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“Artistas x Universitários” ? – Breves comentários sobre a campanha “Tempestade em copo d’água”
“Artistas x Universidade” (http://scienceblogs.com.br/discutindoecologia/2011/11/usina-de-belo-monte-artistas-x-universidade/)….esse é o título do post que, aparentemente, primeiro divulgou da campanha “Tempestade em copo d’água” (http://www.youtube.com/watch?v=gVC_Y9drhGo).
Tive contato com ele alguns dias antes de “cair no facebook”, e fiz minhas considerações sobre o mesmo – afinal, acho que é isso que se espera de qualquer pessoa, fazer uma análise crítica das informações, seja do movimento dos “globais” ou dos “universitários”.
A começar que é partir de um princípio medíocre (no sentido de ser médio) se manifestar/mobilizar partindo da contraposição aos “artistas” quando o foco deveria ser o tema em si (Belo Monte). Mas… enfim… essa é a nossa sociedade, sempre personalista, sem discutindo o que não tem que ser o foco, sempre na superfície das coisas.
Recomendo entrarem no blog e participarem da discussão que está acontecendo por lá.
Segue abaixo meu comentário postado no blog referido:
Caros,
primeiramente gostaria de parabenizá-los por levantar esse debate.
Mas tenho algumas críticas ao vídeo.
Vocês comparam a área que será alagada com a área que é devastada diariamente hoje, e usam esse argumento praticamente para dizer que “a área alagada será insignificante”. Acho esse argumento péssimo. Não é porque temos um grande problema (devastamento para agroindústria) que problemas menores podem ser aceitos sem críticas/questionamentos.
Além disso, o impacto dos alagamentos não se dá apenas pelo tamanho da área a ser alagada, mas também pelo que há nessa região, e pelo impacto das áreas que deixaram de receber o fluxo do rio como é hoje.
Outro ponto é que vocês colocam que a usina será a 3a em potencial energético, mas na verdade ela será apenas 3a em potencial instalado. São coisas bem diferentes.
Seu aproveitamento médio será consideravelmente baixo e, mais do que isso, na época em que mais temos problemas de abastecimento energético no país ela pouco contribuirá, sua maior contribuição para o sistema integrado nacional se dará fundamentalmente nas épocas em que temos maior abundância de energia.
Considerando ainda que ela produzirá, em média, cerca de 4200Mw/h, existem sim alternativas viáveis à sua construção.
Estudos mostram que se utilizássemos o bagaço de cana que é descartado no Brasil para transformá-lo em energia, nosso potencial seria de aproximadamente 4200Mw/h. Ou seja, resíduos que descartamos hoje poderiam ser utilizados para gerar a mesma energia que Belo Monte irá gerar em média. E ainda ter-se-ia a vantagem de poder fazer essa instalação mais próxima dos centros consumidores (reduzindo perdas com transmissão) e seria mais fácil gerenciar em qual época do ano essa energia seria utilizada.
Enfim, esses são só alguns pontos que achei relevantes tocar.
Por fim, gostaria de sugrir a vocês, e pedir que ajudem-nos a divulgar, um debate que realizamos (nós = Escritório Piloto da Escola Politécnica da USP) sobre Belo Monte com dois professores da EPUSP e mais o Prof. Célio Bermann, do IEE-USP, um dos responsáveis pela produção de um relatório de análise crítica do projeto da usina e do EIA/RIMA da mesma.
http://escritoriopiloto.org/artigo/debate-belo-monte
Neste link vocês encontraram as apresentações feitas e também os vídeos do debate. Sei que são razoavelmente longos, mas vale MUITO à pena assisti-los, tem muita informação técnica concreta (diferente do “movimento gota d´água)….
Abraços universitários!
Dados sobre a segurança na USP
Posted by diraol in Movimento Estudantil, Política, Sociedade, ThackDay on 11/11/2011
Em maio de 2011 a USP assinou um acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), prevendo a intensificação da atuação da Polícia Militar no Campus da USP. No último mês de outubro, após uma série de conflitos e manifestações, foi divulgado na mídia que “crimes na USP caem 92% após o convênio“.
Este é um post para questionar esses dados, ou a forma como eles são lidos, e mostrar que a intensificação da PM no Campus não alterou tanto assim a realidade da segurança da universidade. Dos 6 meses do convênio, o único que realmente teve alguma diferenciação dos anos anteriores foi o mês de setembro. Todos os outros meses ou estão no mesmo patamar dos anos anteriores ou até mesmo maiores que nos anos anteriores.
Esses dados foram retirados do site oficial da Guarda Universitária da USP.
Projeto de Lei de Acesso à Informação aprovado no Senado
O Senado Nacional Brasileiro votou hoje o relatório e projeto substitutivo do Senador Fernando Color de Melo e, em seguida, o Projeto de Lei de Acesso à Informação Pública.
O relatório do Senado Color, que tentava instituir sigilo eterno a documentos e a não obrigatoriedade de divulgação das informações (além de outras coisas) foi veementemente rejeitado (41 votos contrários, 9 favoráveis e 0 abstenções). O Senador Color ainda tentou, após a rejeição, inserir dois artigos no PLC original tentando manter estes dois pontos críticos de seu relatório, mas tal proposta foi novamente rejeitada e, em seguida, finalmente, o PLC 41/2010 foi aprovado pelo Senado Federal.
Dessa forma, o a Lei de Acesso à Informação Pública, que foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 2010, também foi aprovado pelo Senado Federal, seguindo agora para sanção da Presidência da República para entrar efetivamente em vigor 180 dias após essa aprovação.
Vale ressaltar que a Presidenta Dilma já havia se comprometido publicamente, diversas vezes, pela aprovação desse projeto.
