A estrutura da Universidade

Este é um post para explicar um pouco de como é a estrutura organizacional da Universidade de São Paulo (USP), e como os Representantes Discentes se encaixam nessa estrutura.

Primeiramente cabe esclarecer que nas Universidades Públicas os órgãos de decisão são sempre os Órgãos Colegiados. Eles estão acima dos “administradores”, seja Reitor(a), Diretor(a), Chefe de Departamento, etc. Eles são compostos principalmente por docentes (em geral professores titulares), mas também possuem espaço servidores técnico-administrativos e estudantes – de graduação e pós-graduação.

As Universidades Públicas brasileiras são baseadas num conhecido tripé: Ensino, Pesquisa e Extensão.
Tendo isso em vista, e pensando também num órgão geral ‘superior’ de decisão, a USP possui 5 principais órgãos colegiados. Abaixo a tabela com os órgãos colegiados da USP e como se dá a representação discente em cada um.

Conselho de Graduação 20% do total de docentes do Conselho
Conselho de Pós-Graduação 20% do total de docentes do Conselho
Conselho de Pesquisa 10% do total de docentes do Conselho
Conselho de Cultura e Extensão 10% do total de docentes do Conselho
Conselho Universitário 10% do total de docentes

De acordo com o Estatuto da USP, Cap. II, Art. 15 e Art. 29, no caso do Conselho de Graduação os representantes são eleitos entre os entre os estudantes de graduação. No caso dos Conselhos de Pós-Graduação e Pesquisa, os representantes são eleitos entre os estudantes de pós-graduação. No caso do Conselho de Cultura e Extensão os representantes são divididos, proporcionalmente, entre estudantes de graduação e pós-graduação. E, por fim, no caso do Conselho Universitário os representantes discentes de graduação são 10% do número de docente do Conselho, e os representantes discentes de pós-graduação são 5% do número de docentes do Conselho.

Há ainda outros órgãos de cunho mais administrativos, que também podem contar com representação discente, mas esta é definida dentre os representantes dos conselhos citados acima. Estes outros órgãos podem ser consultados neste link.

Saindo agora do nível central a universidade se divide em Unidades que, segundo o Art.5: compreendem Institutos, Faculdades e Escolas, todas de igual hierarquia e organizadas em função de seus objetivos específicos, são órgãos setoriais que podem, a seu critério, subdividir-se em Departamentos.

As Unidades também possuem órgãos colegiados, alguns obrigatórios e outros opcionais. Os obrigatórios são:

20% do total de docentes da Comissão, sendo estudantes de pós-graduação

Congregação 10% do número de Docentes, distribuídos proporcionalmente entre graudação e pós
Conselho Técnico-Administrativo um representante discente
Comissão de Graduação 20% do total de docentes da Comissão
Comissão de Pós-Graduação 20% do total de docentes da Comissão

Há ainda os conselhos que é facultado às unidades criá-los:

10% do total de docentes da Comissão

Comissão de Pesquisa 10% do total de docentes da Comissão
Comissão de Cultura e Extensão 10% do total de docentes da Comissão

Vale destacar que, a critério de cada unidade, essas duas comissões podem ser fundidas em apenas uma.

Como exposto no Art.5, as unidades podem ainda subdividir-se em Departamentos.

Conforme exposto no Art.51, “O Departamento é a menor fração da estrutura universitária para os efeitos de organização didático-científica e administrativa.“. O órgão de direção é o Conselho de Departamento, sendo que neste os representantes discentes são 10% do número de docentes do Conselho.

É facultado ainda aos departamentos a criação de Comissões para assessorá-lo.

O Art. 64 define ainda que “Cada habilitação ou curso será coordenado por uma Comissão cuja composição, em cada caso, será fixada pelo Conselho de Graduação.“. Atualmente esta “Comissão” é chamada de CoC (Comissão de Curso). A maior parte dos cursos possui apenas uma, que pode contemplar um ou mais departamentos.
Para exemplificar, a Comissão de Curso da Engenharia Civil da Escola Politénica é composta por 4 departamentos (PTR, PHD, PEF e PCC). Já a Comissão de Curso da Engenharia de Computação é responsável por dois cursos (Engenharia Elétrica – ênfase Computação e Engenharia de Computação), sendo composta por apenas um departamento (PCS).
Cada CoC possui um representante discente da graduação.

