Fim do curso de Engenharia de Computação da Poli-USP

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Fim do curso de Engenharia de Computação?

Na primeira semana de julho fiquei sabendo que o “Departamento de Computação” (PCS) da Poli USP decidiu parar de oferecer o curso de Engenharia Elétrica com Ênfase em Computação (popularmente conhecido como Engenharia de Computação Semestral, ou, “Comp Semestral”). Essa decisão ainda precisa ser ratificada pela Congregação da Escola Politécnica da USP (agosto ou setembro) e também pelo Conselho de Graduação da USP (CoG). O Curso não mais será oferecido, e as 60 vagas do curso serão distribuídas entre os demais cursos de Engenharia Elétrica (Poli-USP).

No fim das contas a Poli ficará apenas com um curso de Computação, o cooperativo (ou quadrimestral). O motivo alegado para esta decisão é: a nova estrutura curricular da elétrica ficou inviável, excessivamente pesada para alunos e professores.

A computação, o PCS e a EC3

Fui representante discente na Congregação da Poli e também no próprio PCS. Dentre muitas atividades e projetos dos quais participei, contribui com a comissão que debateu, pensou e formulou a base da nova estrutura curricular da Poli, a EC3. Era uma proposta moderna, e alguns dos ideias que a moldaram eram: modernizar e sanar algumas deficiências/problemas dos cursos; e dar mais liberdade aos estudantes para que eles pudessem fazer mais atividades e ter uma formação mais abrangente. Por isso, um dos itens mais importantes da proposta era que, a partir do segundo semestre do curso, sempre houvesse espaço para uma disciplina optativa livre, que o estudante pudesse escolher qualquer disciplina em qualquer lugar da USP. Afinal de contas, vivemos num mundo em que é cada vez mais necessário ter conhecimentos e experiências diversas. Além disso, também havia a ideia de permitir que os estudantes tivesse mais tempo para atividade extracurriculares. Essa proposta saiu de um grupo que contou com discentes e docentes da Poli, depois de quase 2 anos de trabalho, nos quais foram estudados e avaliados modelos e regras de universidades do Brasil e do exterior.

Assim que a proposta base foi aprovada, cada departamento da Poli deveria organizar sua própria Estrutura Curricular (grade de disciplinas). Alguns departamentos iniciaram as discussões com seus estudantes, mas o PCS decidiu montar a estrutura curricular num “petit-comitê“, formado apenas por alguns poucos docentes e sem a participação de nenhum estudante – apesar de eu, Representante Discente do Departamento à época e membro da comissão que montou a proposta base, ter dito explicitamente várias vezes que desejava participar. A grade decidida pelo departamento praticamente acabava com a proposta de disciplinas optativas livres, e reforçou características que já eram muito criticadas pelos estudantes há tempos. Houve uma clara tendência a reforçar a presença de disciplinas ligadas aos grupos que estavam na comissão, enquanto disciplinas de outros grupos foram retiradas da grade (como Linguagens e Compiladores, por exemplo, que deixou de ser uma disciplina obrigatória). Ou seja, as diretrizes pensadas foram ignoradas no limite do possível, e hoje estão todos e todas, docentes e estudantes, sofrendo as consequências. E optamos pela mais traumática e radical das soluções, encerrar o curso.

Um pouco mais de histórico do PCS

Vale lembrar que o PCS experimentou o curso de Engenharia de Computação Cooperativo (Quadrimestral) em Cubatão no início dos anos 90, curso esse que foi encerrado antes do fim da primeira turma, que teve que se transferir para a Capital. Já mais recentemente o PCS iniciou mais um curso um tanto quanto “marqueteiro” de “Engenharia de Computação (com ênfase em Sistemas Corporativos)” na USP Leste, curso esse que também durou dois ou três anos, foi cancelado e fez com que os estudantes tivessem de se mudar para o Campus Butantã. Percebe-se ai uma certa tendência a tomar decisões não muito boas no curto prazo (pensando no tempo de um curso de graduação).

E o que eu acho disso tudo?

Eu, como egresso do curso, acho um grande erro encerra-lo. Acho que deveria se buscar sanar as deficiências, reduzir a grade, parar de tentar tutelar demais os estudantes – porque achar que os docentes é quem devem definir a grade completa e fazê-la a mais cheia possível é achar que os estudantes não sabem tomar decisões sobre seu futuro; e manter o curso.