Como bem disse o Senador Ranfolfe Rodrigues, demos um grande e efetivo passo em direção à efetiva Redemocratização do Brasil.
Um Viva à Liberdade de Acesso à Informação!!! =)
Mais info: http://artigo19.org/?p=442
http://uolpolitica.blog.uol.com.br/arch2011-10-23_2011-10-29.html#2011_10-25_18_01_08-9961110-0
Debate: Software Livre e Políticas Públicas
Tecnologias livres estão diretamente ligadas à qualidade da educação, ao desenvolvimento da ciência e à soberania nacional.
Em tempos de eleição, nada melhor do que convocar representantes dos principais partidos políticos do Brasil para se discutir propostas que incentivem o uso e o desenvolvimento de software livre no país. Por isso mesmo, a Quinta-Livre estará promovendo um debate que suscitará uma discussão sobre o tema. A ideia é promover um evento fora dos padrões normativos e desgastados da mídia televisiva. Se você se interessa pelo tema, não deixe de comparecer.
ESTÃO TODOS CONVIDADOS.
O tema básico é “Software Livre e Políticas Públicas”, discutidos do ponto de vista social: tanto as políticas públicas podem acelerar o uso e o desenvolvimento do Software Livre, como o contrário também nos parece válido.
A lista de participantes será divulgada no início da semana, assim que os últimos nomes forem confirmados. Confira os nomes dos participantes clicando aqui.
Data e hora:
23 de SETEMBRO de 2010 (é uma quinta-feira) às 19:30.
Local:
Auditório da Escola de Aplicação, Faculdade de Educação, USP-SP (Cidade Universitária do Butantã)
Debate sobre o direito de acesso à informação na PUC de São Paulo
No marco das Comemorações do Dia Mundial de Liberdade de Imprensa, celebrado em todo mundo no dia 3 de maio, e que em 2010 destaca o direito ao acesso à informação, a PUC-SP, o escritório da UNESCO no Brasil, a ARTIGO 19, a Transparência Brasil e a Transparência Hack Day, promovem, no próximo dia 7, às 20h, evento para discutir a relevância da liberdade de informação para a transparência governamental, a participação pública e o exercício da liberdade de expressão, especialmente a liberdade de imprensa.
O debate contará com a participação de Guilherme Canela, coordenador de Comunicação e Informação da UNESCO no Brasil, e atores de grande relevância para essa agenda, como Fabiano Angélico, da ONG Transparência Brasil; Paula Martins, da ONG Artigo 19, Diego Rabatone, da Transparência Hack Day; do jornalista Marcelo Soares, da MTV e de Pollyana Ferrari, da PUC-SP. O evento acontecerá no auditório “Paulo de Barros Carvalho”, no campus Monte Alegre, da PUC-SP.
O assunto é de especial relevância no Brasil, devido à recente aprovação, pela Câmara dos Deputados, da Lei Geral de Acesso à Informação (PL.5228/2009), que regulamenta o acesso às informações na administração pública. O projeto de lei, que ainda aguarda apreciação pelo Senado Federal e sanção pelo Presidente da República, representa um grande avanço para a democracia brasileira no sentido de consolidar o compromisso do País com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, especialmente o disposto em seu artigo 19.
Aprovada nessa segunda-feira, durante a Conferência Mundial sobre Liberdade de Imprensa, na Austrália, a declaração de Brisbane reafirmou o direito à informação como parte integrante e indissociável do direito humano fundamental de liberdade de expressão, e enfatizou a importância de se estabelecer mecanismos de regulamentação do direito de acesso à informação pública.
Instrumentos legais de garantia ao acesso à informação foram adotados em cerca de 80 nações. A definição das regras do jogo em relação a esse direito é considerada internacionalmente como uma condição imprescindível para uma interação mais transparente entre cidadãos e Estados, e especialmente relevante para os jornalistas, dado o seu significativo papel na vigilância saudável dos Poderes Públicos e no aprofundamento do debate acerca das ações desenvolvidas pelos governos.
Para a ocasião, a UNESCO também prepara o lançamento da publicação “Liberdade de informação: um estudo de direito comparado”, de Toby Mendel. O estudo apresenta uma visão geral e uma análise comparativa de 14 democracias que regulamentaram o assunto por meio de leis gerais. Alguns exemplares serão distribuídos ao público.
Para mais informações acesse: http://www.pucsp.br/imprensa/noticias.htm
Brasileiros criam projeto de baixo custo para deficientes visuais e são finalistas de competição internacional
Estudantes da USP criam identificador de cores de baixo custo para deficientes visuais e precisam de apoio para vencer uma competição internacional de empreendedorismo social
Enxergar cores não é apenas uma questão estética. Pessoas portadoras de deficiências visuais não conseguem reconhecer cores, nem notas de dinheiro. Esta capacidade é importante para uma boa qualidade de vida porque as torna independentes, elevando a sua auto-estima. Porém, esta deficiência as impede de trabalhar em muitas áreas, e, uma vez que a maioria destas pessoas são de baixa renda, necessitam de uma solução de baixo custo.
No mundo, há 314 milhões de pessoas com algum tipo de problema visual, sendo que 45 milhões destas são cegas (OMS, 2009). Além disso, 87% delas vivem em países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, sendo 25 milhões só no Brasil. Cerca de 29% dos brasileiros com problemas visuais (7.25 milhões) vivem com menos do que um salário mínimo por mês (IBGE, 2009). No Brasil, aparelhos identificadores de cores custam de R$600,00 a R$1200,00, o que é um custo altíssimo para a maioria das pessoas que dependem dele.
