Leituras Obrigatórias

Vou tentar agregar aqui textos e links que todo mundo deveria ler e refletir sobre. As temáticas serão diversas.


PIB, conceito ultrapssado
Indicador alternativo desafia ideia essencial ao capitalismo, ao sugerir que riqueza monetária não equivale a bem-estar. Novos critérios surpreendem

PIB, conceito ultrapassado – por Ladislau Dowbor

Texto sobre um novo indicador de progresso social – http://www.socialprogressimperative.org

Relatório Metodológico do Índice de Progresso Social

Democracia Participativa – por Luiz Carlos Bresser-Pereira, sobre o PNPS

 

Dia das mulheres, para mulheres, sobre mulheres por mulheres

National Womens Day
National Womens Day

Não é de hoje que eu estou envolvido em debates, reflexões e ações acerca da temática da mulher em nossa sociedade. Seus desafios, os preconceitos, o tratamento desigual, a violência – seja ela física ou psicológica.

Mas acho que eu nunca havia vivido um dia tão intenso quanto foi este 8 de março de 2014.

A começar que sempre fico confuso se considero 8 de março um dia de homenagem (seja lá a quem for), um dia de reflexão, um dia de lutas, enfim, não sei bem como definir este dia. E por isso mesmo sempre fico me perguntando: “Dou parabéns às mulheres hoje?”. Como é meu costume, não sou uma pessoa de sair dando parabéns, em geral prefiro dedicar minha presença e atenção a um “simples parabéns”, e ontem acabei trazendo essa característica à tona. Não dei um “feliz dia da mulher”, mas dediquei meu dia todo “a elas” (ou vocês).

Eu e a Haydée decidimos por participar das atividades da Casa de Lua (para saber mais visite o site – e eu recomendo a visita ao site e à casa!).

Lugar de mulher é na Política
Lugar de mulher é na Política

As atividades começaram com um debate sobre Mulheres e Política, com apresentações da Juliana Cardoso (vereadora em SP pelo PT) e sua mãe, a batalhadora Ana Maria Cardoso, da Haydée Svab (PoliGen/Casa de lua) e da Georgia Nicolau (Diretora da Secretaria de Economia Criativa do Ministério da Cultura). O debate foi muito inspirador, cada uma à sua maneira construindo a Política e o País, sempre muito apegadas à construção coletiva, ao respeito ao próximo e sempre levando a temática da mulher – seja em projetos ou simplesmente na forma de ser, agir e construir. Foi muito enriquecedor, e tenho certeza que se houvesse tempo passaríamos ainda muitas e muitas horas naquela conversa. Eu e certamente muitas outras pessoas presentes ficaram com vontade de fazer várias perguntas e provocações.

Respeito ao parto é respeito à mulher
Respeito ao parto é respeito à mulher

Um pouco atrelado a este debate também acabamos agregando uma outra mesa que estava rolando em paralelo, que era sobre “Violência obstétrica e os direitos das mulheres no cenário do parto e do nascimento“, com a doula Marcelly Ribeiro e a advogada Ana Lucia Keunecke. Nunca havia participado de qualquer debate sobre esta temática, apesar de já ter ouvido falar, bem por cima, sobre parto humanizado. Fiquei chocado com muitas das coisas que ouvi, e acho que este é um tema que precisa ainda de muita exposição. O grau de intervencionismo da medicina atual e o desrespeito à individualidade, à pessoalidade e até à humanidade das mulheres chega a assustar. Isso sem falar no quanto a medicina ocidental atual trabalha para desacreditar na capacidade natural do corpo, sempre utilizando um discurso “do medo” para forçar a intervenção médica (seja com medicamentos, suplementos ou cirurgias). A influência do dinheiro da indústria farmacêutica e de alimentos também impressiona, o uso indiscriminado do “Leite NAN” (da Nestlè, uma das maiores patrocinadoras da área pediátrica) é completamente desmedido. Desta conversa fica a sugestão para o filme/documentário “O Renascimento do Parto”, que a Casa de Lua vai exibir em breve, e pretendemos exibir também no “Cineclube Hacker“, além da reflexão de que a humanidade chegou até aqui sem todo esse intervencionismo, minha avó paterna deu a luz a 10 crianças e minha avó materna a mais 6, tudo sem os “super recursos” como leite NAN, Cesariana, episiotomia e “ponto do marido” (fiquei muito chocado com isso!), e por ai vai.

