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“Artistas x Universitários” ? – Breves comentários sobre a campanha “Tempestade em copo d’água”

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“Artistas x Universidade” (http://scienceblogs.com.br/discutindoecologia/2011/11/usina-de-belo-monte-artistas-x-universidade/)….esse é o título do post que, aparentemente, primeiro divulgou da campanha “Tempestade em copo d’água” (http://www.youtube.com/watch?v=gVC_Y9drhGo).

Tive contato com ele alguns dias antes de “cair no facebook”, e fiz minhas considerações sobre o mesmo – afinal, acho que é isso que se espera de qualquer pessoa, fazer uma análise crítica das informações, seja do movimento dos “globais” ou dos “universitários”.

A começar que é partir de um princípio medíocre (no sentido de ser médio) se manifestar/mobilizar partindo da contraposição aos “artistas” quando o foco deveria ser o tema em si (Belo Monte). Mas… enfim… essa é a nossa sociedade, sempre personalista, sem discutindo o que não tem que ser o foco, sempre na superfície das coisas.

Recomendo entrarem no blog e participarem da discussão que está acontecendo por lá.

Segue abaixo meu comentário postado no blog referido:

Caros,

primeiramente gostaria de parabenizá-los por levantar esse debate.

Mas tenho algumas críticas ao vídeo.

Vocês comparam a área que será alagada com a área que é devastada diariamente hoje, e usam esse argumento praticamente para dizer que “a área alagada será insignificante”. Acho esse argumento péssimo. Não é porque temos um grande problema (devastamento para agroindústria) que problemas menores podem ser aceitos sem críticas/questionamentos.

Além disso, o impacto dos alagamentos não se dá apenas pelo tamanho da área a ser alagada, mas também pelo que há nessa região, e pelo impacto das áreas que deixaram de receber o fluxo do rio como é hoje.

Outro ponto é que vocês colocam que a usina será a 3a em potencial energético, mas na verdade ela será apenas 3a em potencial instalado. São coisas bem diferentes.

Seu aproveitamento médio será consideravelmente baixo e, mais do que isso, na época em que mais temos problemas de abastecimento energético no país ela pouco contribuirá, sua maior contribuição para o sistema integrado nacional se dará fundamentalmente nas épocas em que temos maior abundância de energia.

Considerando ainda que ela produzirá, em média, cerca de 4200Mw/h, existem sim alternativas viáveis à sua construção.

Estudos mostram que se utilizássemos o bagaço de cana que é descartado no Brasil para transformá-lo em energia, nosso potencial seria de aproximadamente 4200Mw/h. Ou seja, resíduos que descartamos hoje poderiam ser utilizados para gerar a mesma energia que Belo Monte irá gerar em média. E ainda ter-se-ia a vantagem de poder fazer essa instalação mais próxima dos centros consumidores (reduzindo perdas com transmissão) e seria mais fácil gerenciar em qual época do ano essa energia seria utilizada.

Enfim, esses são só alguns pontos que achei relevantes tocar.

Por fim, gostaria de sugrir a vocês, e pedir que ajudem-nos a divulgar, um debate que realizamos (nós = Escritório Piloto da Escola Politécnica da USP) sobre Belo Monte com dois professores da EPUSP e mais o Prof. Célio Bermann, do IEE-USP, um dos responsáveis pela produção de um relatório de análise crítica do projeto da usina e do EIA/RIMA da mesma.

http://escritoriopiloto.org/artigo/debate-belo-monte

Neste link vocês encontraram as apresentações feitas e também os vídeos do debate. Sei que são razoavelmente longos, mas vale MUITO à pena assisti-los, tem muita informação técnica concreta (diferente do “movimento gota d´água)….

Abraços universitários!

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O caminho da educação no Brasil

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Todos pela educação?