Ficar apenas com o modelo Quadrimestral me parece um grande erro, primeiro porque vai afastar ainda mais o departamento do resto da Escola (com grades de periodicidade diferente os estudantes dos Quadrimestrais interagem muito pouco com os demais). Em segundo lugar porque este é um curso muito engessado em termos de disciplinas diversas e formará alunos com uma amplitude menor de conhecimento. Em terceiro, e mais importante, não são todos os estudantes que possuem condições de vida de poder estudar quatro meses intensamente e trabalhar quatro meses, alternadamente, durante sua graduação. Alguns precisam trabalhar para se sustentar, e o modelo proposto inviabiliza muito essa realidade, que a Poli como um todo deveria acolher, e não rechassar.

Enfim, estes são alguns dos meus pensamentos sobre o que está se passando. Espero que a Congregação da Escola Politécnica não deixe essa história seguir em frente da forma como está indo, e reforço a minha opinião de que a cultura de decisões de “petit-comitê” do PCS me parece mais danosa do que proveitosa.

Venda de Livros de Engenharia

Estou vendendo diversos livros. Seguem informações abaixo.

  • Física 3 (Sears & Zemansky)
  • Física 4 (Serway)
  • Ciência e Engenharia de Materiais: Uma Introdução (Callister)
  • Introdução a sistemas elétricos de potência (Robba)
  • Eletromecânica – Vol.1 (Falcone)
  • Eletromecânica – Vol.2 (Falcone)
  • A Energia do Brasil (Antônio Dias Leite)

fisica_3_sears

Título:  Física III – Eletromagnetismo
Autor:  Sears E Zemansky
Estado de conservação:  Bom, contém marcações no texto
Preço:  R$55,00
Preço de um novo:  R$75,00

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Título:  Princípios de Física Vol. 4 – Óptica e Física Moderna
Autor:  Serway
Estado de conservação:  Usado (está encapado)
Preço:  R$45,00
Preço de um novo:  R$61,00

callister

Título:  Ciência e Engenharia de Materiais: Uma Introdução
Autor:  Callister
Estado de conservação:  Ótimo, possui algumas partes do texto marcadas.
Preço:  R$100,00
Preço de um novo: R$165,00

 

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VENDIDO

Título:  Introdução a sistemas elétricos de potência – Componentes Simétricas
Autor:  Robba
Estado de conservação:  Novo, nunca foi usado.
Preço:  R$75,00
Preço de um novo:  R$75,00

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VENDIDO

Título:  Eletromecânica – Vol.1
Autor:  Aurio Gilberto Falcone
Estado de conservação:  Novo, nunca foi usado.
Preço:  R$35,00
Preço de um novo:  R$45,00

eletromec_falcone_vol2

VENDIDO

Título:  Eletromecânica – Vol.2
Autor: 
Aurio Gilberto Falcone
Estado de conservação: 
Novo, nunca foi usado.
Preço: 
R$35,00
Preço de um novo:  
R$48,00

Obs: Na compra dos dois livros de Eletromecânica do Falcone o pacote sai por R$60,00

energia_do_brasil

Título:  A Energia do Brasil
Autor:  Antonio Dias Leite
Estado de conservação:  Novo, nunca foi usado
Preço:  R$40,00
Preço de um novo:  R$ 65,00

Reflexões sobre a RodAda Hacker

Lá vamos nós para mais uma RodAda Hacker (RH)!

rodada

Aos que não conhecem, sugiro olhar no site (link acima) e conhecer melhor, mas, resumidamente, a RodAda Hacker, do meu ponto de vista, é um espaço para hackear nosso modelo de sociedade (e tudo que nele está incluso!) para construir uma sociedade mais igualitária e justa. E na rodAda fazemos isso por meio do aprendizado colaborativo e coletivo de ferramentas de programação, focando principalmente em meninas e mulheres, para dar-lhes autonomia e termos mais mulheres no mundo da tecnologia e transformação social.

A RH não é simplesmente uma “oficina de programação”, ou um “curso de programação”. Se isso fosse, não seria um espaço de transformação social, seria simplesmente mais um espaço de formação de mão de obra, que iria incluir no mercado de trabalho mais mulheres com “tech skills“, e estas possivelmente ganhando menos do que homens para realizar a mesma função, reforçando assim os preconceitos e determinismos existentes hoje. Por isso eu defendo a RH enquanto um espaço de transformação social, de mudança de paradigma, no qual a tecnologia é apenas uma ferramenta e um meio, nada mais do que isso. E, pensando assim, acho que tudo que envolve a RH deve ser pensado, refletido e articulado pública e coletivamente, porque pensar e refletir sozinho(a) não leva a reflexão a outras pessoas e outros patamares.