Depois dessa conversa fiquei para o debate sobre “Trote machista e feminismo na Universidade“, com as meninas dos coletivos Frente Feminista Casperiana Lisandra, Coletivo Chute da ESPM, Coletivo 3 Rosas, da PUC, Frente Feminista da ECA-USP, Frente Perspectiva, do Mackenzie e eu, que participo do PoliGen. É quase difícil acreditar no grau de violência nas atividades das universidades (públicas e privadas) aqui na cidade de São Paulo, não só por estudantes (homens e mulheres), mas também por parte de alguns docentes – alguns ativamente discriminando e violentando as meninas, outros por omissão. Isso sem falar na omissão das instituições, que deveriam ter como seu principal objetivo educar e formar cidadãos e cidadãs, indo muito além de uma formação técnica conteudista.
Na Poli esse tipo de violência contra mulheres é absolutamente comum, dentro e fora de aula, advinda de estudantes e professores, com comentários jocosos, desmerecedores, piadas sexistas, além dos eventos super opressivos [1] e [2]. E sempre tivemos a impressão de que pelo fato de a maioria dos estudantes e docentes serem homens isso tudo era agravado. Ontem, ouvindo as meninas comentarem de seus cursos e faculdades nas quais as mulheres são maioria, pude perceber que o problema é muito maior, que existe de fato uma “cultura universitária” de opressão, calcada na imposta e desumanizante hierarquia “bixo – veterano”. Mas também pude perceber o quanto a maioria masculina de meu curso gera situações limítrofes de violência física (como a prova da metralhadora de elástico [2]).

Veterano não é dono de caloura
Veterano não é dono de caloura

E de comum em todos os cursos e universidades está o descaso das instituições para com a temática, só havendo uma mínima e performática movimentação institucional quando os acontecimentos chegam à imprensa e a instituições como o Ministério Público (que, diga-se de passagem, só atuou no caso da Cásper desse ano).
Não posso deixar de relatar ainda que fiquei quase deprimido ao ouvir que numa festa da Faculdade Getúlio Vargas uma aluna – alcoolizada – foi violentada (masturbada) publicamente em cima do palco do evento (que não lembro qual era).
Mas ao mesmo tempo fiquei muito feliz em ouvir que nas faculdades e universidades do Nordeste não existe essa cultura de trote e violência – não que não ocorram problemas, mas nada nos níveis que vemos por aqui, pelo que foi dito.
Dentro ainda deste debate acho que vale destacar que o Poligen é um dos grupos com mais tempo de existência. Não sei o quão isso é bom ou ruim, mas acho que é algo relevante de se refletir sobre.
Por fim, a Bianca Santana (professora da Cásper e moderadora da mesa pela Casa de Lua) fez algumas provocações muito relevantes: “O fato dos grupos causarem incômodo ‘geral’ é bom ou ruim?”; “Existe uma grande cisão entre quem participa dos coletivos e quem não participa, como fazer para criar pontes entre esses dois lados tão distantes?”. Teve uma outra mas não me recordo agora qual foi. E eu adicionei mais uma provocação. Devemos sempre tomar muito cuidado para não tratar a todas as pessoas como inimigas, nem tratar a todas as pessoas como “machistas convictas” – como alguns são de fato – nesse sentido, a quem deve ser direcionado o esforço e a atenção? Aos “extremistas” da cultura da opressão ou às pessoas que simplesmente estão tentando “fazer parte do grupo social”, mesmo que de forma inconsciente?

Depois tivemos uma conversa mais curta com a pesquisadora Maria Lucia da Silveira, que contou um pouco sobre a história do 8 de março, quebrou alguns mitos (como o das trabalhadoras queimadas numa fábrica em 1857) e falou um pouco sobre como o movimento feminista tiveram origem em diversos lugares, mas o mais forte deles foi na Rússia. Vale ler o artigo na Wikipédia.

