou ONG’s e/ou OS’s;
  • Estudantes / Universidades;
  • Secretarias / Defensorias / Ministérios Públicos;
  • Mídias e Institutos – inclusive mídias locais, como jornais de bairro;
  • Conselhos Gestores.

Levantamos, por fim, quais seriam as possíveis formas de colaboração destes diferentes agentes.
Antes de listas as formas de colaboração, fica uma primeira ressalva / preocupação a ser pensada com cuidado. Como garantir minimamente que não haja duplicação de dados e respostas? Como evitar isso?
Seguimos então para a listagem de meios de ajudar:

  • Pesquisa de Rua (Questionários);
  • “Pontos de interação” – A ideia aqui seria conseguir doação de computadores que seriam colocados em diversos pontos, como comércios, para uso exclusivo de interação com nosso sistema.
  • Divulgação/Mobilização/Conscientização das pessoas da região – Aqui seria um trabalho bem local. Por exemplo, poderíamos disponibilizar no site um documento para ser impresso e distribuído localmente, por exemplo no próprio prédio. Este documento conteria uma parte explicando o projeto e teria um espaço para que seja escrito um pouco da realidade da própria região, tentando assim sensibilizar, além de informar, as pessoas sobre a realidade e sobre o projeto, tentando trazer pessoas para colaborar.

Só pra não deixar morrer, dois pontos que pensamos dever haver no site seria uma Agenda dos movimentos de moradia, com suas atividades, e eventos relativos à temática.

Bem, acho que é isso, um “breve” relato de nossa primeira atividade.

Neste domingo (24-10-2010) haverá uma segunda rodada, na mesma “bathora” no mesmo “batlocal” (CCD). Infelizmente não conseguimos divulgar de maneira satisfatória, mas espero que as pessoas que estiveram no anterior possam ir nesse também para colaborar.

Aliás, foi criada uma lista de discussão sobre o projeto. Aos que se interessarem basta se inscrever na lista de discussão por meio do link abaixo:
http://lists.thacker.com.br/listinfo.cgi/moradia-thacker.com.br

Vejamos como será amanhã! =)

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Uma opinião sobre “TransparênciaHackDay – Relato do Primeiro Encontro

  1. Haydee disse:

    Quero a fotinho!

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