Eu fui à primeira RH, e foi algo simplesmente maravilhoso. Estou devendo um post sobre como foi, e o farei (enquanto isso leiam o post do Capi). Serei tutor novamente, e é da construção desta RH que quero falar, partindo dos conceitos que passei acima.

Construindo a segunda RodAda

Percebam que eu disse que quero falar da construção desta segunda RH de SP, e não da organização dela. A Daniela Silva, idealizadora da rodAda, decidiu expor a todas as pessoas envolvidas (tutoras, tutores e inscritas) uma questão que foi levantada por boa parte das interessadas que se inscreveram, que é a demanda das mulheres por cuidar de suas filhas e seus filhos, e tentar chegar a uma solução coletivamente, ouvindo todas as pessoas envolvidas.

Eu achei sensacional a atitude da Dani, porque é assim que o processo de transformação tem que ocorrer, de forma coletiva, com todas as pessoas pensando e refletindo sobre ele, sabendo das dificuldades, próprias e das outras pessoas, e ajudando a construir uma solução que contemple todas as necessidades na medida do possível, aprendendo a reconhecer as dificuldades e ceder um pouquinho para poder contemplar mais pessoas, cada uma com suas limitações e dificuldades, mudando nosso paradigma de “eu” para “nós“.

Algumas consequências surgiram desta iniciativa, eu pensei muitas coisas que vou compartilhar abaixo.

Algumas questões, tudo junto, misturado, mas separado.

Do Eu e do Nós, o coletivo e o diálogo

Infelizmente nós vivemos na sociedade do Eu, na qual as nossas necessidades individuais e de curto prazo estão sempre à frente, de forma exclusiva, às necessidades do Nós. As pessoas (aglomerado de Eus) tem muita dificuldade de entender que a força do coletivo (Nós) é sempre maior que a força do aglomerado. Um pouquinho disso pode ser visto e sentido recentemente nas passeatas e manifestações que ocorreram em São Paulo, e ainda ocorrem pelo país. Enquanto éramos milhares em nossos sofás reclamando, e reclamando aos vizinhos nos elevadores, nada mudava. Mas quando nos transformamos a indignação em algo coletivo e público, algumas coisas começaram a mudar. E digo começaram, porque ainda tem muito o que ser feito, e precisamos continuar como Nós para que mais mudanças ocorram, e mudanças de longo prazo. (Tenho milhares de críticas e discordâncias com muita coisa que aconteceu, mas não vem ao caso).

Nesse contexto, algumas das pessoas inscritas na rodAda, e interessadas em aprender a tecnologia (justíssimo!), se posicionaram de forma rígida e absoluta contra a presença de crianças no espaço, ou próximo a ele, pois estas iriam atrapalhar o “objetivo da atividade” – aprender a programar para usar isso profissionalmente.

É importante refletir que (quase) ninguém aprende um novo conhecimento, de uma área que não domina, em um dia e sai usando isso no mercado. Acho um pouco de ilusão pensar assim, e a RH não me parece caminhar nesse sentido. O objetivo deve ser dar os primeiros passos e, principalmente, aprender a ter autonomia. As comunidades hackers e de software livre são totalmente necessárias do senso de coletivo, porque é no coletivo que buscamos apoio, ajuda, respaldo, e é nele que se sustenta a força dessas comunidades. E pensar a RH é pensar na formação de um coletivo de mulheres (e homens também, porque não), que vão oferecer apoio e suporte, técnico e não técnico, para todos e todas. Se começamos já nos posicionando de forma individualista, sem diálogo, excluindo algumas pessoas com necessidades e demandas diferentes das nossas, essa formação de comunidade fica comprometida, e o grande benefício fica de lado. O aprendizado técnico de um dia pode não ser suficiente e se perder rapidamente (e tende a ser assim), mas uma comunidade não se perde dessa forma e contribui para a solução dos problemas técnicos.

Por isso acho absolutamente fundamental a busca coletiva por soluções que satisfaçam as necessidades de todas as pessoas envolvidas, o olhar para o próximo, o diálogo e a capacidade de entender que nem sempre todas as nossas condições podem ser satisfeitas.

Isso, claro, vale para os dois lados. As duas necessidades postas são importantes e justas, tanto a de aprender a técnica quanto a de ter uma criança que precisa de cuidados (desde bebês até crianças mais velhas) – e porque não, como bem foi pontuado, idosos e idosas que também podem ser dependentes de cuidados mais próximos!