Por fim rolou a conversa “Cuidados autonômos dos nossos corpos, poder médico e a indústria da doença“, com a Bianca Santana, a Bruna Silveira e a Joana Duah. E essa foi a atividade que mais me tocou e me fez refletir de todo o dia. Muito se falou sobre as violências médicas, principalmente contras as mulheres, a cultura do medo da medicina, a culpabilização da mãe, a medicina focada na doença ao invés de olhar para a saúde e para o paciente como um todo. Foi uma conversa muito intensa, e acho que duas coisas me tocaram muito forte. A primeira delas foi um link que fiz entre as diversas atividades, que é a questão da linguagem, me lembrando de uma frase do Nelson Mandela:

“If you talk to a man in a language he understands, that goes to his head.

If you talk to him in his own language, that goes to his heart.”

Em cima disso, fiquei pensando o quanto precisamos, por um lado, aprender e sempre tentar falar numa língua que as pessoas entendam, e isso não quer dizer idioma, mas de fato conversar com as pessoas levando em consideração a realidade delas. Por outro lado, trazendo da primeira conversa, precisamos também nos apropriar do discurso daqueles com quem temos que lidar, sejam eles burocratas, médicos, políticos, técnicos, etc. Dessa forma conseguimos sobrepujar o discurso de autoridade e debater o que de fato importa.

Autonomia
Autonomia

E a segunda coisa que mais me tocou nesta última conversa, foi o quanto as mulheres estão anos luz à frente dos homens quando o assunto é saúde, cuidado, se conhecer e se respeitar. Enquanto as mulheres estão debatendo sobre como se conhecer melhor para o autocuidado e para não precisar tanto da “medicina da doença” e se defender de abusos médicos, nós homens sequer falamos sobre nossa saúde e sobre cuidar e conhecer nossos corpos. Temos muito ainda o que caminhar, e acho que talvez essa seja uma grande lição deste dia 8. Se nós, homens, pararmos para observar mais as mulheres, talvez passemos a nos cuidar melhor e também a respeitá-las muito mais.

Mulheres da casa de lua e as que lá estiveram ontem, obrigado pelo dia maravilhoso de ontem, e por todos os outros dias. Mulheres da Casa de Lua, vocês são um grande exemplo e inspiração que vocês sempre são.

E deixo aqui também a minha lembrança às duas mulheres fundamentais em minha vida, minha mãe e minha companheira Haydée. Vocês são meu suporte e minha inspiração!

[1] Nota do Grupo de Estudo de Gênero do PoliGNU sobre a “Barraca do Tapa” da Festa Junina da Poli

[2] Um tapa na cara da igualdade

NetCombo, um Combo de dores de cabeça

Já há algum tempo era assinante da TVA (Tv por assinatura) e do Ajato (internet), e depois de algumas mudanças empresariais (a compra da TVA pela Vivo) o serviço de televisão começou a deixar a desejar.

No fim de Julho deste ano (2013), decidi que trocaria minha assinatura de “Vírtua banda larga popular” (512kbps) por um pacote de televisão de alta definição – e manteria meu Ajato como conexão à internet. Foi relatar abaixo o que me lembro, visto que já faz mais de um mês.

Liguei na Central de Atendimento da NET para fazer a “mudança” do meu “Virtua Popular” por um pacote de televisão (que já havia consultado pela internet mas que ainda queria conferir as promoções pela central). Fui super bem atendido pela atendente do setor “assinaturas”, ela me explicou quais eram as opções de pacotes, o que estava incluso em cada um deles, os preços e promoções. Foram cerca de 40 minutos no telefone, e no final terminei optando pelo pacote Net Mais HD, com um codificador HD. Se não estou enganado o valor era de cerca de R$60,00 (nas 3 primeiras faturas e 99,90 nas seguintes).