Existem ainda algumas outras instâncias organizativas, rescaldo de de estruturas passadas da USP. Uma delas é a “COD” (Comissão Didática), que na verdade hoje trata fundamentalmente de assuntos burocrático-administrativos dos prédios. Normalmente ela é composta por representantes dos departamentos que compõe o edifício e os estudantes também tem direito a uma representante nesta comissão.

Não se pode esquecer que todo representante tem direito a um suplente.

Em alguns casos, a critério do presidente do Conselho, pode-se permitir a participação com direito a voz de “convidados”. Por exemplo a CoC da Computação tem a prática de permitir que os representantes discentes titular e suplente participem da comissão, para garantir que possa haver um representante de cada um dos dois cursos (“Semestral” e “Quadrimestral”).

Enfim, está ai um pouquinho da estrutura da universidade, espero que ajude quem está começando agora – ou mesmo quem já está envolvid@ há um tempo um pouco maior mas que ainda não conhece direito.  Quem tiver dúvidas sinta-se à vontade para deixar uma pergunta ai nos comentários, e quem quiser comentar, criticar ou melhorar o texto também pode deixar sua sugestão! =)

Dados sobre a segurança na USP

Em maio de 2011 a USP assinou um acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), prevendo a intensificação da atuação da Polícia Militar no Campus da USP. No último mês de outubro, após uma série de conflitos e manifestações, foi divulgado na mídia que “crimes na USP caem 92% após o convênio“.

Este é um post para questionar esses dados, ou a forma como eles são lidos, e mostrar que a intensificação da PM no Campus não alterou tanto assim a realidade da segurança da universidade. Dos 6 meses do convênio, o único que realmente teve alguma diferenciação dos anos anteriores foi o mês de setembro. Todos os outros meses ou estão no mesmo patamar dos anos anteriores ou até mesmo maiores que nos anos anteriores.

Esses dados foram retirados do site oficial da Guarda Universitária da USP.

Eleições por toda parte – e os eleitores com isso?

Este texto abaixo é o meu texto para a próxima edição do Jornal O Politécnico. Ele estava pronto já na semana passada, e o jornal deve sair somente nesta quinta-feira, mas acho que preciso divulgá-lo antes em virtude do que está acontecendo na Escola Politécnica.