Há algum tempo atrás recebi, por email, a seguinte notícia:

Comissão do Senado retira do MEC responsabilidade pelo ensino superior

Sobre ela, um colega escreveu que “Se o Ministério da Educação fizer a parte dele sem a atribuição do ensino superior,  pra mim ta ótimo.“, e a resposta que dei a ele foi

“Eu discordo de você.
Primeiro porque eu acho que o papel educacional das Universidades é fundamental, e retirá-las do MEC só tende a piorar a situação da educação de nível superior.
Em segundo lugar porque acho difícil pensar numa solução para a educação do Brasil sem que as Universidades façam parte deste processo.
Mudar as atribuições e responsabilidades da “entidade” (ministério) para que ela consiga cumpri-las é, no mínimo, imbecilidade.

Meu colega colocou que, na opinião dele,  “a melhoria da educação no Brasil ainda não precisaria envolver o ensino superior” e que após dar aulas para “adultos e adolescentes que estudaram em um colégio público em um cursinho voluntário“,  ele chegou à conclusão que “o problema não está na minha matéria (álgebra). Está no fato de que, desde quando começaram a frequentar a escola, eles não desenvolveram competencias básicas que são ensinadas para a maioria dos alunos do ensino superior.” Ao questionar a professora particular de inglês dele, que também dá aulas na rede pública, sobre o tema, ela respondeu que “Os alunos de lá não tem o menor interesse, pois sabem que eles vão passar mesmo que não façam nada. Para completar, eles ainda atrapalham muito aqueles que tem interesse, e não posso tomar nenhuma atitude disciplinar contra eles

Este meu colega ainda concluiu:
Concordo com você que, se tudo fosse rosas, deveria se do jeito que você disse, mas não adianta tentar fazer tudo bonitinho se não funciona. Não sei que tipo de implicações políticas essa medida vai ter mas, se for preciso criar o Ministério da Primeira Série do Fundamental ou o Ministério da Interpretação de Texto para que minha professora consiga ensinar seus alunos e, consequentemente, o aproveitamento dos meus aumente, pra mim ta ótimo.

E aqui vem o que me motivou a escrever este post… minha resposta a este último email dele. Vou copiá-la na integra abaixo:

“já dei aulas em cursinhos populares pré-universitários (que são diferentes de pré-vestibulares – mas não vou me alongar nisso) e realmente existe uma enorme falta de bases matemáticas, muito anteriores a “equações de segundo grau”.
Mas não acho que a criação de novos ministérios, especialização de ministérios ou qualquer coisa do gênero seja algo que vá resolver a situação. Enquanto um professor de ensino público (em qualquer nível) não receber uma salário razoável, não vamos ter mudanças de verdade.

Claro que a “aprovação automática” é um absurdo e que deveria acabar ontem. Mas, mesmo antes dela, tínhamos problemas. E isso passa pelo fato de um professor da rede pública ter que dar aula em 3 escolas em locais distantes umas das outras, ganhando muito pouco e, por exemplo, não sendo remunerado por tempo com preparação de aulas e provas, correção de provas e exercícios e por ai vai.
Certamente os professores deveriam ser remunerado por, pelo menos, o dobro do horário de aulas que eles dão. E estou sendo bonzinho com o “pelo menos”. Numa turma de 50 alunos que eu tinha e que eu passei uma atividade (SIMPLES!) dissertativa, gastei um fim de semana todo só pra corrigir. Isso sem considerar o tempo de preparar a prova.
Por isso sou totalmente favorável à campanha “10% do PIB para Educação” (campanha encabeçada pelo psol no legislativo). Eu acho que esse aumento é um primeiro passo muito mais efetivo do que a criação de qualquer “ministério”.
E o mesmo vale para as Universidade Públicas. Se não garantirmos que um docente pode ganhar um salário razoável (em função de seu conhecimento, sua capacidade de produção e etc), e que sua atuação enquanto docente (e não pesquisador) é algo de suma importância e isso ser levado em consideração (hoje não é), nosso ensino superior continuará sendo de terceiro mundo, e rankings que colocam a USP como “melhor da AL” são muitíssimos vazios.
Se os professores do ensino público fundamental/médio fossem recebessem o tratamento que recebem os docentes universitários já seria um grande avanço….
Existem várias outras coisas a se levar em consideração como, por exemplo, a quantidade de estudantes numa sala de aula com relação ao número de “educadores” (profess@r + assistente(s)).
Por fim, há só mais uma questão relativa à mudança proposta. E os cursos não são tecnológicos/mercadológicos? O que vão fazer dentro do Ministério da Ciência e Tecnologia? Ensino Superior se resume apenas a produção tecnológica? Como ficam os cursos de Pedagogia, História, Matemática, Física, etc? O MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) é que vai legislar sobre como devem ser os professores de Ensino Médio/Fundamental?…….

