O caminho da educação no Brasil

Todos pela educação?

Há algum tempo atrás recebi, por email, a seguinte notícia:

Comissão do Senado retira do MEC responsabilidade pelo ensino superior

Sobre ela, um colega escreveu que “Se o Ministério da Educação fizer a parte dele sem a atribuição do ensino superior,  pra mim ta ótimo.“, e a resposta que dei a ele foi

“Eu discordo de você.
Primeiro porque eu acho que o papel educacional das Universidades é fundamental, e retirá-las do MEC só tende a piorar a situação da educação de nível superior.
Em segundo lugar porque acho difícil pensar numa solução para a educação do Brasil sem que as Universidades façam parte deste processo.
Mudar as atribuições e responsabilidades da “entidade” (ministério) para que ela consiga cumpri-las é, no mínimo, imbecilidade.

Meu colega colocou que, na opinião dele,  “a melhoria da educação no Brasil ainda não precisaria envolver o ensino superior” e que após dar aulas para “adultos e adolescentes que estudaram em um colégio público em um cursinho voluntário“,  ele chegou à conclusão que “o problema não está na minha matéria (álgebra). Está no fato de que, desde quando começaram a frequentar a escola, eles não desenvolveram competencias básicas que são ensinadas para a maioria dos alunos do ensino superior.” Ao questionar a professora particular de inglês dele, que também dá aulas na rede pública, sobre o tema, ela respondeu que “Os alunos de lá não tem o menor interesse, pois sabem que eles vão passar mesmo que não façam nada. Para completar, eles ainda atrapalham muito aqueles que tem interesse, e não posso tomar nenhuma atitude disciplinar contra eles

Este meu colega ainda concluiu:
Concordo com você que, se tudo fosse rosas, deveria se do jeito que você disse, mas não adianta tentar fazer tudo bonitinho se não funciona. Não sei que tipo de implicações políticas essa medida vai ter mas, se for preciso criar o Ministério da Primeira Série do Fundamental ou o Ministério da Interpretação de Texto para que minha professora consiga ensinar seus alunos e, consequentemente, o aproveitamento dos meus aumente, pra mim ta ótimo.

E aqui vem o que me motivou a escrever este post… minha resposta a este último email dele. Vou copiá-la na integra abaixo:

“já dei aulas em cursinhos populares pré-universitários (que são diferentes de pré-vestibulares – mas não vou me alongar nisso) e realmente existe uma enorme falta de bases matemáticas, muito anteriores a “equações de segundo grau”.
Mas não acho que a criação de novos ministérios, especialização de ministérios ou qualquer coisa do gênero seja algo que vá resolver a situação. Enquanto um professor de ensino público (em qualquer nível) não receber uma salário razoável, não vamos ter mudanças de verdade.

Claro que a “aprovação automática” é um absurdo e que deveria acabar ontem. Mas, mesmo antes dela, tínhamos problemas. E isso passa pelo fato de um professor da rede pública ter que dar aula em 3 escolas em locais distantes umas das outras, ganhando muito pouco e, por exemplo, não sendo remunerado por tempo com preparação de aulas e provas, correção de provas e exercícios e por ai vai.
Certamente os professores deveriam ser remunerado por, pelo menos, o dobro do horário de aulas que eles dão. E estou sendo bonzinho com o “pelo menos”. Numa turma de 50 alunos que eu tinha e que eu passei uma atividade (SIMPLES!) dissertativa, gastei um fim de semana todo só pra corrigir. Isso sem considerar o tempo de preparar a prova.
Por isso sou totalmente favorável à campanha “10% do PIB para Educação” (campanha encabeçada pelo psol no legislativo). Eu acho que esse aumento é um primeiro passo muito mais efetivo do que a criação de qualquer “ministério”.
E o mesmo vale para as Universidade Públicas. Se não garantirmos que um docente pode ganhar um salário razoável (em função de seu conhecimento, sua capacidade de produção e etc), e que sua atuação enquanto docente (e não pesquisador) é algo de suma importância e isso ser levado em consideração (hoje não é), nosso ensino superior continuará sendo de terceiro mundo, e rankings que colocam a USP como “melhor da AL” são muitíssimos vazios.
Se os professores do ensino público fundamental/médio fossem recebessem o tratamento que recebem os docentes universitários já seria um grande avanço….
Existem várias outras coisas a se levar em consideração como, por exemplo, a quantidade de estudantes numa sala de aula com relação ao número de “educadores” (profess@r + assistente(s)).
Por fim, há só mais uma questão relativa à mudança proposta. E os cursos não são tecnológicos/mercadológicos? O que vão fazer dentro do Ministério da Ciência e Tecnologia? Ensino Superior se resume apenas a produção tecnológica? Como ficam os cursos de Pedagogia, História, Matemática, Física, etc? O MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) é que vai legislar sobre como devem ser os professores de Ensino Médio/Fundamental?…….

E vocês, o que acham?

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