Há poucas semanas atrás teve fim mais um processo eleitoral de nossos representates municipais, no qual foram eleitos Prefeitos e Vereadores.
Do ponto de vista de organização o processo eleitoral brasileira é modelo de excelência internacional. É um dos maiores, contando com 130.378.807 eleitores – sendo São Paulo o município com maior número de eleitores, 8.180.756. Além disso, é um dos mais democráticos, votam negros, brancos, alfabetizados e não-alfabetizados, mulheres e homens, índios, moradores das metrópoles, moradores de vilas longínqüas que nem energia elétrica têm. Todos têm o direito de votar, e o Estado se certifica de que todos tenham a possibilidade de exercer tal direito. E mais, em questão de 2h00 a cidade de São Paulo já sabia o resultado do primeiro turno das eleições. Em muitos países são necessárias semanas após as eleições até que se saiba o resultado.
Já do ponto de vista dos candidatos e suas proposições e atuações, o que vimos foi algo completamente diferente. Em São Paulo a sociedade civil se organizou e formou o Movimento Nossa São Paulo. Ele conta com participação de pessoas de todos os grupos e classes sociais da cidade, desde os indivíduos das classes mais baixas até altos empresários ligados a grupos como a FIESP. O Movimento Nossa São Paulo organizou, durante o ano todo, uma série de atividades com a finalidade de produzir propostas da Sociedade Civil aos candidatos à prefeitura e à Câmara de Vereadores. Quando mais próximo das eleições, foram organizados debates temáticos, nos quais foram convidados todos os candidatos à Prefeitura de São Paulo, para que tais propostas fossem entregues e para que os candidatos pudessem expor suas propostas com relação ao tema do debate. Nos dois eventos em que eu estive presente, nenhum dos “grandes nomes” foram, eles apenas enviaram um “representante do partido”. Assim, acho importante citar o nome dos que estiveram presente, naqueles que foram momentos de celebração da democracia, nos quais o eleitor comum teve a chance de fazer a sua pergunta aos candidatos e ouvir suas propostas: Edmilson Costa, Ivan Valente, Renato Reichmann e Soninha Francine.
Já os debates transmitidos pela televisão e os “propagandísticos” não serviam para apresentação de propostas. O que vimos foi um show de acusações, tentativas de difamação, mentiras, joguinhos de politicagem. A impressão que ficou para mim foi a de que o importante é estar no poder, independente se para se atingir esse objetivo seja preciso mentir, difamar, e outras coisas mais. Infelizmente os debates transmitidos pela televisão
E o que nós, eleitores, podemos/devemos fazer contra toda essa politicagem dentro da política? Nós devemos buscar as informações verdadeiras, ler os programas de cada candidato/partido, buscar como foi a atuação dele nos espaços de atuação, buscar mais de uma fonte de para cada informação. E depois de passar o processo eleitoral, nós devemos acompanhar os candidatos eleitos, independente de ter votado nele ou não! Temos, em São Paulo, por exemplo, a campanha “adote um vereador”. Temos que ficar de olho, cobrar o cumprimento das promessas!
E porque eu decidi falar sobre tudo isso? Bem, por dois motivos.
Um deles é porque eu acho os processos eleitoral e democrático importantíssimos. Mas eles não são simples e nem fáceis de lidar. Eles nos dão muito mais possibilidade de melhorar a sociedade para todos, de crescer, de que seja feita a vontade da população.
O outro motivo é que estamos vivendo o momento eleitoral na Escola Politécnica. Dessa vez, com duas chapas concorrendo! Desde de quando eu entrei aqui não havia presenciado tal “evento” (duas chapas concorrendo à gestão do Grêmio). Acho isso fantástico! Acho que estimula mais as pessoas a participarem do processo eleitoral, e também a pensar e olhar com mais cuidado para o Grêmio Politécnico.
O que me preocupa é a postura que as pessoas terão diante deste processo de “competição”. Fico preocupado, depois de ver tanta falta de sensatez democrática no processo eleitoral brasileiro, se isso vai ser replicado dentro de “nossa casa”. Afinal, convenhamos, nenhum dos “grandes” candidatos á prefeitura de São Paulo são pessoas desfavorecidas socialmente. São todas pessoas que sempre freqüentaram boas escolas, fizeram boas faculdades (Poli, por exemplo), não passaram grandes dificuldades, assim como a grande maioria dos politécnicos.
Como fui gestão do Grêmio no ano de 2007, e acompanhei, de longe na maior parte do tempo, a gestão 2008, sei muitas coisas da situação atual do Grêmio. E me preocupa ver que um dos grupos que quer ser a próxima gestão e que se diz preocupado com a instituição representativa dos alunos da Escola Politécnica esteja divulgando falsas informações há meses, principalmente por saber que tal grupo sabia das informações verdadeiras, mas mesmo assim optou por falar inverdades.
O Grêmio Politécnico tem muitos problemas, e sua comunicação com os alunos é bem falha. Porém, afirmo com certeza absoluta que isso não ocorre por falta de vontade de quem lá está. Isso ocorre porque o Grêmio é uma entidade enorme, com grandes projetos, e que demanda muito trabalho. Sem colaboração é muito mais difícil conseguir fazer tudo o que tem para ser feito (mais ainda é fazer coisas novas), e por diversas vezes encontramos pessoas ficam apenas criticando “de fora” e atrapalhando, mas não se propõem a ajudar a realizar as atividades.
Entendo que propostas de “mudanças absolutas” não são benéficas para ninguém, vide o que sempre acontece no poder público no Brasil, sempre que se mudar o grupo político que ganha a eleição, o trabalho anterior é jogado fora ou remodelado completamente, e tenta-se implementar coisas novas, geralmente sem mudança estrutural, apenas com mudanças de perfumaria, para poder ganhar nome e utilizar como mote para a eleição seguinte. A lógica de que oposição é igual a descontinuidade geral sempre impera, e em função disso não conseguimos gerar um acúmulo de conhecimento e experiência que beneficiem a todos. Porque não dar os créditos a quem é devido? Porque não trabalhar junto se existe algo de bom no vigente? A continuidade não é ruim, muito pelo contrário. Um ecossistema só se forma se houver continuidade, não se poder ficar mudando tudo.
O trabalho dos representantes discentes, por exemplo, é algo que aparece muito pouco, mas que faz uma grande diferença para a comunidade. E o acúmulo de experiência é algo fundamental para os RD’s. As comissões das quais eles fazem parte se reunem no máximo uma vez ao mês. Em função disso o tempo que se leva para entender como as coisas funcionam e começar a ser ativo e ter influência na comissão é enorme. Assim como ocorre com os RD’s de departamentos, a transição não deve ser brusca, os futuros representantes devem se aproximar dos atuais e acompanhar seu trabalho por meses antes de assumir efetivamente a posição, mesmo não podendo ir em muitas reuniões. No caso dos RD’s centrais (vinculados ao Grêmio), como existe a possibilidade de mais de um RD por comissão na maioria das vezes, essa transição deveria ocorrer durante um ano inteiro, mesclando pessoas com experiência com os “novatos”. Faz toda a diferença do mundo ter um representante discente experiênte para ajudar, orientar e incentivar quem está começando agora. Creio que o tempo de maturação para um RD é de um ano, ou seja, no primeiro ano ele aprende e no segundo ele leva a comissão e ensina os próximos RD’s.
Os RD’s da Congregação, por exemplo, conseguiram desenvolver um trabalho muito bom neste
ano dentro das reuniões. Fizeram alguns informativos e reuniões abertas com os alunos para discutir temas importantes que seriam tratados na Congregação, como a Estatuinte, por exemplo, que vem sendo discutida desde junho de 2007 na Congregação. Mas isso só foi possível em virtude de um acúmulo que o grupo já tinha, e da renovação do grupo ano a ano, sempre mesclando as pessoas, permitindo assim que o aprendizado não consumisse todo o tempo, e possibilitando-os se aproximar mais um pouco dos alunos.
Em função disso tudo, sugiro a todos os politécnicos que pesquisem antes de escolher a sua chapa. Vejam suas propostas, verifiquem se as informações que cada chapa está passando são verdadeiras (as atividades do Grêmio e seus departamentos têm ATAs, nas quais constam quem estava presente nas reuniões, além dos informes das atividades que foram feitas e quem as fez – as atas encontram-se disponíveis no Fórum do Grêmio). Confira com quem cada chapa conversou, em que projetos ela participou, quais foram as posturas que ela teve nas reuniões, qual o acúmulo que ela já tem. Não confiem apenas no que cada chapa diz! Confiram as informações! O site do Grêmio têm muita informação, o fórum também! Se tiverem dúvida em como consultar, procurem o Grêmio para saber como ter acesso, as atas das reuniões são públicas, e estão disponíveis no Grêmio e no fórum do Grêmio para qualquer politécnico!