Eu serei um tutor, e vou ajudar ao máximo todas as pessoas presentes, sem distinções, e gostaria muito que todo mundo que se interessou na RH participe e se abra para a construção coletiva. Mas se alguém tem uma necessidade muito urgente de aprendizado da técnica, talvez a RH não seja o melhor lugar e essa pessoa precise, também, de buscar uma escola de formação técnica.

Mães, filhos, pais, mulheres e homens

Uma outra questão que me chamou muito a atenção na discussão (e no meu email chegaram 35 de pelo menos 45 emails trocados), foi a questão de Gênero.

A começar que só mulheres respondera me trocaram emails, mesmo sabendo que muitos homens também acompanharam a troca de emails desde o começo. Quando eu olhei meu email e vi 35 mensagens, um debate caloroso, fervoroso e riquíssimo, e nenhuma mensagem de homem fiquei muito incomodado e decidi escrever – só que tinha tanta coisa para falar e refletir que preferi fazer esse post de blog, que compartilharei com todo mundo na thread.

O segundo ponto a destacar é a clara reflexão de que os homens não fazem parte efetivamente do cuidado e da criação dos filhos e filhas, e o quanto as mães não se sentem à vontade de forma natural para deixar as crianças com os pais e dedicarem um tempo para si próprias. Claro que existem casos e casos, mas ainda são exceções.

O terceiro ponto que notei, do ponto de vista de gênero, é que foi cogitado por muitas pessoas organizar um local aonde as mães poderiam deixar seus filhos, atrelado à contratação de alguém(ns) que pudesse(m) cuidar das crianças. E praticamente todos os comentários sobre contratação foram no sentido de contratar uma profissional, ou uma arte-educadora, ou a mãe de alguém, ou a amiga de alguém. Olha que loucura, mesmo num espaço de reflexão, no qual claramente há uma questão de gênero posta, e o ponto que destaquei no parágrafo anterior, o primeiro, e majoritário, pensamento é em convidar/contratar mulheres para cuidar das crianças, e não me lembro de ter visto questionamentos sobre isso (o fato de serem mulheres).

Claro que as mulheres possuem mais habilidades para cuidar de crianças, porque elas foram educadas socialmente para isso desde pequenas (#goBarbie!). Mas os homens também são capazes. Inclusive tenho certeza de que existem alguns que fazem isso profissionalmente, ou voluntariamente, e dariam conta do recado.

Para ser justo, acabei de lembrar que a Dani comentou que na primeira RH tínhamos uma mãe presente, a Bianca, com sua pequenita Cecília (ainda de colo), e que um dos tutores ajudou nos cuidados da mesma durante a atividade. Isso pode ter “atrapalhado” de algum forma o desempenho do ponto de vista do aprendizado técnico? Talvez sim, talvez não, mas certamente isso permitiu que a Bianca construísse algo concreto (), que talvez nunca tivesse sido pensado e saído do plano das ideias se a pequenita não pudesse participar de alguma forma. Aliás, recomendo fortemente a leitura do post da Bianca e a visita ao projeto que ela construiu. O post no blog deixa muito claro o quão importante é a Comunidade e o senso de Coletivo, e o quanto a técnica não é nada sem isso!

Mas voltando à questão, eu acho que seria extremamente transformador, por exemplo, construir um espaço nos quais homens ficassem responsáveis pelas crianças, sejam eles pais ou não das mesmas. Principalmente porque é importante entendermos que trazer as mulheres para o mundo da tecnologia e do mercado de trabalho é algo que tem que caminhar junto a trazer os homens para a responsabilidade conjunta da casa, e que “cuidar da família” não é colocar dinheiro em casa e decidir como ele será gasto. Assim como, por exemplo, é fundamental um debate sobre jornada de trabalho (eu quero 30 horas!) e outras afins. As coisas não são estanques, e precisam ser pensadas em conjunto. Quem sabe na próxima RH de SP (3a) não lançamos, em paralelo, uma Oficina Ser Pai (com P maiúsculo!)? #let’sHack.

Mas porque aqui e não lá, e o que eu tenho a ver com isso tudo?

Voltando à questão de porque eu não escrevi diretamente no emails e vim aqui para o blog, e fazendo uma autorreflexão e uma autocrítica.

Acho que foram três motivos que me levaram a escrever aqui e não nos emails.

O primeiro deles é que eu queria escrever bastante, mais do que eu acho que cabe num único email, e que isso poderia acabar matando a thread de alguma forma (emails muito grandes costumam matar threads).

O segundo deles é que eu acho importante documentar e compartilhar essas reflexões, por piores que elas sejam é melhor do que nenhuma reflexão né? E se ficasse só naqueles emails iria se perder no tempo e no espaço, dificilmente atingiria outras pessoas e poderia ser revisitado com o tempo (isso sem falar em indexação na web). Mesmo meu blog não sendo uma referência em número de visitas, muito pelo contrário rs.