Após ter desligado o telefone, me lembrei que havia esquecido de negociar os pontos adicionais de televisão. Então liguei de volta à central para negociar os pontos extras. Fui informado pela atendente que cada ponto extra custaria R$30,00/mês (50% da assinatura). Achei o valor muito absurdo, e não estava nem um pouco disposto a pagá-lo. Sem os pontos extras eu decidi cancelar minha assinatura, então desliguei a ligação, voltei a ligar na central mas dessa vez na área de cancelamentos. Disse que pretendia cancelar a minha assinatura, a atendente do cancelamento ouviu minha história e fez uma contra-proposta. Ela me ofereceu um pacote Combo Net Mais HD e Net Virtua 10Mb. Pelo combo eu teria direito naturalmente a um ponto extra Digital sem acréscimo de custo. Além disso, eu teria também um desconto nas 3 primeiras faturas. Também fez parte do acordo de negociação mais um ponto-extra de TV Digital sem custo por um ano, uma “degustação” do pacote Telecine HD por um mês e a atendente me vendeu o Net Vírtua dizendo que o modem ofereceria suporte a WiFi.

Resumindo, o acordo envolvia:

  • Pacote de televisão Net Mais HD com:
    • 1 decodificador HD de alta definição
    • 2 decodificadores Digitais
    • 1 mês de “degustação” do pacote Telecine HD
  • Pacote Net Vírtua 10Mb com roteador Wifi.
  • Valor final do Pacote: R$128,90 nos três primeiros meses e R$160 nos demais.

Como eu receberia visitas em casa no fim de semana seguinte, tinha uma certa urgência na instalação. Marcamos para a quinta-feira.

Na quinta-feira, no fim do dia, apareceu um técnico em minha casa dizendo que a ordem de serviço que estava com ele só constava um ponto de televisão com decodificador HD e nada mais.

Imediatamente liguei na central de atendimento para reclamar. Recontei toda a história, esperei quase 10 minutos para o atendente verificar os registros “no sistema” e a ligação caiu. Liguei novamente, recontei toda a história novamente, e foram mais 15 minutos de espera para “averiguação”. Após essa espera a atendente disse que iria remarcar a instalação de mais um ponto digital e a internet. Avisei que estava faltando mais um ponto adicional digital, e fui informado que ela não tinha autorização para oferecê-lo sem custos. Então seria necessário abrir um novo chamado (interno) para averiguar a promoção que me havia sido oferecida pelo outro setor. Como eu não tinha escolha, “fiquei no aguardo”.

No dia seguinte o setor de relacionamento me ligou avisando que havia averiguado as ligações e conferido tudo. Remarcamos as instalações para o sábado durante a manhã.

No sábado, quando o técnico chegou, ele estava com uma ordem de serviço de instalação de dois pontos de tv digital, e só. Nada do modem para o Vírtua.

Liguei imediatamente na central, já sem nenhuma paciência, expliquei toda a história novamente, esperei mais muitos minutos de verificação, e a atendente me disse que para instalar o modem wifi eles iriam me cobrar mais R$60,00. Absolutamente inaceitável, ninguém havia me falado nada sobre “taxa de instalação” de um modem wifi (que eu poderia instalar por conta própria inclusive). Estava discutindo com a atendente quando ela simplesmente desligou o telefone. Tornei a ligar para a central, explicar toda a história de novo, esperei mais tempo e no fim das contas o que consegui foi só mais uma abertura de verificação que me levaria a esperar mais tempo. Quando o técnico foi embora de minha casa, estava com os três pontos de televisão funcionando, mas nada do virtual ou da “degustação” do Telecine HD.

Na semana seguinte recebi uma ligação da central de relacionamento informando que o modem seria instalado. Agendamos a instalação para a mesma semana e eu aproveitei para cobrar o Telecine.

Durante a semana o técnico veio instalar o Modem Wifi, mas o pacote Telecine nunca funcionou. Foram tantas ligações e tanto tempo no telefone que acabei por desistir do Telecine.

Achei que estava tudo resolvido e não teria mais dores de cabeça, mas sempre dá pra se superar né?