Bem, é isso ae, que a democracia e a verdade se sobressaiam nesse processo eleitoral!

Lnks de referência:
Site do Grêmio: http://www.gremio.poli.usp.br
Fórum do Grêmio: http://www.gremio.poli.usp.br/forum
O que é a Congregação? Veja informativo na página inicial do site do Grêmio.

Fatos e Boatos

Boato 1:
Estrutura financeira, administrativa e jurídica: um dos nossos maiores desafios! O Grêmio tem se mostrado deficiente nessa área, colecionando dívidas (é cara, o grêmio deve – e não é pouco, não, viu?!) e derrotas judiciais, que acabam por originar mais dívidas. Um bom exemplo disso é a recente perda da Cadopô, que perdemos para a prefeitura graças a dívidas relativas ao IPTU.” Trecho extraído da “Primeira Carta Aberta” da Chapa PolInova, concorrente ao Grêmio 2009.
Fato 1:
“Em 20 de dezembro de 2006 foi publicado no Diário Oficial da Cidade de São Paulo o Decreto Nº 48.021, assinado pelo então prefeito, Gilberto Kassab, que declara a Casa do Politécnico – Cadopô – como sendo de utilidade pública para fins de desapropriação para expansão do Arquivo Histórico do Municipal Washington Luiz, localizado no Edifício Ramos de Azevedo próximo à Avenida Tiradentes, vizinho à Cadopô.” Texto extraído do site do Grêmio Politécnico conforme link abaixo:
http://www.gremio.poli.usp.br/
Boato 2: “Se você não sabe como foi, eu te conto: foram feitas várias votações para saber se a Poli era contra ou a favor da greve. A decisão só saiu na 9ª votação, quando finalmente o “a favor”ganhou, após perder nas 8 contagens anteriores.” Trecho extraído da “Segunda Carta Aberta” da Chapa PolInova, concorrente ao Grêmio 2009.
Fato 2:
Os estudantes da Escola Politécnica da USP foram contrários à ocupação da reitoria da USP ocorrida em 2007. Esta decisão foi tomada em Assembléia no dia 1 de junho de 2007, e ratificada em outra Assembléia em 05 de junho de 2007. Estas Assembléias contaram com mais de 600 pessoas, cada! – Sendo a segunda maior que a primeira.
Para ver as atas das Assembléias clique nos links abaixo.
ATA da Assembléia de 01 de Junho de 2007
ATA da Assembléia de 05 de Junho de 2007

