Category Archives: Reflexões

Cota Parlamentar, gastou muito?

Recentemente o Dep. Federal Jean Wyllys deu uma entrevista[1] (recomendadíssima!) ao jornalista Marcelo Tas, e um dos assuntos tratados foi o salário de Deputado. Muito buxixo foi gerado a partir de então, e o deputado decidiu escrever um artigo[2] sobre o assunto, deixando as coisas mais claras.

Este artigo foi parar na lista Transparência Hacker, da qual faço parte, e nela iniciou-se um debate sobre os gastos do Deputado com sua Cota Parlamentar. Decidi responder ao email, e coloco abaixo a minha resposta (que também está nos arquivos da lista[3]). Continue reading

“Artistas x Universitários” ? – Breves comentários sobre a campanha “Tempestade em copo d’água”

“Artistas x Universidade” (http://scienceblogs.com.br/discutindoecologia/2011/11/usina-de-belo-monte-artistas-x-universidade/)….esse é o título do post que, aparentemente, primeiro divulgou da campanha “Tempestade em copo d’água” (http://www.youtube.com/watch?v=gVC_Y9drhGo).

Tive contato com ele alguns dias antes de “cair no facebook”, e fiz minhas considerações sobre o mesmo – afinal, acho que é isso que se espera de qualquer pessoa, fazer uma análise crítica das informações, seja do movimento dos “globais” ou dos “universitários”.

A começar que é partir de um princípio medíocre (no sentido de ser médio) se manifestar/mobilizar partindo da contraposição aos “artistas” quando o foco deveria ser o tema em si (Belo Monte). Mas… enfim… essa é a nossa sociedade, sempre personalista, sem discutindo o que não tem que ser o foco, sempre na superfície das coisas.

Recomendo entrarem no blog e participarem da discussão que está acontecendo por lá.

Segue abaixo meu comentário postado no blog referido:

Caros,

primeiramente gostaria de parabenizá-los por levantar esse debate.

Mas tenho algumas críticas ao vídeo.

Vocês comparam a área que será alagada com a área que é devastada diariamente hoje, e usam esse argumento praticamente para dizer que “a área alagada será insignificante”. Acho esse argumento péssimo. Não é porque temos um grande problema (devastamento para agroindústria) que problemas menores podem ser aceitos sem críticas/questionamentos.

Além disso, o impacto dos alagamentos não se dá apenas pelo tamanho da área a ser alagada, mas também pelo que há nessa região, e pelo impacto das áreas que deixaram de receber o fluxo do rio como é hoje.

Outro ponto é que vocês colocam que a usina será a 3a em potencial energético, mas na verdade ela será apenas 3a em potencial instalado. São coisas bem diferentes.

Seu aproveitamento médio será consideravelmente baixo e, mais do que isso, na época em que mais temos problemas de abastecimento energético no país ela pouco contribuirá, sua maior contribuição para o sistema integrado nacional se dará fundamentalmente nas épocas em que temos maior abundância de energia.

Considerando ainda que ela produzirá, em média, cerca de 4200Mw/h, existem sim alternativas viáveis à sua construção.

Estudos mostram que se utilizássemos o bagaço de cana que é descartado no Brasil para transformá-lo em energia, nosso potencial seria de aproximadamente 4200Mw/h. Ou seja, resíduos que descartamos hoje poderiam ser utilizados para gerar a mesma energia que Belo Monte irá gerar em média. E ainda ter-se-ia a vantagem de poder fazer essa instalação mais próxima dos centros consumidores (reduzindo perdas com transmissão) e seria mais fácil gerenciar em qual época do ano essa energia seria utilizada.

Enfim, esses são só alguns pontos que achei relevantes tocar.

Por fim, gostaria de sugrir a vocês, e pedir que ajudem-nos a divulgar, um debate que realizamos (nós = Escritório Piloto da Escola Politécnica da USP) sobre Belo Monte com dois professores da EPUSP e mais o Prof. Célio Bermann, do IEE-USP, um dos responsáveis pela produção de um relatório de análise crítica do projeto da usina e do EIA/RIMA da mesma.

http://escritoriopiloto.org/artigo/debate-belo-monte

Neste link vocês encontraram as apresentações feitas e também os vídeos do debate. Sei que são razoavelmente longos, mas vale MUITO à pena assisti-los, tem muita informação técnica concreta (diferente do “movimento gota d´água)….

Abraços universitários!

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O caminho da educação no Brasil

Todos pela educação?

Há algum tempo atrás recebi, por email, a seguinte notícia:

Comissão do Senado retira do MEC responsabilidade pelo ensino superior

Sobre ela, um colega escreveu que “Se o Ministério da Educação fizer a parte dele sem a atribuição do ensino superior,  pra mim ta ótimo.“, e a resposta que dei a ele foi

“Eu discordo de você.
Primeiro porque eu acho que o papel educacional das Universidades é fundamental, e retirá-las do MEC só tende a piorar a situação da educação de nível superior.
Em segundo lugar porque acho difícil pensar numa solução para a educação do Brasil sem que as Universidades façam parte deste processo.
Mudar as atribuições e responsabilidades da “entidade” (ministério) para que ela consiga cumpri-las é, no mínimo, imbecilidade.