E o terceiro ponto, e aqui vem a autocrítica, a autorreflexão e possivelmente o principal motivo, é que eu não me senti totalmente a vontade para escrever na thread.

Provavelmente, se eu tivesse visto a thread logo nos primeiros emails eu teria escrito e feito parte. Mas como só a vi com mais de 30 emails, um debate acalorado, e só mulheres participando, me senti de alguma forma intimidado. Acho que os papéis sociais postos, de homem e de mulher, poderiam fazer, de forma subconsciente, algumas das mulheres não se manifestarem após um homem opinar. Já vi isso ocorrer em outros espaços, presenciais e virtuais, sei o quanto, infelizmente, a presença de homens pode inibir. E não é algo racional e consciente, de nenhuma das partes.

Um outro pensamento que me passou pela cabeça sobre isso, e que eu acho que interferiu no meu julgamento, mas que eu refleti sobre e espero ter mudado um pouquinho para as próximas vezes, foi o “poxa, como que eu, um homem que não tem filhos, vai interferir nessa conversa?”. Racionalmente isso não faz o menor sentido, e depois de pensar um pouco sobre a minha “conclusão” é que eu tenho todo direito de opinar, mas sabendo que eu não vivo a realidade de Pai, de Mãe ou de Mulher, e que preciso olhar, entender e respeitar que essas são realidades diferentes das minhas.

Bem, por hora é isso que eu gostaria de compartilhar, sei que tem um monte de coisas que não lembrei, e muitas outras que podem ser abordadas, mas fica para um próximo post. 😉

Comentários e críticas são sempre bem vindos!

E bora hackear!

“Artistas x Universitários” ? – Breves comentários sobre a campanha “Tempestade em copo d’água”

“Artistas x Universidade” (http://scienceblogs.com.br/discutindoecologia/2011/11/usina-de-belo-monte-artistas-x-universidade/)….esse é o título do post que, aparentemente, primeiro divulgou da campanha “Tempestade em copo d’água” (http://www.youtube.com/watch?v=gVC_Y9drhGo).

Tive contato com ele alguns dias antes de “cair no facebook”, e fiz minhas considerações sobre o mesmo – afinal, acho que é isso que se espera de qualquer pessoa, fazer uma análise crítica das informações, seja do movimento dos “globais” ou dos “universitários”.

A começar que é partir de um princípio medíocre (no sentido de ser médio) se manifestar/mobilizar partindo da contraposição aos “artistas” quando o foco deveria ser o tema em si (Belo Monte). Mas… enfim… essa é a nossa sociedade, sempre personalista, sem discutindo o que não tem que ser o foco, sempre na superfície das coisas.

Recomendo entrarem no blog e participarem da discussão que está acontecendo por lá.

Segue abaixo meu comentário postado no blog referido:

Caros,

primeiramente gostaria de parabenizá-los por levantar esse debate.

Mas tenho algumas críticas ao vídeo.

Vocês comparam a área que será alagada com a área que é devastada diariamente hoje, e usam esse argumento praticamente para dizer que “a área alagada será insignificante”. Acho esse argumento péssimo. Não é porque temos um grande problema (devastamento para agroindústria) que problemas menores podem ser aceitos sem críticas/questionamentos.

Além disso, o impacto dos alagamentos não se dá apenas pelo tamanho da área a ser alagada, mas também pelo que há nessa região, e pelo impacto das áreas que deixaram de receber o fluxo do rio como é hoje.

Outro ponto é que vocês colocam que a usina será a 3a em potencial energético, mas na verdade ela será apenas 3a em potencial instalado. São coisas bem diferentes.

Seu aproveitamento médio será consideravelmente baixo e, mais do que isso, na época em que mais temos problemas de abastecimento energético no país ela pouco contribuirá, sua maior contribuição para o sistema integrado nacional se dará fundamentalmente nas épocas em que temos maior abundância de energia.

Considerando ainda que ela produzirá, em média, cerca de 4200Mw/h, existem sim alternativas viáveis à sua construção.

Estudos mostram que se utilizássemos o bagaço de cana que é descartado no Brasil para transformá-lo em energia, nosso potencial seria de aproximadamente 4200Mw/h. Ou seja, resíduos que descartamos hoje poderiam ser utilizados para gerar a mesma energia que Belo Monte irá gerar em média. E ainda ter-se-ia a vantagem de poder fazer essa instalação mais próxima dos centros consumidores (reduzindo perdas com transmissão) e seria mais fácil gerenciar em qual época do ano essa energia seria utilizada.