Nos dias de hoje…. Contextualizando…..

Só pra contextualizar o que está se passando na Poli Land…..
Estamos em período eleitoral do Grêmio Politécnico….
Pela primeira vez desde que entrei (2005) está ocorrendo uma eleição com duas chapas!!!… Acho isso fantástico!…. Fico apenas triste pelos posicionamentos de uma das chapas… Estou como Representante Discente da chapa Senso In-Comum (http://chapasensoincomum.blogspot.com). Como oposição existe a chapa polinova. Que está se demonstrando uma chapa hierarquizada (não-democrática internamente), autoritária (foi o que eu vi durante esse semestre das poucas atuações deles), absolutamente preconceituosa (vide a segunda carta aberta, a ser explicada a seguir), e, por fim, mentirosa! Mentirosa pois disseram não ter informações que tinham, disseram ter participado de vários projetos dos quais eles não participaram, falaram em nome de pessoas que não estavam presentes e depois desmentiram eles, e, mesmo sabendo de certas informações, teimam em falar o oposto (Fatos e Boatos)…

Bem….. vamos ver no que vai dar…..

Casa do Politécnico

Caderninho de Prestação de Contas da Cadopô

Depois de quase 50 anos de um projeto fabuloso (as obras iniciaram-se em 1949 até aonde eu sei), acaba-se hoje uma história de muita luta, movimentação política e cultural, um verdadeiro centro de resistência contra a desmobilização e o emburrecimento da sociedade perante uma lógica social individualista e financeira.
A Casa do Politécnico (CaDoPÔ) foi um espaço de enorme movimentação, durante a maior parte de sua história. Lá foi criado o “Grupo de Teatro da Poli (GTP)” (que existe até hoje, e conta com mais de 80 membros – coisa rara entre grupos de teatro atualmente), foi criado o Jornal “O Politécnico” (que só sobreviveu à Ditadura Militar – conhecido como “Jornal Vermelho” – pois tinha aquele espaço para produção). Tivemos lá também o Departamento de Fotografia do Grêmio Politécnico, um jornal literário e até mesmo um Grupo de Cinema (“Grupo Kuatro de Cinema“).
Mais recentemente foi palco de muitas atividades teatrais e tinha um grande potencial para se tornar um efetivo centro cultural – sendo que a proposta era de apresentações populares!
Com a criação da linha amarela do Metrô as possibilidade de revitalização integral da Casa seriam muito maiores, o GTP poderia voltar a utilizar aquele espaço, os politécnicos poderiam frequêntá-lo com maior periodicidade, poderíamos realizar muitos eventos, palestras, debates, exposições, mostras (como já vinha acontecendo – vide links abaixo), dentre muitas outras coisas.
Infelizmente muitas pessoas passaram pela história da Cadopô sem dar a ela a devida importância, assumindo responsabilidades e não as cumprindo, e isso – no meu entender – foi um dos principais motivos pelos quais os projetos não foram pra frente tão rápido e a história acabou por culminar numa infeliz desapropriação para se tornar um grande depósito.
Parece, inclusive, que a prefeitura entrou de vez no jogo da expeculação imobiliária. Ela possui dezenas de prédios no centro de São Paulo que não são utilizados – e que poderiam abrigar o arquivo ou mesmo se tornarem moradia popular; além disso, existe o projeto “Nova Luz“, de revitalização (limpeza social) da região da Luz – ao lado da Cadopô. O Projeto Nova Luz prevê uma “revitalização” da região, trazendo empresas (e expulsando pessoas pobres). Isso fará com que o valor dos imóveis e terrenos subam de valor, ou seja, com as desapropriações que a prefeitura está fazendo hoje, daqui a alguns anos ela terá valorizado seus investimentos.
Aliás, se o projeto é desenvolver o centro de São Paulo, porque não deixar se instalar um Centro Cultural na Cadopô ao invés de fazer um arquivo? Faz algum sentido?
Vivenciei aquele espaço por cerca de 1 ano e meio, e hoje é para mim, enquanto politécnico, o dia mais triste da minha vida, e enquanto cidadão, um dia absolutamente triste.
Vou guardar muitas boas recordações da Cadopô, mas sempre terei em meu coração a tristeza de saber do potencial público daquele espaço que foi enterrado.
Tenho certeza de que o Arquivo Histórico Municipal é importantíssimo, mas acho que essa não é uma troca justa, tendo tantos prédios PÚBLICOS (que não precisam nem de desapropriação ($)) parados por aí.
Fica aqui uma pequena e singela homenagem a uma história de quase 50 anos.