Essa semana recebi minha fatura da NET, primeiro mês de “fatura cheia” (no mês anterior foi parcial entre o pacote anterior e o atual). Quando abri a fatura tive a (péssima) surpresa que a fatura veio sem o desconto dos três primeiros meses.

Vou fazer uma reclamação na ouvidoria da NET, não vou mais ligar na central de relacionamento. O próximo passo é formalizar uma reclamação na ANATEL, pedir reembolso do que gastei e cancelar a assinatura.

Como há uma restrição de quantidade de caracteres no formulário, decidi escrever aqui no meu blog e referenciar o post no formulário.

Reflexões sobre a RodAda Hacker

Lá vamos nós para mais uma RodAda Hacker (RH)!

rodada

Aos que não conhecem, sugiro olhar no site (link acima) e conhecer melhor, mas, resumidamente, a RodAda Hacker, do meu ponto de vista, é um espaço para hackear nosso modelo de sociedade (e tudo que nele está incluso!) para construir uma sociedade mais igualitária e justa. E na rodAda fazemos isso por meio do aprendizado colaborativo e coletivo de ferramentas de programação, focando principalmente em meninas e mulheres, para dar-lhes autonomia e termos mais mulheres no mundo da tecnologia e transformação social.

A RH não é simplesmente uma “oficina de programação”, ou um “curso de programação”. Se isso fosse, não seria um espaço de transformação social, seria simplesmente mais um espaço de formação de mão de obra, que iria incluir no mercado de trabalho mais mulheres com “tech skills“, e estas possivelmente ganhando menos do que homens para realizar a mesma função, reforçando assim os preconceitos e determinismos existentes hoje. Por isso eu defendo a RH enquanto um espaço de transformação social, de mudança de paradigma, no qual a tecnologia é apenas uma ferramenta e um meio, nada mais do que isso. E, pensando assim, acho que tudo que envolve a RH deve ser pensado, refletido e articulado pública e coletivamente, porque pensar e refletir sozinho(a) não leva a reflexão a outras pessoas e outros patamares.

Eu fui à primeira RH, e foi algo simplesmente maravilhoso. Estou devendo um post sobre como foi, e o farei (enquanto isso leiam o post do Capi). Serei tutor novamente, e é da construção desta RH que quero falar, partindo dos conceitos que passei acima.

Construindo a segunda RodAda

Percebam que eu disse que quero falar da construção desta segunda RH de SP, e não da organização dela. A Daniela Silva, idealizadora da rodAda, decidiu expor a todas as pessoas envolvidas (tutoras, tutores e inscritas) uma questão que foi levantada por boa parte das interessadas que se inscreveram, que é a demanda das mulheres por cuidar de suas filhas e seus filhos, e tentar chegar a uma solução coletivamente, ouvindo todas as pessoas envolvidas.

Eu achei sensacional a atitude da Dani, porque é assim que o processo de transformação tem que ocorrer, de forma coletiva, com todas as pessoas pensando e refletindo sobre ele, sabendo das dificuldades, próprias e das outras pessoas, e ajudando a construir uma solução que contemple todas as necessidades na medida do possível, aprendendo a reconhecer as dificuldades e ceder um pouquinho para poder contemplar mais pessoas, cada uma com suas limitações e dificuldades, mudando nosso paradigma de “eu” para “nós“.

Algumas consequências surgiram desta iniciativa, eu pensei muitas coisas que vou compartilhar abaixo.

Algumas questões, tudo junto, misturado, mas separado.

Do Eu e do Nós, o coletivo e o diálogo

Infelizmente nós vivemos na sociedade do Eu, na qual as nossas necessidades individuais e de curto prazo estão sempre à frente, de forma exclusiva, às necessidades do Nós. As pessoas (aglomerado de Eus) tem muita dificuldade de entender que a força do coletivo (Nós) é sempre maior que a força do aglomerado. Um pouquinho disso pode ser visto e sentido recentemente nas passeatas e manifestações que ocorreram em São Paulo, e ainda ocorrem pelo país. Enquanto éramos milhares em nossos sofás reclamando, e reclamando aos vizinhos nos elevadores, nada mudava. Mas quando nos transformamos a indignação em algo coletivo e público, algumas coisas começaram a mudar. E digo começaram, porque ainda tem muito o que ser feito, e precisamos continuar como Nós para que mais mudanças ocorram, e mudanças de longo prazo. (Tenho milhares de críticas e discordâncias com muita coisa que aconteceu, mas não vem ao caso).