Enfim, esses são só alguns pontos que achei relevantes tocar.

Por fim, gostaria de sugrir a vocês, e pedir que ajudem-nos a divulgar, um debate que realizamos (nós = Escritório Piloto da Escola Politécnica da USP) sobre Belo Monte com dois professores da EPUSP e mais o Prof. Célio Bermann, do IEE-USP, um dos responsáveis pela produção de um relatório de análise crítica do projeto da usina e do EIA/RIMA da mesma.

http://escritoriopiloto.org/artigo/debate-belo-monte

Neste link vocês encontraram as apresentações feitas e também os vídeos do debate. Sei que são razoavelmente longos, mas vale MUITO à pena assisti-los, tem muita informação técnica concreta (diferente do “movimento gota d´água)….

Abraços universitários!

1a Conferência de Engenharia da USP – Parte 1

Hoje começou a “Primeira Conferência de Engenharia da USP”, que vai até amanhã.

São dois dias para discutir Engenharia e seu papel na sociedade – falando de forma beeeeem ampla.

A organização dessa primeira conferência está focando a discussão em “Sustentabilidade”. Abaixo segue o meu relato da primeira parte (manhã de hoje – 25-10-2011).

Ah, vou deixar meus comentários destacados em negrito….. Continue lendo “1a Conferência de Engenharia da USP – Parte 1”

O caminho da educação no Brasil

Todos pela educação?

Há algum tempo atrás recebi, por email, a seguinte notícia:

Comissão do Senado retira do MEC responsabilidade pelo ensino superior

Sobre ela, um colega escreveu que “Se o Ministério da Educação fizer a parte dele sem a atribuição do ensino superior,  pra mim ta ótimo.“, e a resposta que dei a ele foi

“Eu discordo de você.
Primeiro porque eu acho que o papel educacional das Universidades é fundamental, e retirá-las do MEC só tende a piorar a situação da educação de nível superior.
Em segundo lugar porque acho difícil pensar numa solução para a educação do Brasil sem que as Universidades façam parte deste processo.
Mudar as atribuições e responsabilidades da “entidade” (ministério) para que ela consiga cumpri-las é, no mínimo, imbecilidade.

Meu colega colocou que, na opinião dele,  “a melhoria da educação no Brasil ainda não precisaria envolver o ensino superior” e que após dar aulas para “adultos e adolescentes que estudaram em um colégio público em um cursinho voluntário“,  ele chegou à conclusão que “o problema não está na minha matéria (álgebra). Está no fato de que, desde quando começaram a frequentar a escola, eles não desenvolveram competencias básicas que são ensinadas para a maioria dos alunos do ensino superior.” Ao questionar a professora particular de inglês dele, que também dá aulas na rede pública, sobre o tema, ela respondeu que “Os alunos de lá não tem o menor interesse, pois sabem que eles vão passar mesmo que não façam nada. Para completar, eles ainda atrapalham muito aqueles que tem interesse, e não posso tomar nenhuma atitude disciplinar contra eles

Este meu colega ainda concluiu:
Concordo com você que, se tudo fosse rosas, deveria se do jeito que você disse, mas não adianta tentar fazer tudo bonitinho se não funciona. Não sei que tipo de implicações políticas essa medida vai ter mas, se for preciso criar o Ministério da Primeira Série do Fundamental ou o Ministério da Interpretação de Texto para que minha professora consiga ensinar seus alunos e, consequentemente, o aproveitamento dos meus aumente, pra mim ta ótimo.

E aqui vem o que me motivou a escrever este post… minha resposta a este último email dele. Vou copiá-la na integra abaixo:

“já dei aulas em cursinhos populares pré-universitários (que são diferentes de pré-vestibulares – mas não vou me alongar nisso) e realmente existe uma enorme falta de bases matemáticas, muito anteriores a “equações de segundo grau”.
Mas não acho que a criação de novos ministérios, especialização de ministérios ou qualquer coisa do gênero seja algo que vá resolver a situação. Enquanto um professor de ensino público (em qualquer nível) não receber uma salário razoável, não vamos ter mudanças de verdade.