Foi pensando nisso que eu e o Fernando criamos a Auire, uma empresa social que propõe projetos acessíveis que ajudem a população. Nosso primeiro projeto é um identificador de cores e dinheiro de baixo custo para pessoas com deficiência visual.
A solução é um aparelho portátil que fala a cor de um objeto ou o valor da nota de dinheiro. As notas de dinheiro no Brasil são de diferentes cores, o que permite o uso dessa propriedade para identificá-las.
O projeto foi inscrito para o programa de incubação inaugural do Unreasonable Institute e foi um dos 42 finalistas. O instituto oferece um programa intensivo de treinamento, incubação, apoio e financiamento a jovens empreendedores de todo mundo para transformar em realidade projetos com foco social ou ambiental. Os selecionados passarão 10 semanas na sua sede em Boulder, Colorado, EUA, para aprender como colocar suas idéias em prática. Ao final, terão contato direto com 200 investidores. Para chegar à etapa final, os empreendedores tiveram que superar 285 competidores e provar que o projeto pode tornar-se autosuficiente em um ano, atingir 1 milhão de pessoas e expandir-se para fora de seu país de origem em menos de três anos.
Agora, nós devemos passar por uma nova etapa. O programa de incubação custa US$6.500,00 por projeto. Porém, os empreendedores não podem pagar diretamente por ele. Cada um deles deve arrecadar doações para sua idéia. Em cada semana haverá um limite para doações por pessoa (US$10,00 na primeira), para que seja atingido o maior número de pessoas possível. Serão selecionados os primeiros 25 empreendedores que alcançarem o objetivo. Para apoiar o projeto da Auire, basta acessar a nossa página de finalistas no site do instituto e fazer sua doação.
Sobre a competição:
O Unreasonable Institute é uma ONG internacional que incuba negócios sociais de alto impacto. A edição inaugural do programa de incubação reuniu 284 competidores, de 6 continentes e de 45 países. Na última etapa 42 finalistas concorrem a 25 vagas através do processo de “crowd-sourcing”.
Sobre os fundadores:
Fernando de Oliveira Gil é Engenheiro de Computação formado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, atualmente cursa mestrado em Engenharia Elétrica – Sistemas Digitais na mesma instituição. É pesquisador do Grupo de Análise de Segurança (GAS-USP) e membro da Comissão do Programa Poli Cidadã. Atua nas áreas de segurança de sistemas tráfego aéreo e desenvolvimento de tecnologias sociais. Já realizou projetos em comunidades carentes nos estados de São Paulo, Tocantins e Mato Grosso do Sul em parceria com estudantes do Massachusetts Institute of Technology (MIT), EUA. Foi campeão do Prêmio Ser Empreendedor 2007.
Nathalia Sautchuk Patrício é Engenheira de Computação formada na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, atualmente cursa mestrado em Engenharia Elétrica – Sistemas Digitais na mesma instituição. É pesquisadora do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI-USP), atuando nas áreas de desenvolvimento ágil de software e tecnologias socias. Foi desenvolvedora do projeto One Laptop Per Child (OLPC), o laptop de 100 dólares. Já realizou projetos em comunidades carentes no estado de São Paulo em parceria com estudantes do Massachusetts Institute of Technology (MIT), EUA.
Contato Institucional: i...@auire.com.br
Site Oficial: www.identificadordecores.com.br
Post Original em: http://nathaliapatricio.blogspot.com/
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Eu já ajudei o projeto, entre no site e faça sua doação, qualquer valor já é uma grande ajuda!
"Criança, a Alma do Negócio"
Como se os “jovens” e “adultos” não fossem também. Como se as milhares propagandas que nos bombardeiam minuto a minuto não nos influenciassem. Ou será que nós compramos uma Coca-Cola porque ela realmente tem “bolhinhas refrescantes que matam a sede instantâneamente”? Como diria meu professor, João Furtado, se algum dia alguém descobrir uma Coca-Cola que tem aquelas bolhas ultra-refrescantes do lado de fora, por favor, me avise que eu vou comprar na hora!
Aliás, as crianças realmente são muito mais expostas às propagandas do que os adultos, mas os adultos são MUITO influenciados pelos comerciais… isso quer dizer que os adultos são mais “fracos” (ou tão quanto) as crianças?? Principalmente se pensarmos que uma boa parte das propagandas reforça que os pais devem satisfazer as vontades das crianças, devem fazê-las felizes comprando o que elas pedem. E ai os pais acabam reforçando a lógica sobre as crianças… ou estou errado??
“O desejo de comprar passa a ser a coisa em si”.
Será que é só com as crianças que existe essa inversão entre “fins” e “meios”? Ou será que a maioria das pessoas trabalha para ganhar dinheiro?
Será que as pessoas vão à livraria pois querem ler um livro ou pois querem comprar um livro?
Qual é o fim para os adultos? O objeto comprado ou o ato de comprar?
Será que existe alguma semelhança entre a criança que pede um brinquedo e brinca apenas uma vez com ele, e a mãe ou o pai que compra um vestido (ou outra roupa) mas só o utiliza uma vez?
Aliás, só relatando, tenho uma tia que fez luzes no cabelos dos filhos com menos de 3 anos… um deles ainda era de colo…..
Complicado ver uma mãe falando que as propagandas não condizem com o que deveria ser relativo ao mundo de crianças, mas mesmo assim elas dão às crianças os produtos dessas propagandas. Mas ela não conseguem ver a relação entre essas coisas. Muitas vezes os pais não conseguem ver que as meninas não usariam roupas “que realçam suas características” se os pais não comprassem.