Nesse contexto, algumas das pessoas inscritas na rodAda, e interessadas em aprender a tecnologia (justíssimo!), se posicionaram de forma rígida e absoluta contra a presença de crianças no espaço, ou próximo a ele, pois estas iriam atrapalhar o “objetivo da atividade” – aprender a programar para usar isso profissionalmente.

É importante refletir que (quase) ninguém aprende um novo conhecimento, de uma área que não domina, em um dia e sai usando isso no mercado. Acho um pouco de ilusão pensar assim, e a RH não me parece caminhar nesse sentido. O objetivo deve ser dar os primeiros passos e, principalmente, aprender a ter autonomia. As comunidades hackers e de software livre são totalmente necessárias do senso de coletivo, porque é no coletivo que buscamos apoio, ajuda, respaldo, e é nele que se sustenta a força dessas comunidades. E pensar a RH é pensar na formação de um coletivo de mulheres (e homens também, porque não), que vão oferecer apoio e suporte, técnico e não técnico, para todos e todas. Se começamos já nos posicionando de forma individualista, sem diálogo, excluindo algumas pessoas com necessidades e demandas diferentes das nossas, essa formação de comunidade fica comprometida, e o grande benefício fica de lado. O aprendizado técnico de um dia pode não ser suficiente e se perder rapidamente (e tende a ser assim), mas uma comunidade não se perde dessa forma e contribui para a solução dos problemas técnicos.

Por isso acho absolutamente fundamental a busca coletiva por soluções que satisfaçam as necessidades de todas as pessoas envolvidas, o olhar para o próximo, o diálogo e a capacidade de entender que nem sempre todas as nossas condições podem ser satisfeitas.

Isso, claro, vale para os dois lados. As duas necessidades postas são importantes e justas, tanto a de aprender a técnica quanto a de ter uma criança que precisa de cuidados (desde bebês até crianças mais velhas) – e porque não, como bem foi pontuado, idosos e idosas que também podem ser dependentes de cuidados mais próximos!

Eu serei um tutor, e vou ajudar ao máximo todas as pessoas presentes, sem distinções, e gostaria muito que todo mundo que se interessou na RH participe e se abra para a construção coletiva. Mas se alguém tem uma necessidade muito urgente de aprendizado da técnica, talvez a RH não seja o melhor lugar e essa pessoa precise, também, de buscar uma escola de formação técnica.

Mães, filhos, pais, mulheres e homens

Uma outra questão que me chamou muito a atenção na discussão (e no meu email chegaram 35 de pelo menos 45 emails trocados), foi a questão de Gênero.

A começar que só mulheres respondera me trocaram emails, mesmo sabendo que muitos homens também acompanharam a troca de emails desde o começo. Quando eu olhei meu email e vi 35 mensagens, um debate caloroso, fervoroso e riquíssimo, e nenhuma mensagem de homem fiquei muito incomodado e decidi escrever – só que tinha tanta coisa para falar e refletir que preferi fazer esse post de blog, que compartilharei com todo mundo na thread.

O segundo ponto a destacar é a clara reflexão de que os homens não fazem parte efetivamente do cuidado e da criação dos filhos e filhas, e o quanto as mães não se sentem à vontade de forma natural para deixar as crianças com os pais e dedicarem um tempo para si próprias. Claro que existem casos e casos, mas ainda são exceções.