Claro que a “aprovação automática” é um absurdo e que deveria acabar ontem. Mas, mesmo antes dela, tínhamos problemas. E isso passa pelo fato de um professor da rede pública ter que dar aula em 3 escolas em locais distantes umas das outras, ganhando muito pouco e, por exemplo, não sendo remunerado por tempo com preparação de aulas e provas, correção de provas e exercícios e por ai vai.
Certamente os professores deveriam ser remunerado por, pelo menos, o dobro do horário de aulas que eles dão. E estou sendo bonzinho com o “pelo menos”. Numa turma de 50 alunos que eu tinha e que eu passei uma atividade (SIMPLES!) dissertativa, gastei um fim de semana todo só pra corrigir. Isso sem considerar o tempo de preparar a prova.
Por isso sou totalmente favorável à campanha “10% do PIB para Educação” (campanha encabeçada pelo psol no legislativo). Eu acho que esse aumento é um primeiro passo muito mais efetivo do que a criação de qualquer “ministério”.
E o mesmo vale para as Universidade Públicas. Se não garantirmos que um docente pode ganhar um salário razoável (em função de seu conhecimento, sua capacidade de produção e etc), e que sua atuação enquanto docente (e não pesquisador) é algo de suma importância e isso ser levado em consideração (hoje não é), nosso ensino superior continuará sendo de terceiro mundo, e rankings que colocam a USP como “melhor da AL” são muitíssimos vazios.
Se os professores do ensino público fundamental/médio fossem recebessem o tratamento que recebem os docentes universitários já seria um grande avanço….
Existem várias outras coisas a se levar em consideração como, por exemplo, a quantidade de estudantes numa sala de aula com relação ao número de “educadores” (profess@r + assistente(s)).
Por fim, há só mais uma questão relativa à mudança proposta. E os cursos não são tecnológicos/mercadológicos? O que vão fazer dentro do Ministério da Ciência e Tecnologia? Ensino Superior se resume apenas a produção tecnológica? Como ficam os cursos de Pedagogia, História, Matemática, Física, etc? O MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) é que vai legislar sobre como devem ser os professores de Ensino Médio/Fundamental?…….

E vocês, o que acham?

Debate: Software Livre e Políticas Públicas

bineural-beatTecnologias livres estão diretamente ligadas à qualidade da educação, ao desenvolvimento da ciência e à soberania nacional.

Em tempos de eleição, nada melhor do que convocar representantes dos principais partidos políticos do Brasil para se discutir propostas que incentivem o uso e o desenvolvimento de software livre no país. Por isso mesmo, a Quinta-Livre estará promovendo um debate que suscitará uma discussão sobre o tema. A ideia é promover um evento fora dos padrões normativos e desgastados da mídia televisiva. Se você se interessa pelo tema, não deixe de comparecer.

ESTÃO TODOS CONVIDADOS.

O tema básico é “Software Livre e Políticas Públicas”, discutidos do ponto de vista social: tanto as políticas públicas podem acelerar o uso e o desenvolvimento do Software Livre, como o contrário também nos parece válido.

A lista de participantes será divulgada no início da semana, assim que os últimos nomes forem confirmados. Confira os nomes dos participantes clicando aqui.

Data e hora:
23 de SETEMBRO de 2010 (é uma quinta-feira) às 19:30.

Local:
Auditório da Escola de Aplicação, Faculdade de Educação, USP-SP (Cidade Universitária do Butantã)

Sobre o direito do acesso à informação

Vou aqui fazer um relato e colocar algumas reflexões minhas sobre o evento que participei na PUC-SP. Aliás, aproveito para agradecer a oportunidade e o convite feito pela Daniela (@danielabsilva) e pelo Pedro (@markun).

O evento começou com a exposição do Guilherme Canela, coordenador de Comunicação e Informação da UNESCO. Ele fez uma ótima exposição da situação de liberdade de acesso à informação histórica e mundial. Aliás, preciso conseguir a apresentação dele, tem ótimas informações, assim que consegui-la postarei mais informações por aqui.

Em seguida a Paula Martins, da ONG Artigo XIX fez também um rápido levantamento histórico e, em seguida, falou mais focada no projeto de lei de acesso à informação que foi aprovado na Câmara e está no Senado, e também da importância da lei de acesso para a sociedade brasileira. Além disso, ela também colocou o questionamento do real acesso, e não apenas teórico. Uma das questões mais importantes levantadas por ela, do meu ponto de vista, é a questão de uma entidade independente que fiscalize o acesso da população às informações. Na legislação atual proposta não está contemplada uma entidade independente que fiscalize ou funcione como ombudsman para a população, mas isso ainda é algo a pensarmos e que deve ser acrescido futuramente à legislação, seria um grande avanço para garantir os direitos dos cidadãos.