Aliás, a maioria dos exemplos “clássicos”[esteriotipados] são relacionados às crianças do sexo feminino…
Bem, estão ai algumas reflexões que me ocorreram durante o documentário.
Acho que vale à pena todo mundo assistir e refletir!
Temos que pensar por todos os lados.
Enquanto alvo diretos das propagandas, enquanto pais, ao dar algo a nossos filhos, enquanto profissionais, ao trabalharmos na criação de um propaganda ou na venda/produção de um produto. Acho que falta reflexão vinda de todos os lados. E do lado dos profissionais eu ainda apelo à Ética!
Bem… fica a sugestão de leitura!
Abs,
Diego
Dia Internacional da Mulher
Até ano passado (eu acho), não concordava muito com a idéia de um “Dia Internacional da Mulher”. Achava, de alguma maneira, uma certa discriminação para com as Mulheres.
Mas a vivência, o convívio, o debate, o erros e a reflexão nos mudam muito, e felizmente eu tenho alguém do meu lado há quase 1 ano e meio que me faz passar por todas essas experiências e olhar pra elas de forma consciente.
Percebi neste último ano de reflexão que tenho muito a aprender sobre a sociedade e, principalmente, sobre eu mesmo.
Percebi que o Dia Internacional da Mulher não é um dia de homenagem, um dia de festa. Mas sim um dia de reflexão: para pararmos e refletirmos sobre como estamos nos relacionando com o outro gênero; um dia de luta: para tentar deixar de lado vícios sociais que estão em nós introjetados; um dia de repensar os valores e buscar um pouco mais o caminho da igualdade, do respeito e da ética.
Quero aqui deixar as minhas mais sinceras desculpas a todas as mulheres que tratei de forma injusta, que subjulguei em algum momento, que não respeitei como merecia ser respeitada, que não olhei como mereceia ser olhada.
Peço aqui a todas vocês que, sempre que se sentirem pressionadas, por uma questão de gênero, que se manifestem! Que se indignem, e que esta indignação se transforme numa ação transformadora. Não sejam pacíficas. Utilizem o poder da palavra para combater a injustiça que existe no mundo.
Quero deixar aqui expresso o meu mais profundo agradecimento a você , Haydée, que tanto tem mudado a minha vida, com muito Amor, apoio, críticas, carinho, compreensão. Que tem feito cada dia da minha vida um dia único e especial, sempre cheio de novidades, cada dia mais maravilhoso que o dia anterior. Que está sempre ao meu lado, me ajudando a conquistar meus sonhos e me incentivando a ter novos sonhos.
Expresso também meu sentimento de admiração por todas mulheres que lutam para mudar essa realidade nefasta em que vivemos, por todas vocês que tomam decisões, mesmo que contrariando parentes, líderes religiosos, amigos, etc. Que vocês continuem sendo um exemplo, não só para as mulheres, mas também para todas as cidadãs e cidadãos, para que todos parem e reflitam sobre o Agir para mudar o que entendemos estar errado.
Que todos lutemos por um mundo mais digno, no qual uma pessoa não é considerada melhor pela cor de sua pele, de seu cabelo, pelo carro em que anda, pela casa em que mora, pelo gênero, ou pelo diploma que possui. Somos todos seres humanos, todos com defeitos e virtudes. Todos têm seu direito de ter opinião, e de serem respeitados igualmente, independente do que pensam.
Que este seja só mais um dia de uma dura luta em busca de um mundo mais justo.
Não parem de lutar para transformar!
Dée, Te Amo! Muito! Minha amada guerreira, justa e bondosa.
A prática dos novos valores
Mais um texto recebido por email, esse vale à pena ler! Fala muito sobre o que é militância de verdade (dito por uma pessoa que tem muita experiência pra falar!). Texto referência de vida!
A prática dos novos valores
Frei BettoComecei na militância aos 13 anos, em 1957. Isso significa que tenho algumas décadas de militância. Iniciei num movimento chamado JEC – Juventude Estudantil Católica -, que me ensinou a unir fé cristã e luta política. O Evangelho, para mim, sempre foi uma fonte de inspiração para a militância. Uma das grandes descobertas da minha vida foi tomar consciência que todos nós, cristãos, somos discípulo de um prisioneiro político.
Há quem diga que a fé não tem nada a ver com política. Ora, Jesus não morreu na cama, nem de desastre de camelo numa rua de Jerusalém. Morreu sob dois processos políticos, condenado à pena de morte na cruz. Sofreu um processo político movido pelas autoridades judaicas da época e, outro, movido pelas autoridades romanas.
Ser cristão é querer transformar o mundo, de modo a resgatar o projeto original de Deus, aquilo que ele queria para nós e consta da primeira página da Bíblia: um paraíso na Terra. Se o paraíso não existe hoje, a culpa é da nossa ambição, do nosso egoísmo, da nossa opressão, da nossa desigualdade.
Portanto, descobri aos 13 anos que, ser cristão, é lutar pela transformação das pessoas e do mundo. E não adianta perguntar o que vem primeiro: o ovo ou a galinha. É mudando as pessoas que mudamos o mundo; é se mudando que a mudamos o mundo; e é mudando o mundo que nos mudamos e mudamos os outros. Está tudo interligado.
Em 1961, aos 17 anos, fui eleito dirigente da União Municipal de Estudantes de Belo Horizonte. Naquela época, nós, cristãos, fazíamos aliança, na política estudantil, com militantes comunistas – contra os militantes da direita. Aprendi, então, que a diferença entre um cristão e um comunista pode até existir se um crê e o outro não, mas os dois se aproximam se vivem na mesma bem-aventuranç a da fome e da sede de justiça.