O terceiro ponto que notei, do ponto de vista de gênero, é que foi cogitado por muitas pessoas organizar um local aonde as mães poderiam deixar seus filhos, atrelado à contratação de alguém(ns) que pudesse(m) cuidar das crianças. E praticamente todos os comentários sobre contratação foram no sentido de contratar uma profissional, ou uma arte-educadora, ou a mãe de alguém, ou a amiga de alguém. Olha que loucura, mesmo num espaço de reflexão, no qual claramente há uma questão de gênero posta, e o ponto que destaquei no parágrafo anterior, o primeiro, e majoritário, pensamento é em convidar/contratar mulheres para cuidar das crianças, e não me lembro de ter visto questionamentos sobre isso (o fato de serem mulheres).

Claro que as mulheres possuem mais habilidades para cuidar de crianças, porque elas foram educadas socialmente para isso desde pequenas (#goBarbie!). Mas os homens também são capazes. Inclusive tenho certeza de que existem alguns que fazem isso profissionalmente, ou voluntariamente, e dariam conta do recado.

Para ser justo, acabei de lembrar que a Dani comentou que na primeira RH tínhamos uma mãe presente, a Bianca, com sua pequenita Cecília (ainda de colo), e que um dos tutores ajudou nos cuidados da mesma durante a atividade. Isso pode ter “atrapalhado” de algum forma o desempenho do ponto de vista do aprendizado técnico? Talvez sim, talvez não, mas certamente isso permitiu que a Bianca construísse algo concreto (), que talvez nunca tivesse sido pensado e saído do plano das ideias se a pequenita não pudesse participar de alguma forma. Aliás, recomendo fortemente a leitura do post da Bianca e a visita ao projeto que ela construiu. O post no blog deixa muito claro o quão importante é a Comunidade e o senso de Coletivo, e o quanto a técnica não é nada sem isso!

Mas voltando à questão, eu acho que seria extremamente transformador, por exemplo, construir um espaço nos quais homens ficassem responsáveis pelas crianças, sejam eles pais ou não das mesmas. Principalmente porque é importante entendermos que trazer as mulheres para o mundo da tecnologia e do mercado de trabalho é algo que tem que caminhar junto a trazer os homens para a responsabilidade conjunta da casa, e que “cuidar da família” não é colocar dinheiro em casa e decidir como ele será gasto. Assim como, por exemplo, é fundamental um debate sobre jornada de trabalho (eu quero 30 horas!) e outras afins. As coisas não são estanques, e precisam ser pensadas em conjunto. Quem sabe na próxima RH de SP (3a) não lançamos, em paralelo, uma Oficina Ser Pai (com P maiúsculo!)? #let’sHack.

Mas porque aqui e não lá, e o que eu tenho a ver com isso tudo?

Voltando à questão de porque eu não escrevi diretamente no emails e vim aqui para o blog, e fazendo uma autorreflexão e uma autocrítica.

Acho que foram três motivos que me levaram a escrever aqui e não nos emails.

O primeiro deles é que eu queria escrever bastante, mais do que eu acho que cabe num único email, e que isso poderia acabar matando a thread de alguma forma (emails muito grandes costumam matar threads).

O segundo deles é que eu acho importante documentar e compartilhar essas reflexões, por piores que elas sejam é melhor do que nenhuma reflexão né? E se ficasse só naqueles emails iria se perder no tempo e no espaço, dificilmente atingiria outras pessoas e poderia ser revisitado com o tempo (isso sem falar em indexação na web). Mesmo meu blog não sendo uma referência em número de visitas, muito pelo contrário rs.

E o terceiro ponto, e aqui vem a autocrítica, a autorreflexão e possivelmente o principal motivo, é que eu não me senti totalmente a vontade para escrever na thread.

Provavelmente, se eu tivesse visto a thread logo nos primeiros emails eu teria escrito e feito parte. Mas como só a vi com mais de 30 emails, um debate acalorado, e só mulheres participando, me senti de alguma forma intimidado. Acho que os papéis sociais postos, de homem e de mulher, poderiam fazer, de forma subconsciente, algumas das mulheres não se manifestarem após um homem opinar. Já vi isso ocorrer em outros espaços, presenciais e virtuais, sei o quanto, infelizmente, a presença de homens pode inibir. E não é algo racional e consciente, de nenhuma das partes.