Depois quem falou foi o Fabiano Angélico, da ONG Transparência Brasil, que fez uma ótima apresentação. Ele falou da importância da lei de acesso à informação para os jornalistas. Ele fez a crítica de que o jornalismo de hoje é um jornalismo “citativo”, que os meios de comunicação atualmente se bastam em notícias como “Pessoa A disse… “, “Pessoa B comentou que…” e que hoje não temos mais um jornalismo investigativo. Ele citou o trabalho que alguns jornalistas do Paraná fizeram que acabou por desencadear uma operação da Polícia Federal que prendeu diversos parlamentares e desmascarou diversos “atos secretos”, em diários oficiais não publicados. Ele também falou do quanto é difícil, hoje, a vida dos jornalistas, que a demanda é muito pequena por jornalista e que se paga muito pouco. Ele colocou que a lei de acesso à informação irá abrir grandes caminhos para os jornalistas, permitirá o jornalismo investigativo e, inclusive, de maneira mais independente dos veículos majoritários. A Internet propicia um jornalismo mais autônomo. Acho que o grande recado dado pelo Fabiano é a necessidade de um jornalismo mais crítico e diverso.

Depois a professora Pollyana Ferrari, professora da PUC, passou a palavra para mim. Vou relatar abaixo, um pouco mais detalhadamente e organizadamente, o que falei.

Iniciei fazendo uma retrospectiva da sociedade brasileira com a finalidade de contextualizar algumas ideias.

O Brasil viveu um longo período sob um regime anti-democrático, no qual, uma de suas características, era a enorme restrição no acesso às informações. Pouquíssimo de sabia sobre o que se passava dentro da “esfera pública”.
Temos apenas 25 anos de redemocratização e apenas 22 de constituição democrática, ainda somos uma democracia muito nova e que tem muito o que ser aprimorado.
Precisamos ainda de uma cultura mais democrática, com maior participação da sociedade nas decisões. Porém, para termos uma democracia mais participativa, é preciso mudar a mentalidade das cidadãs e dos cidadãos e, paralelamente a isso, também é condição necessária uma maior transparência do Estado Brasileiro.
O direito ao Livre Acesso à informação pública é um passo obrigatório para mudar a realidade do país. Com o livre acesso à informação pública teremos governos mais transparentes, a sociedade civil poderá atuar no controle e combate contra à corrupção, saberemos como nossos representantes estão atuando, o que estão defendendo.
Enfim, teremos uma democracia mais participativa.
O mundo digital e a internet só têm a somar a essa empreitada. Hoje transparência e acesso à informação estão intimamente ligados à internet e à tecnologia. Não adianta nada uma regulamentação que fala de livre acesso às informações se a cidadã ou o cidadão precisam se deslocar até um determinado local, enfrentar uma fila enorme e preencher uma pilha de fichas. Temos que viabilizar tal acesso não só legalmente, mas também tecnicamente.
Acrescento ainda a necessidade de disponibilização dos dados públicos em formatos que chamamos de “machine readeables”, ou seja, que permitam a sistemas automatizados lerem as informações direto das fontes e poderem manipulá-las. Isso permite à sociedade civil fazer suas análises das informações de forma atônoma.
E para que isso tudo se efetive, é necessária a utilização de padrões abertos e livres.
*padrão aberto é aquele que possui suas especificações (modos de funcionamento) totalmente acessíveis e que seguem algumas regras de permissões de uso. Pode-se ver mais em http://blog.esfera.mobi
A utilização de padrões abertos garante que qualquer pessoa tenha a possibilidade de trabalhar as informações, ou contratar alguém para fazê-lo. Além disso, também garante uma independência de todos perante a grupos específicos, não ficamos dependentes das vontades da empresa M ou da empresa N para poder acessar as informações, modficá-las, redistribuí-las.
Nós, do Transparência HackDay tivemos algumas experiências muito boas já neste processo de busca por uma democracia mais participativa. Pudemos participar da confecção da Lei Geral de Acesso à Informação (aprovada na Câmara dos Deputados no dia 13 de abril deste ano), abriu-se espaço para o grupo participar também da produção de outras leis, como, por exemplo, a que regulariza as LanHouses no país, uma importante lei para incentivar e possibilitar o acesso à informação e à participação da sociedade. Além dessa participação junto ao poder legislativo, o grupo também desenvolveu, em alguns de nossos encontros, aplicações como o site tr3e (tr3e.veredas.net), com informações sobre desmatamento no Brasil colocadas em mapas, fizemos levantamento de correlação entre políticos e dados sobre escravidão no Brasil, dentre outras atividades.

Pollyana Ferrari Pollyana Ferrari