Meu colega colocou que, na opinião dele,  “a melhoria da educação no Brasil ainda não precisaria envolver o ensino superior” e que após dar aulas para “adultos e adolescentes que estudaram em um colégio público em um cursinho voluntário“,  ele chegou à conclusão que “o problema não está na minha matéria (álgebra). Está no fato de que, desde quando começaram a frequentar a escola, eles não desenvolveram competencias básicas que são ensinadas para a maioria dos alunos do ensino superior.” Ao questionar a professora particular de inglês dele, que também dá aulas na rede pública, sobre o tema, ela respondeu que “Os alunos de lá não tem o menor interesse, pois sabem que eles vão passar mesmo que não façam nada. Para completar, eles ainda atrapalham muito aqueles que tem interesse, e não posso tomar nenhuma atitude disciplinar contra eles

Este meu colega ainda concluiu:
Concordo com você que, se tudo fosse rosas, deveria se do jeito que você disse, mas não adianta tentar fazer tudo bonitinho se não funciona. Não sei que tipo de implicações políticas essa medida vai ter mas, se for preciso criar o Ministério da Primeira Série do Fundamental ou o Ministério da Interpretação de Texto para que minha professora consiga ensinar seus alunos e, consequentemente, o aproveitamento dos meus aumente, pra mim ta ótimo.

E aqui vem o que me motivou a escrever este post… minha resposta a este último email dele. Vou copiá-la na integra abaixo:

“já dei aulas em cursinhos populares pré-universitários (que são diferentes de pré-vestibulares – mas não vou me alongar nisso) e realmente existe uma enorme falta de bases matemáticas, muito anteriores a “equações de segundo grau”.
Mas não acho que a criação de novos ministérios, especialização de ministérios ou qualquer coisa do gênero seja algo que vá resolver a situação. Enquanto um professor de ensino público (em qualquer nível) não receber uma salário razoável, não vamos ter mudanças de verdade.

Claro que a “aprovação automática” é um absurdo e que deveria acabar ontem. Mas, mesmo antes dela, tínhamos problemas. E isso passa pelo fato de um professor da rede pública ter que dar aula em 3 escolas em locais distantes umas das outras, ganhando muito pouco e, por exemplo, não sendo remunerado por tempo com preparação de aulas e provas, correção de provas e exercícios e por ai vai.
Certamente os professores deveriam ser remunerado por, pelo menos, o dobro do horário de aulas que eles dão. E estou sendo bonzinho com o “pelo menos”. Numa turma de 50 alunos que eu tinha e que eu passei uma atividade (SIMPLES!) dissertativa, gastei um fim de semana todo só pra corrigir. Isso sem considerar o tempo de preparar a prova.
Por isso sou totalmente favorável à campanha “10% do PIB para Educação” (campanha encabeçada pelo psol no legislativo). Eu acho que esse aumento é um primeiro passo muito mais efetivo do que a criação de qualquer “ministério”.
E o mesmo vale para as Universidade Públicas. Se não garantirmos que um docente pode ganhar um salário razoável (em função de seu conhecimento, sua capacidade de produção e etc), e que sua atuação enquanto docente (e não pesquisador) é algo de suma importância e isso ser levado em consideração (hoje não é), nosso ensino superior continuará sendo de terceiro mundo, e rankings que colocam a USP como “melhor da AL” são muitíssimos vazios.
Se os professores do ensino público fundamental/médio fossem recebessem o tratamento que recebem os docentes universitários já seria um grande avanço….
Existem várias outras coisas a se levar em consideração como, por exemplo, a quantidade de estudantes numa sala de aula com relação ao número de “educadores” (profess@r + assistente(s)).
Por fim, há só mais uma questão relativa à mudança proposta. E os cursos não são tecnológicos/mercadológicos? O que vão fazer dentro do Ministério da Ciência e Tecnologia? Ensino Superior se resume apenas a produção tecnológica? Como ficam os cursos de Pedagogia, História, Matemática, Física, etc? O MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) é que vai legislar sobre como devem ser os professores de Ensino Médio/Fundamental?…….

E vocês, o que acham?

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"Criança, a Alma do Negócio"

Primeira coisa….. “Mexem com a cabecinha deles, porque é bem imatura né, a criança é vulnerável, ela vai ver ela vai querer”….
Como se os “jovens” e “adultos” não fossem também. Como se as milhares propagandas que nos bombardeiam minuto a minuto não nos influenciassem. Ou será que nós compramos uma Coca-Cola porque ela realmente tem “bolhinhas refrescantes que matam a sede instantâneamente”? Como diria meu professor, João Furtado, se algum dia alguém descobrir uma Coca-Cola que tem aquelas bolhas ultra-refrescantes do lado de fora, por favor, me avise que eu vou comprar na hora!