E vocês, o que acham?

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"Criança, a Alma do Negócio"

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Primeira coisa….. “Mexem com a cabecinha deles, porque é bem imatura né, a criança é vulnerável, ela vai ver ela vai querer”….
Como se os “jovens” e “adultos” não fossem também. Como se as milhares propagandas que nos bombardeiam minuto a minuto não nos influenciassem. Ou será que nós compramos uma Coca-Cola porque ela realmente tem “bolhinhas refrescantes que matam a sede instantâneamente”? Como diria meu professor, João Furtado, se algum dia alguém descobrir uma Coca-Cola que tem aquelas bolhas ultra-refrescantes do lado de fora, por favor, me avise que eu vou comprar na hora!

Aliás, as crianças realmente são muito mais expostas às propagandas do que os adultos, mas os adultos são MUITO influenciados pelos comerciais… isso quer dizer que os adultos são mais “fracos” (ou tão quanto) as crianças?? Principalmente se pensarmos que uma boa parte das propagandas reforça que os pais devem satisfazer as vontades das crianças, devem fazê-las felizes comprando o que elas pedem. E ai os pais acabam reforçando a lógica sobre as crianças… ou estou errado??

“O desejo de comprar passa a ser a coisa em si”.
Será que é só com as crianças que existe essa inversão entre “fins” e “meios”? Ou será que a maioria das pessoas trabalha para ganhar dinheiro?
Será que as pessoas vão à livraria pois querem ler um livro ou pois querem comprar um livro?
Qual é o fim para os adultos? O objeto comprado ou o ato de comprar?

Será que existe alguma semelhança entre a criança que pede um brinquedo e brinca apenas uma vez com ele, e a mãe ou o pai que compra um vestido (ou outra roupa) mas só o utiliza uma vez?

Aliás, só relatando, tenho uma tia que fez luzes no cabelos dos filhos com menos de 3 anos… um deles ainda era de colo…..

Complicado ver uma mãe falando que as propagandas não condizem com o que deveria ser relativo ao mundo de crianças, mas mesmo assim elas dão às crianças os produtos dessas propagandas. Mas ela não conseguem ver a relação entre essas coisas. Muitas vezes os pais não conseguem ver que as meninas não usariam roupas “que realçam suas características” se os pais não comprassem.
Aliás, a maioria dos exemplos “clássicos”[esteriotipados] são relacionados às crianças do sexo feminino…

Bem, estão ai algumas reflexões que me ocorreram durante o documentário.

Acho que vale à pena todo mundo assistir e refletir!

Temos que pensar por todos os lados.
Enquanto alvo diretos das propagandas, enquanto pais, ao dar algo a nossos filhos, enquanto profissionais, ao trabalharmos na criação de um propaganda ou na venda/produção de um produto. Acho que falta reflexão vinda de todos os lados. E do lado dos profissionais eu ainda apelo à Ética!

Bem… fica a sugestão de leitura!

Abs,

Diego

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Dia Internacional da Mulher

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Até ano passado (eu acho), não concordava muito com a idéia de um “Dia Internacional da Mulher”. Achava, de alguma maneira, uma certa discriminação para com as Mulheres.
Mas a vivência, o convívio, o debate, o erros e a reflexão nos mudam muito, e felizmente eu tenho alguém do meu lado há quase 1 ano e meio que me faz passar por todas essas experiências e olhar pra elas de forma consciente.