Quando eu estava preso, entre meus companheiros de cadeia, a maioria era comunista ateu. Às vezes, alguns debatiam comigo a existência de Deus. Eu dizia: “Cara, não creio em Deus, porque tenho certeza da existência dele, sinto que ele é uma experiência muito forte na minha vida. Agora, não vamos discutir isso não, pois quando a gente chegar no céu vamos ter muito tempo para discutir essas coisas. Agora, temos que tratar de como mudar essa realidade aqui, porque é isso o que Deus quer, para que a gente possa fazer dessa terra de injustiça uma terra de justiça ou, como diz a Bíblia, uma terra onde corra o leite e o mel”.
No dia 25 de agosto de 1961, o presidente Jânio Quadros renunciou à presidência da República. Nós, que apoiávamos o Jânio, temíamos que o Brasil caísse nas mãos de uma ditadura militar, o que veio a acontecer três anos depois. Fomos para as ruas lutar pela volta do Jânio à presidência da República. Foi a primeira vez na minha vida que enfrentei polícia e bomba de gás lacrimogêneo, nas ruas de Belo Horizonte.
Naquele dia, descobri duas coisas importantes para nossa militância. Primeiro, quem entra na militância, tem que entrar com o coração; não basta entrar com a cabeça. Quem entra com a cabeça tem medo. Quem entra com o coração, ama tanto a causa que defende, que enfrenta situações de risco sem medo. E a segunda coisa: o contrário do medo não é a coragem, é a fé. Quanto mais fé temos, mais confiamos no caminho que assumimos, certos de que esse é o desígnio de Deus para nós; quanto mais nos sentimos irmãos do companheiro Jesus, que deu a vida por essa causa de esperança e libertação, menos medo sentimos.
Medo nós sentimos quando pensamos primeiro em nós. Quando pensamos na causa, no movimento, no Brasil sem miséria, sem mortalidade infantil, vale a pena correr riscos.
Sob a ditadura militar
Em 1962, fui para o Rio de Janeiro, para ser um dos dirigentes nacionais da Juventude Estudantil Católica. Dos 17 aos 20 anos, andei esse Brasil todo duas vezes, de ponta a ponta, organizando grupos de estudantes, despertando a esperança, abrindo a visão dos jovens, dando força para que se organizassem e entrassem na luta.
Naquela época, acreditávamos que o Brasil ia mudar logo, até porque o governo foi assumido por partidos progressistas. O presidente era o João Goulart. Achávamos que as tais reformas de estruturas iriam acontecer logo. Mas, ficou claro uma coisa: o Brasil, desde que foi invadido pelos portugueses, sempre foi governado por uma elite sem nenhuma sensibilidade para o social.
Em 2000, comemoramos 500 anos de invasão do Brasil. Comemoramos uma história de dor e de sofrimento. Havia cinco milhões de índios quando os portugueses chegaram aqui; hoje, estão reduzidos a menos de 1 milhão. Os índios brasileiros, ao contrário dos índios de outros países da América Latina, tiveram o mérito de jamais se deixar escravizar pelos colonizadores. Devemos ter isso muito presente. Somos filhos de nações indígenas que jamais o colonizador português conseguiu escravizar. Dizimou, matou, afogou, queimou, mas não conseguiu escravizar o índio. Tanto não conseguiu que os portugueses tiveram que trazer da África homens e mulheres livres, como escravos, para trabalhar na lavoura e nas minas do Brasil. O Brasil foi o país das Américas com o mais longo período de escravidão – 320 anos. Vieram para cá, calcula-se, cerca de 10 milhões de africanos, dos quais 5 milhões morreram na travessia do oceano e têm o Atlântico como túmulo.
O Brasil passou de Monarquia para a República, mas a elite, infelizmente, ainda não mudou. Ora, em 1964, em nome dessa elite, os militares brasileiros rasgaram a Constituição. Deram um golpe de estado e implantaram uma ditadura, que durou 21 anos, de 1964 a 1985.
Em 1964, eu morava numa república de estudantes, no Rio, muito freqüentada por dirigentes estudantis. Muitas vezes dormia lá o Betinho, que todos conheceram da campanha da fome. Nossa república foi invadida pelo serviço secreto da Marinha, a 6 de junho. Acordei com uma arma na cabeça Eram quatro horas da manhã. Achei que era um pesadelo. Virei-me de lado. Um sujeito cutucou as minhas costas com a metralhadora. Então me dei conta de que era realidade, e não pesadelo. Fomos todos presos, levados para o quartel dos Fuzileiros Navais, na Ilha das Cobras. Ao chegar lá, vi uma montanha de livros numa sala. Livros que eles tinham apreendido, naquela noite, na casa de vários militantes que foram presos.
Foi a primeira vez que senti na pele o que é uma ditadura militar. Ficamos detidos só 15 dias, a maior parte do tempo em prisão domiciliar. Depois, descobrimos que a luta contra a ditadura não podia se restringir às manifestações estudantis. Tinha que ser uma luta mais profunda, o que nos fez desencadear, inclusive, a luta armada.
Ainda hoje, lutamos por direitos fundamentais. A nossa luta ainda não é por direitos humanos. Explico. Às vezes, quando viajo para fora do Brasil, me perguntam: “Como é a luta de vocês, no Brasil, por direitos humanos?” Eu respondo: “Falar em direitos humanos no Brasil é luxo. Infelizmente, ainda lutamos por direitos animais, porque isso de comer, defender-se do frio, educar a cria, é coisa de bicho, que a maioria da população do meu país ainda não tem assegurada pelas estruturas políticas.”