Aliás, as crianças realmente são muito mais expostas às propagandas do que os adultos, mas os adultos são MUITO influenciados pelos comerciais… isso quer dizer que os adultos são mais “fracos” (ou tão quanto) as crianças?? Principalmente se pensarmos que uma boa parte das propagandas reforça que os pais devem satisfazer as vontades das crianças, devem fazê-las felizes comprando o que elas pedem. E ai os pais acabam reforçando a lógica sobre as crianças… ou estou errado??

“O desejo de comprar passa a ser a coisa em si”.
Será que é só com as crianças que existe essa inversão entre “fins” e “meios”? Ou será que a maioria das pessoas trabalha para ganhar dinheiro?
Será que as pessoas vão à livraria pois querem ler um livro ou pois querem comprar um livro?
Qual é o fim para os adultos? O objeto comprado ou o ato de comprar?

Será que existe alguma semelhança entre a criança que pede um brinquedo e brinca apenas uma vez com ele, e a mãe ou o pai que compra um vestido (ou outra roupa) mas só o utiliza uma vez?

Aliás, só relatando, tenho uma tia que fez luzes no cabelos dos filhos com menos de 3 anos… um deles ainda era de colo…..

Complicado ver uma mãe falando que as propagandas não condizem com o que deveria ser relativo ao mundo de crianças, mas mesmo assim elas dão às crianças os produtos dessas propagandas. Mas ela não conseguem ver a relação entre essas coisas. Muitas vezes os pais não conseguem ver que as meninas não usariam roupas “que realçam suas características” se os pais não comprassem.
Aliás, a maioria dos exemplos “clássicos”[esteriotipados] são relacionados às crianças do sexo feminino…

Bem, estão ai algumas reflexões que me ocorreram durante o documentário.

Acho que vale à pena todo mundo assistir e refletir!

Temos que pensar por todos os lados.
Enquanto alvo diretos das propagandas, enquanto pais, ao dar algo a nossos filhos, enquanto profissionais, ao trabalharmos na criação de um propaganda ou na venda/produção de um produto. Acho que falta reflexão vinda de todos os lados. E do lado dos profissionais eu ainda apelo à Ética!

Bem… fica a sugestão de leitura!

Abs,

Diego

Dia Internacional da Mulher

Até ano passado (eu acho), não concordava muito com a idéia de um “Dia Internacional da Mulher”. Achava, de alguma maneira, uma certa discriminação para com as Mulheres.
Mas a vivência, o convívio, o debate, o erros e a reflexão nos mudam muito, e felizmente eu tenho alguém do meu lado há quase 1 ano e meio que me faz passar por todas essas experiências e olhar pra elas de forma consciente.

Percebi neste último ano de reflexão que tenho muito a aprender sobre a sociedade e, principalmente, sobre eu mesmo.

Percebi que o Dia Internacional da Mulher não é um dia de homenagem, um dia de festa. Mas sim um dia de reflexão: para pararmos e refletirmos sobre como estamos nos relacionando com o outro gênero; um dia de luta: para tentar deixar de lado vícios sociais que estão em nós introjetados; um dia de repensar os valores e buscar um pouco mais o caminho da igualdade, do respeito e da ética.

Quero aqui deixar as minhas mais sinceras desculpas a todas as mulheres que tratei de forma injusta, que subjulguei em algum momento, que não respeitei como merecia ser respeitada, que não olhei como mereceia ser olhada.

Peço aqui a todas vocês que, sempre que se sentirem pressionadas, por uma questão de gênero, que se manifestem! Que se indignem, e que esta indignação se transforme numa ação transformadora. Não sejam pacíficas. Utilizem o poder da palavra para combater a injustiça que existe no mundo.

Quero deixar aqui expresso o meu mais profundo agradecimento a você , Haydée, que tanto tem mudado a minha vida, com muito Amor, apoio, críticas, carinho, compreensão. Que tem feito cada dia da minha vida um dia único e especial, sempre cheio de novidades, cada dia mais maravilhoso que o dia anterior. Que está sempre ao meu lado, me ajudando a conquistar meus sonhos e me incentivando a ter novos sonhos.

Expresso também meu sentimento de admiração por todas mulheres que lutam para mudar essa realidade nefasta em que vivemos, por todas vocês que tomam decisões, mesmo que contrariando parentes, líderes religiosos, amigos, etc. Que vocês continuem sendo um exemplo, não só para as mulheres, mas também para todas as cidadãs e cidadãos, para que todos parem e reflitam sobre o Agir para mudar o que entendemos estar errado.
Que todos lutemos por um mundo mais digno, no qual uma pessoa não é considerada melhor pela cor de sua pele, de seu cabelo, pelo carro em que anda, pela casa em que mora, pelo gênero, ou pelo diploma que possui. Somos todos seres humanos, todos com defeitos e virtudes. Todos têm seu direito de ter opinião, e de serem respeitados igualmente, independente do que pensam.

Que este seja só mais um dia de uma dura luta em busca de um mundo mais justo.

Não parem de lutar para transformar!

Dée, Te Amo! Muito! Minha amada guerreira, justa e bondosa.