Percebi neste último ano de reflexão que tenho muito a aprender sobre a sociedade e, principalmente, sobre eu mesmo.

Percebi que o Dia Internacional da Mulher não é um dia de homenagem, um dia de festa. Mas sim um dia de reflexão: para pararmos e refletirmos sobre como estamos nos relacionando com o outro gênero; um dia de luta: para tentar deixar de lado vícios sociais que estão em nós introjetados; um dia de repensar os valores e buscar um pouco mais o caminho da igualdade, do respeito e da ética.

Quero aqui deixar as minhas mais sinceras desculpas a todas as mulheres que tratei de forma injusta, que subjulguei em algum momento, que não respeitei como merecia ser respeitada, que não olhei como mereceia ser olhada.

Peço aqui a todas vocês que, sempre que se sentirem pressionadas, por uma questão de gênero, que se manifestem! Que se indignem, e que esta indignação se transforme numa ação transformadora. Não sejam pacíficas. Utilizem o poder da palavra para combater a injustiça que existe no mundo.

Quero deixar aqui expresso o meu mais profundo agradecimento a você , Haydée, que tanto tem mudado a minha vida, com muito Amor, apoio, críticas, carinho, compreensão. Que tem feito cada dia da minha vida um dia único e especial, sempre cheio de novidades, cada dia mais maravilhoso que o dia anterior. Que está sempre ao meu lado, me ajudando a conquistar meus sonhos e me incentivando a ter novos sonhos.

Expresso também meu sentimento de admiração por todas mulheres que lutam para mudar essa realidade nefasta em que vivemos, por todas vocês que tomam decisões, mesmo que contrariando parentes, líderes religiosos, amigos, etc. Que vocês continuem sendo um exemplo, não só para as mulheres, mas também para todas as cidadãs e cidadãos, para que todos parem e reflitam sobre o Agir para mudar o que entendemos estar errado.
Que todos lutemos por um mundo mais digno, no qual uma pessoa não é considerada melhor pela cor de sua pele, de seu cabelo, pelo carro em que anda, pela casa em que mora, pelo gênero, ou pelo diploma que possui. Somos todos seres humanos, todos com defeitos e virtudes. Todos têm seu direito de ter opinião, e de serem respeitados igualmente, independente do que pensam.

Que este seja só mais um dia de uma dura luta em busca de um mundo mais justo.

Não parem de lutar para transformar!

Dée, Te Amo! Muito! Minha amada guerreira, justa e bondosa.

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Reflexões sobre a liberdade

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Hoje tive uma noite interessantíssima e super agradável.
Primeiro me reuni com a Andrea e com a Haydée no café lá da livraria cultura, para conversarmos. Durante a conversa tomei um “mocca gelatto” fantástico (ainda mais nesse calor todo), e ficamos conversando sobre várias coisas da vida. hehehe
No fim do papo, quando fomos praticamente chutados de lá por causa do horário, estavamos conversando sobre propriedade intelectual (hum… estou devendo um post disso… farei assim que possível). Eu estava explicando mais ou menos para a Andrea a idéia geral que envolve o tema. E ai entramos numa discussão sobre até que ponto as produções artísticas devem ter ou não a liberdade de livre modificação? Ficamos discutindo por um tempo, e ai a Andrea teve que ir embora, e eu fui com a Haydée até a casa dela. E a discussão continuou só com nós dois por mais alguma(s) hora(s).
Pessoalmente eu, olhando agora, estava tentando entender um pouco melhor sobre o tema (liberdade de obras artísticas), tentando formar a minha opinião. Foi uma discussão acirrada, eu estava tentando, de alguma maneira, defender o porque de permitir a livre alteração das obras artisticas, e a Haydée estava defendendo que isso, do ponto de vista dela, os motivos para não dar essa liberdade.
Fui uma conversa super interessante, passamos por diversos assuntos, discutimos o quanto hoje em dia não se lê e se produz conhecimento artístico, pesquisas científicas, limites da liberdade, o quanto nossos pais liam e produziam mais que nós, que lemos e produzimos mais do que nossos irmãos mais novos, e também sobre o quanto vivemos hoje numa sociedade “CTRL+C/CTRL+V” – aliás, gostei da idéia de criar um virus que impede a utilização do CTRL+C/CTRL+V, vou pensar no assunto e tirar uns dias para fazer a experiência de não utilizar tal recurso.