Precisamos mudar esse país. Mas tendo claro quais os nossos métodos adequados de luta. Isso é curioso: quem decide os nossos métodos não somos nós. É a elite que governa o Brasil. Podemos e devemos lutar na legalidade e na legitimidade. Devemos esgotar todas as formas de lutas e todas as formas legítimas e legais pos
síveis. Mas, quem diz, a um certo momento, que determinadas formas de luta já não são mais possíveis? O governo e a elite que controlam o país.Durante muito tempo, sob a ditadura, a nossa luta no movimento estudantil expressava-se em grandes manifestações, passeatas, protestos. Até que a ditadura proibiu todas as formas democráticas e legais de luta. Diante de uma ditadura que nos reprimia com armas, tanques, metralhadoras, fuzis, prisão, tortura, morte e desaparecimento de companheiros, não nos restou outra alternativa senão a resistência armada.
O meu “crime” foi fazer contrabando de genteŠ Por isso fui preso em 1969. Estive um mês detido no Rio Grande do Sul; depois, fui levado para São Paulo. Ali fiquei dois anos preso, sem julgamento. Não tinha idéia se ia sair vivo da prisão, nem se ia ficar dois, três, dez ou quinze anos. Dois anos depois, fui condenado a quatro anos de prisão. Meu advogado fez o recurso, pedindo a redução da pena. Ela foi reduzida, de quatro para dois anos, faltando um mês para eu completar os quatro anos de cadeia. De modo que tenho dois anos de crédito com a liberdadeŠ
As lições da prisão
A prisão foi uma grande escola para todos nós que sobrevivemos a ela. Infelizmente muitos companheiros morreram na prisão, como frei Tito de Alencar Lima que, aos 24 anos, foi torturado até à loucura. A prisão é um sofrimento, mas tem duas grandes vantagens. Primeiro, ali pode-se falar de tudo, porque não há o perigo de ser preso. Segundo, aprende-se a deixar de ser egoísta.
Nosso grande inimigo não é a elite, o capitalista ou o opressor. O grande inimigo está dentro de nós. É o homem velho ou a mulher velha que carregamos no coração. Esse é o grande inimigo, e que, muitas vezes, se disfarça de combatente, de militante, de revolucionário. Enche a boca de palavras novas mas, no fundo, é movido pela vaidade, pela pretensão, pela vontade de estar por cima do outro, pela ambição.
Isso é uma das coisas que me doem quando olho para trás: vejo companheiros que foram para a prisão comigo, assumiram riscos de vida na luta aqui fora, provocava inveja a firmeza que demonstravam; diante deles eu me perguntava: “Saindo da cadeia, serei ao menos 10% militante como eles?” Mas esses companheiros, ao sairem, foram cooptados, engolidos pelo sistema, não souberam cultivar neles os valor do homem novo e da mulher nova. Deixaram-se levar pela ambição, pela maracutaia da política, pelo uso da mentira para conquistar posição, por um poderzinho de sindicato, de movimento popular, pela convicção de ser melhor do que o coletivo ou, também, pelo excesso de militância.
Quem se gaba: “Sou um super militante, participo do MST, da CUT, dos movimentos populares, da pastoral, estou em todas”. Eu respondo: “Não, você não é militante, você é um militonto”. Militante que não ri, não faz festa, não tira férias, não namora, não se diverteŠ comece a desconfiar dele, porque vai dar zebra. Como dizia o companheiro Che, não se pode ser apenas duro, perdendo a ternura. Por quê? Porque como temos que parar para dormir, descansar a cabeça, temos também que parar para nos divertir, celebrar, resgatar as energias. Caso contrário, nossa saúde psíquica vai para o brejo. Começamos a ficar duro com os companheiros, agindo como militante fariseu, e não como militante sadio. O militante fariseu é aquele que é duro com os outros, mas não consigo mesmo; o sadio é tolerante com os outros e exigente consigo. Mas, essa exigência tem que apoiar-se na festa e na fé. Isso é fundamental.
A repressão da ditadura conseguiu acabar com todos os movimentos armados. Por que nos derrotou? Onde falhamos? Tínhamos quase tudo: coragem – vários companheiros deram a vida na luta -, teorias, armas, dinheiro das expropriações bancárias etc. Faltou um detalhe: apoio popular. Não tínhamos o principal e, por isso, a ditadura conseguiu criar um fosso entre nós e o povo.
Quando começamos a achar que somos a vanguarda, que o povo não sabe, é ignorante, atrasadoŠ sem querer começamos a fazer o jogo da direita, porque tudo o que ela quer é que a vanguarda fique separada da massa. A minha geração sentiu isso na resistência armada. Ora, um revolucionário assume todas as dimensões importantes para o povo, e uma dessas dimensões é a religiosidade. Fico muito desconfiado de companheiros que fazem um cursinho por aí, aprendem meia dúzia de teorias revolucionárias e já saem torcendo o nariz para a fé do povo. Isso é um perigo. Lênin, que não era médico, mas entendia de revolucionário, já tinha diagnosticado isso. Chamou de esquerdismo, “a doença infantil do comunismo”. Há que estar atento a esse sintoma.
Temos que dar passos no ritmo do povo, para ajudá-lo a caminhar no ritmo das mudanças sociais. Se a minha avó e a minha mãe são agricultoras semi-analfabetas, e não estão entendendo a conjuntura, o problema não é delas, o problema é meu. Como militante tenho que encontrar uma pedagogia, de modo que elas venham a entender a nossa língua. Que o povo não entenda certas coisas, isso não é problema, é resultado do sistema de dominação em que vivemos.