Um outro pensamento que me passou pela cabeça sobre isso, e que eu acho que interferiu no meu julgamento, mas que eu refleti sobre e espero ter mudado um pouquinho para as próximas vezes, foi o “poxa, como que eu, um homem que não tem filhos, vai interferir nessa conversa?”. Racionalmente isso não faz o menor sentido, e depois de pensar um pouco sobre a minha “conclusão” é que eu tenho todo direito de opinar, mas sabendo que eu não vivo a realidade de Pai, de Mãe ou de Mulher, e que preciso olhar, entender e respeitar que essas são realidades diferentes das minhas.

Bem, por hora é isso que eu gostaria de compartilhar, sei que tem um monte de coisas que não lembrei, e muitas outras que podem ser abordadas, mas fica para um próximo post. 😉

Comentários e críticas são sempre bem vindos!

E bora hackear!

O meu amor…

No último domingo, 25 de março, presenciei mais um show de um dos grandes nomes da história da música brasileira.

Dessa vez foi o show do Chico Buarque, voltando à cena depois de alguns bons anos fora do palco.

Chico Buarque
Chico Buarque

Gostei bastante do show, é algo bem “um banquinho e um violão” – as mulheres que me desculpem, mas ele está longe de ser um Grande artista da palco. Achei bem legal que no disco atual ele ousou nas músicas e não ficou no “arroz com feijão” da MPB, brincando e dialogando com outros estilos musicais. Achei muito legal também a ‘contra-homenagem’ que ele fez ao Rapper Crioulo ao cantar o Crioulo Remixando a música Cálice (Chico Buarque, 1978) feito por este da música Cálice – Chico Buarque.

 

A participação de Wilsinho das Neves, parceiro de Chico Buarque (nas composições e no palco) foi fantástica, vê-lo no palco é algo que só pode ser explicado por um poeta como Vinícius de Moraes:

Chico Buarque e Wilson das Neves
Chico Buarque e Wilson das Neves

 

 

 

Porque o samba nasceu lá na Bahia

E se hoje ele é branco na poesia

Se hoje ele é branco na poesia

Ele é negro demais no coração

 

 

 

 

E de toda a sorte infinita de composições que o Chico poderia cantar, ele escolheu, no dia em que eu estive lá com meu Amor, cantar O Meu Amor, a nossa canção.

Chico
Chico

O meu amor

Tem um jeito manso que é só seu

E que me deixa louca

Quando me beija a boca

A minha pele toda fica arrepiada

E me beija com calma e fundo

Até minh’alma se sentir beijada, ai

O meu amor

Tem um jeito manso que é só seu

Que rouba os meus sentidos

Viola os meus ouvidos

Com tantos segredos lindos e indecentes

Depois brinca comigo

Ri do meu umbigo

E me crava os dentes, ai

Eu sou sua menina, viu?

E ele é o meu rapaz

Meu corpo é testemunha

Do bem que ele me faz

O meu amor

Tem um jeito manso que é só seu

De me deixar maluca

Quando me roça a nuca

E quase me machuca com a barba malfeita

E de pousar as coxas entre as minhas coxas

Quando ele se deita, ai

O meu amor

Tem um jeito manso que é só seu

De me fazer rodeios

De me beijar os seios

Me beijar o ventre

E me deixar em brasa

Desfruta do meu corpo

Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai

Eu sou sua menina, viu?

E ele é o meu rapaz

Meu corpo é testemunha

Do bem que ele me faz

Dée…. TE AMO! Obrigado por esses 4,5 anos juntos!

Eu Não Existo Sem Você

Show em 26/11/2011 - Por: Diego Rabatone Licença Creative Commons CC-BY-SA
Show em 26/11/2011 - Por: Diego Rabatone Licença Creative Commons CC-BY-SA

Oswaldo Montenegro

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você

Assim como o oceano só é belo com o luar
Assim como a canção só tem razão se cantar
Assim como uma nuvem só acontece se chover
Assim como o poeta só é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

httpv://www.youtube.com/watch?v=xh4dwd_cvzc