Em algum momento, voltando para minha casa, me peguei pensando o quanto é bom estar com uma pessoa com a qual pode-se ter uma discussão louca dessas, em alguns momentos até mesmo acalorada, com discordâncias de ambos os lados, mas no fim das contas os dois saberem que foi apenas uma conversa reflexiva, e que aquilo teve apenas o intúito de os dois crescerem mais um pouco. E que, por mais que tenham havido discordâncias e ânimos levemente exaltados, o sentimento de carinho, paixão e Amor que um tem pelo outro só aumenta. (nada a ver com o post né? rs)

Bem, voltando ao tema…
Sei lá, acho que ela me convenceu, por enquanto, da posição de usar uma licença que restrinja as derivações em produções “artisticas” (isso conta textos pessoais, comos os desse blog). Mas não sou um seguidor fiel dessa ideologia, pelo menos não ainda (rs). Ainda preciso discutir bastante isso para ter uma opinião mais firme.

Inclusive acabei de reparar que eu já usava esse tipo de licença no meu blog (mas não lembrava! rs) – ver no fim da página.

Mas fica a pergunta, do ponto de vista artistico (poemas, poesias, contos, crônicas, romances, fotografias, obras de arte, etc), será que a liberdade de alteração faria com que as pessoas produzissem menos cosias novas? Ou será que continuaríamos com as produções novas e acrescentaríamos novas produções baseadas em modificações?
Será que o processo criativo só pode se dar por meio de uma produção “completa” e a modificação de algo já existente não resulta num processo criativo “completo”?
Quais as vantagens de permitirmos obras derivadas?
Será que o desenvolvimento tecnológico (televisão, rádio, jornal, internet, computador) está permitindo que nós deixemos de utilizar nossa capacidade de produção de conhecimento, cerceando-nos de alguma forma?

Bem, vou pensar mais no assunto! rs…..

Fui!

Obs.: Vocês não podem alterar esse texto hein! =p

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Casa do Politécnico

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Caderninho de Prestação de Contas da Cadopô