O trabalho com o povo
Saí da prisão em 1973 e fui viver em uma favela, em Vitória, no Espírito Santo. Vivi ali cinco anos. Ao chegar lá torci o nariz, porque domingo, dia em que eu podia encontrar os vizinhos, ficava todo mundo trancando dentro de casa, vendo programas de auditório. E eu dizia: “Como esse povo é alienado, passa o domingo vendo bobagem na TV” Até descobrir que o alienado era eu, que não entendia por que que o povo ficado ligado na TV. Descobri que o povo vê programas de entretenimento porque é muito pobre e não tem dinheiro para passear no domingo, não tem espaço para ir no teatro. A única maneira de distrair a cabeça e não pensar no sufoco da vida é, no fim de semana, sentar diante da TV e ficar vendo as bobagens.
Como é importante conhecer a cabeça do povo e não achar que a nossa cabeça entende tudo, porque pensamos diferente. Se não tomamos cuidado, acabamos como aquele vigário que resolveu tirar as imagens da igreja e pôs a de São Sebastião na garagem da casa paroquial. No domingo, a igreja estava vazia. Todo mundo se reuniu na garagem da casa paroquial. Ou seja, ele nem perguntou para o povo se queria ou não que tirasse a imagem. Achou que sabia o que era bom para o povo e quebrou a cara, porque o povo tem uma relação com os santos que é diferente da relação do vigário.
Após anos na favela, fui para São Paulo, onde trabalhei mais de 20 anos, sobretudo no ABC. Participei de todas aquelas greves dos metalúrgicos. O que aprendi ao longo daqueles anos? Aprendi algumas coisas importantes. Só vamos construir a nova sociedade se começarmos agora, e começarmos por cada um de nós. Ninguém vai poder construir a sociedade nova deixando os nossos defeitos virarem tiririca na sociedade velha. Trabalhei muitos anos nos países socialistas. Estive na Rússia, na China, em Cuba inúmeras vezes, na Nicarágua, na Tchecoslováquia, na Polônia e na Alemanha Oriental, antes da queda do muro de Berlim. Se me perguntassem: “Por que o socialismo fracassou na Europa e caiu o muro de Berlim?” eu responderia: “Porque quiseram construir uma casa nova com material velho.” Não dá. Se queremos construir uma sociedade nova, temos que fazer esforço, desde agora, para sermos homens e mulheres novos. Em nome da casa nova não podemos agir de uma maneira velha. Podem ter certeza, não dá para construir casa nova com material velho. Bate um pé de vento da história e vem tudo abaixo, como o Muro de Berlim foi abaixo e nos desmoralizou, porque defendemos o socialismo como uma etapa superior de sociedade.
Outro fator que explica o fracasso do socialismo no Leste europeu: o ser humano tem duas grandes fomes – a de pão e a de beleza. Beleza, é tudo isso que
dá sentido à vida, tudo isso que não é material, mas é simbólico, essencial. Fome de beleza é a fome de amor, de festa, de alegria, de fé; é a fome de amizade e de companheirismo. A primeira fome o socialismo respondeu – a de pão, malgrado as dificuldades. Mas, infelizmente, não respondeu à segunda, a fome de beleza. Por quê? Porque era tudo de cima para baixo. O povo não tinha direito de sonhar como gostaria. Então, a cabeça do povo começou a sonhar com o sonho do capitalismo, como se fosse melhor, e o povo acabou indo para a rua, para derrubar o socialismo, para virar capitalismo. Hoje aquele povo sabe que vive numa situação pior do que no socialismo. Mas, agora é tarde.**Para não cometer os mesmos erros no futuro e atuar bem no presente, temos que conhecer a história do passado e ousar assumir aqueles valores que criam condições de construir o homem e a mulher novos. Hoje, a ética é um imperativo revolucionário.
* Frei Betto é escritor e autor, em parceria com Domenico de Masi e José Ernesto Bologna, de “Diálogos Criativos” (DeLeitura), entre outros livros.
**http://diraol.blogspot.com/2008/12/92-dos-alemes-orientais-preferem-o.html
92% dos alemães orientais preferem o comunismo no país
Recebi essa reportagem por e-mail há algum tempo……
92% dos alemães orientais preferem o comunismo no país
Para marcar a data da queda do Muro de Berlim, o Der Spiegel fez uma pesquisa, divulgada neste sábado (10), com mil alemães que cresceram nos dois lados do país dividido até 9 de novembro de 1989. A conclusão, para desespero do semanário alemão, é que, mesmo depois de 18 anos da queda do muro, 92% dos germânicos orientais, de 35 a 50 anos, ainda preferem o regime comunista ao capitalista. Já 60% dos jovens, de 14 a 24 anos que moram no Leste, lamentam que nada tenha restado do comunismo na sua pátria.
Por Carla SantosJunto com a TNS Forschung, o Spiegel fez a pesquisa com duas gerações distintas de alemães orientais e ocidentais com o objetivo de obter um retrato dos resultados da unificação na psique nacional. A conclusão é que o muro ideológico ainda permanece nas mentes alemãs, quase duas décadas após a reunificação.Foram entrevistadas 500 jovens na faixa etária de 14 a 24 anos e seus 500 pais na faixa de 35 a 50 anos. A primeira, tinha no máximo seis anos quando o muro caiu e, evidentemente, possui uma experiência temporal menor do período em que o país estava dividido pela Guerra Fria.
Já a segunda geração tinha pelo menos 17 anos, e no máximo 32, quando ocorreu a debacle do muro. O método da pesquisa constatou que praticamente não há diferenças entre as gerações mais jovens e mais velhas na sua forma de pensar a reunificação.
Socialismo, uma boa idéia
As maiores diferenças na pesquisa aparecem quando os entrevistados orientais e ocidentais compartilham suas opiniões sobre a vida na antiga Alemanha Oriental. O Estado comunista recebe notas muito mais altas dos que moram no Leste com relação aos que moram no Oeste.
Dos alemães orientais de 35 a 50 anos, 92% acreditam que um dos maiores atributos da antiga Alemanha Oriental foi sua rede de segurança social; 47% dos jovens no Leste também pensam assim. No item ”padrão de vida”, os jovens do Leste avaliam a Alemanha comunista de maneira ainda mais positiva que seus país.
Por outro lado, apenas 26% dos jovens ocidentais e 48% dos seus pais expressaram a opinião que a Alemanha Oriental tinha um sistema mais forte de bem estar social comparado com o de hoje.
Os alemães orientais também estão menos satisfeitos e menos otimistas com sua situação do que os que vivem nos Estados que compunham a antiga Alemanha Ocidental. Eles estão muito menos convencidos das virtudes do capitalismo do que seus colegas ocidentais. Muitos acreditam que o socialismo é uma boa idéia que simplesmente não foi bem implementada no passado.
Contudo, apesar da nostalgia pela Alemanha Oriental, a maior parte dos alemães orientais diz que preferiria morar no Oeste, caso um novo Muro de Berlim fosse construído hoje. O que não é de todo contraditório, já que durante a Guerra Fria, com o apoio de todo tipo dos EUA ao Oeste, e também todo tipo de boicote ao Leste, a Alemanha Ocidental oferecia muito mais riqueza, ainda que com alguma desigualdade, do que a Oriental.
Identidades diferentes
Os dados da pesquisa revelam que as diferenças ideológicas se refletem na identidade de cada grupo, já que 67% dos jovens alemães, e 82% de seus pais, orientais e ocidentais não sentem que possuem as mesmas identidades.
Quanto tempo, entretanto, levará para a Alemanha se unificar ideologicamente? Para 25% dos jovens alemães ocidentais, e só 5% dos orientais, ”não levará mais do que cinco outros anos”. Apenas 12% e 4%, respectivamente, de pais concordaram com os filhos.
Muitos jovens alemães orientais vêem a Alemanha de hoje como um lugar onde seus pais têm dificuldades para encontrar um caminho. Apesar da geração mais nova praticamente não ter vivenciado a vida sob o socialismo, o compartilhar das lembranças, opiniões e histórias de seus pais naturalmente os influênciam.
Jovens pensam como seus pais
Esta talvez seja a explicação – que os comentários do Spieguel tentam manipular a favor do Oeste – para que os jovens alemães do Leste vejam a antiga Alemanha Oriental sob uma luz mais otimista do que seus compatriotas no Oeste, e vice-versa.
”É uma opinião [as dos jovens da Alemanha Oriental] de lentes cor-de-rosa, que vê uma Alemanha Oriental com emprego para todos, creches para todas as crianças e um sistema de bem estar social que acompanhava o cidadão do berço ao túmulo. É claro, essa geração não foi exposta aos aspectos negativos da vida sob o domínio comunista – como filas de comida e repressão da polícia”, argumenta o Spiguel.
Porém, a pesquisa indica que o mesmo argumento de ”lentes cor-de-rosa’ ‘ para desqualificar a opinião dos jovens do Leste, sobre a Alemanha Oriental, também serve aos jovens do Oeste, com relação a Alemanha Ocidental, com pelo menos um ponto de vantagem para os primeiros. Quem viveu a Alemanha comunista agora está vivendo a capitalista, enquanto que o inverso não foi possível.
Tiro no pé
Como toda manipulação não se sustenta por muito tempo, o próprio Spiguel é obrigado a admitir a realidade, um verdadeiro tiro no pé, no último parágrafo da matéria que noticiou a pesquisa neste sábado.
”Ainda assim, os sentimentos positivos para certos aspectos da antiga Alemanha Oriental continuam altos. Dos jovens alemães orientais entrevistados, 60% disseram que achavam ruim que nada tivesse restado das coisas que se podiam orgulhar da Alemanha Oriental”.
Os resultados da pesquisa fazem lembrar o seriado alemão que – devido ao imenso sucesso no país – virou filme lançado em 2003, chamado Adeus, Lênin!, do diretor alemão Wolfgang Becker.
”Adeus, Lênin!”
No longa, Christiane Becker (Kathrin Sa), que mora na então Alemanha comunista, é abandonada pelo marido, tendo que criar seus dois filhos, Alexander (Daniel Brühl) e Ariane (Maria Simon), sozinha.
Uma vez recuperada do trauma da separação, Christiane torna-se uma cidadã ativa e exemplar, transformando o país em um substituto de seu marido, abraçando assim, o ideal comunista.
Mas ao ver Alexander participando de uma revolta anti-socialista, ela fica gravemente doente e acaba entrando num longo coma que a faz dormir durante a queda do Muro de Berlim e a adaptação ao capitalismo de sua Alemanha Oriental.
Ela acorda do coma, mas frágil demais para se deparar com o choque das mudanças do mundo ao seu redor. Comovido, Alexander precisa forjar a vitória da ideologia do comunismo e sapatear para criar a ilusão na mãe de que nada mudou.
Socialismo vivo
Quatro anos após o lançamento do filme, que teve como pano de fundo o dilema da reunificação sob a égide capitalita com o fim da Guerra Fria, a pesquisa reafirma que o ideal comunista não morrerá tão cedo nos corações dos alemães que viveram as primeiras experiências mais duradouras do regime no mundo.
A manifestação com 50 mil pessoas pessoas em Moscou (Rússia), no último dia 7 de novembro, por ocasião das comemorações dos 90 anos da Revolução Russa, é apenas mais uma fotagrafia do quanto por lá esse sentimento continua extremamente vivo.