Depois de quase 50 anos de um projeto fabuloso (as obras iniciaram-se em 1949 até aonde eu sei), acaba-se hoje uma história de muita luta, movimentação política e cultural, um verdadeiro centro de resistência contra a desmobilização e o emburrecimento da sociedade perante uma lógica social individualista e financeira.
A Casa do Politécnico (CaDoPÔ) foi um espaço de enorme movimentação, durante a maior parte de sua história. Lá foi criado o “Grupo de Teatro da Poli (GTP)” (que existe até hoje, e conta com mais de 80 membros – coisa rara entre grupos de teatro atualmente), foi criado o Jornal “O Politécnico” (que só sobreviveu à Ditadura Militar – conhecido como “Jornal Vermelho” – pois tinha aquele espaço para produção). Tivemos lá também o Departamento de Fotografia do Grêmio Politécnico, um jornal literário e até mesmo um Grupo de Cinema (“Grupo Kuatro de Cinema“).
Mais recentemente foi palco de muitas atividades teatrais e tinha um grande potencial para se tornar um efetivo centro cultural – sendo que a proposta era de apresentações populares!
Com a criação da linha amarela do Metrô as possibilidade de revitalização integral da Casa seriam muito maiores, o GTP poderia voltar a utilizar aquele espaço, os politécnicos poderiam frequêntá-lo com maior periodicidade, poderíamos realizar muitos eventos, palestras, debates, exposições, mostras (como já vinha acontecendo – vide links abaixo), dentre muitas outras coisas.
Infelizmente muitas pessoas passaram pela história da Cadopô sem dar a ela a devida importância, assumindo responsabilidades e não as cumprindo, e isso – no meu entender – foi um dos principais motivos pelos quais os projetos não foram pra frente tão rápido e a história acabou por culminar numa infeliz desapropriação para se tornar um grande depósito.
Parece, inclusive, que a prefeitura entrou de vez no jogo da expeculação imobiliária. Ela possui dezenas de prédios no centro de São Paulo que não são utilizados – e que poderiam abrigar o arquivo ou mesmo se tornarem moradia popular; além disso, existe o projeto “Nova Luz“, de revitalização (limpeza social) da região da Luz – ao lado da Cadopô. O Projeto Nova Luz prevê uma “revitalização” da região, trazendo empresas (e expulsando pessoas pobres). Isso fará com que o valor dos imóveis e terrenos subam de valor, ou seja, com as desapropriações que a prefeitura está fazendo hoje, daqui a alguns anos ela terá valorizado seus investimentos.
Aliás, se o projeto é desenvolver o centro de São Paulo, porque não deixar se instalar um Centro Cultural na Cadopô ao invés de fazer um arquivo? Faz algum sentido?
Vivenciei aquele espaço por cerca de 1 ano e meio, e hoje é para mim, enquanto politécnico, o dia mais triste da minha vida, e enquanto cidadão, um dia absolutamente triste.
Vou guardar muitas boas recordações da Cadopô, mas sempre terei em meu coração a tristeza de saber do potencial público daquele espaço que foi enterrado.
Tenho certeza de que o Arquivo Histórico Municipal é importantíssimo, mas acho que essa não é uma troca justa, tendo tantos prédios PÚBLICOS (que não precisam nem de desapropriação ($)) parados por aí.
Fica aqui uma pequena e singela homenagem a uma história de quase 50 anos.

Em Construção 1…

No Bar da Cadopô…

Em Construção 2…

De quem será o quarto?…
Galerinha do Bem…
A mais alta e resistente…

…curtindo os últimos momentos…

com um sentimento gélido de cortar a alma…


Wiki da Casa do Politécnico – Coletânia de histórias da época em que foi moradia estudantil feita que eu organizei.

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Alguns links sobre a Cadopô – E dizem que ela está abandonada….
João Batista de Andrade – História sobre a movimentação política da Cadopô
Felco – Festival Latinoamericano de la Clase Obrera 2006
http://www.ciranda.net/ – Felco de novo
http://estudiolivre.org/ – Arte!
http://www.queenbrazil.com/ – Evento do Primeiro Fã-Clube do Queen (banda inglesa) na Cadopô!
http://www.spiner.com.br/ – Teatro!
Sexo Verbal – Teatro
Caio Fernando Abreu – Teatro
http://www.spiner.com.br/ – Teatro
http://www.midiaindependente.org – Reunião sobre a UNCTAD (Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento)
http://de.geocities.com/crusp2004/ – História
http://receitas.br101.org/arroz-ovo-bacon.html – História
Gestão 1990 do Grêmio – História
http://www.b-coolt.com/ – Teatro! (veja no dia 12.04)
http://www.gremio.poli.usp.br/ – História da Cadopô
http://www.cadopo.eng.br/ – Comunidade de ex-moradores
http://www.grupos.com.br/ – grupo de ex-moradores
http://www.usp.br/ – Notícia
http://prefeitura.sp.gov.br/ – Notícia (Aham! Acredito em tudo que foi dito sim…. )
http://www.folha.uol.com.br/ – Notícia
http://www.fotoplus.com/ – Referência a projetos de divulgação de fotografia (incluindo acesso a laboratório fotográfico) pelo Grêmio Politécnico – Ref. 6 na Pág. 3

Crítica ao projeto Nova Luz :
http://www.projetosurbanos.com.br/
http://www.territoria.com.br/
http://www.territoriogeografico.com.br/

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