Em Construção 1…

No Bar da Cadopô…

Em Construção 2…

De quem será o quarto?…
Galerinha do Bem…
A mais alta e resistente…

…curtindo os últimos momentos…

com um sentimento gélido de cortar a alma…


Wiki da Casa do Politécnico – Coletânia de histórias da época em que foi moradia estudantil feita que eu organizei.

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Alguns links sobre a Cadopô – E dizem que ela está abandonada….
João Batista de Andrade – História sobre a movimentação política da Cadopô
Felco – Festival Latinoamericano de la Clase Obrera 2006
http://www.ciranda.net/ – Felco de novo
http://estudiolivre.org/ – Arte!
http://www.queenbrazil.com/ – Evento do Primeiro Fã-Clube do Queen (banda inglesa) na Cadopô!
http://www.spiner.com.br/ – Teatro!
Sexo Verbal – Teatro
Caio Fernando Abreu – Teatro
http://www.spiner.com.br/ – Teatro
http://www.midiaindependente.org – Reunião sobre a UNCTAD (Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento)
http://de.geocities.com/crusp2004/ – História
http://receitas.br101.org/arroz-ovo-bacon.html – História
Gestão 1990 do Grêmio – História
http://www.b-coolt.com/ – Teatro! (veja no dia 12.04)
http://www.gremio.poli.usp.br/ – História da Cadopô
http://www.cadopo.eng.br/ – Comunidade de ex-moradores
http://www.grupos.com.br/ – grupo de ex-moradores
http://www.usp.br/ – Notícia
http://prefeitura.sp.gov.br/ – Notícia (Aham! Acredito em tudo que foi dito sim…. )
http://www.folha.uol.com.br/ – Notícia
http://www.fotoplus.com/ – Referência a projetos de divulgação de fotografia (incluindo acesso a laboratório fotográfico) pelo Grêmio Politécnico – Ref. 6 na Pág. 3

Crítica ao projeto Nova Luz :
http://www.projetosurbanos.com.br/
http://www.territoria.com.br/
http://www.territoriogeografico.com.br/

Mão na M…..

“Pq a galera não põe a mão na massa e para de reclamar?”
Bem… pq qdo “a galera’ põe a mão na massa, ou tenta, é cerceada ou ignorada….
Exemplos?
1) Premissa 1: EU já havia dito, em reunião geral, que não poderia participar das reuniões gerais por motivos pessoais (conflito de horários com outra atividade que não posso perder).
Premissa 2: Havia sido instituido pela reunião geral do Grêmio Politécnico que a organização da Pauta para a Reunião Geral seria a Seguinte:
….. A) As pautas deveriam ser inseridas no Fórum (http://www.gremio.poli.usp.br/forum) até as 23h59 do dia anterior à reunião.
….. B) Após as 23h59 do dia anterior, qualquer pauta que se desejasse inserir no fórum deveria ser enviada por escrito à Secretária do Grêmio Politécnico.
….. C) Outra forma de colocar pauta na reunião Geral do Grêmio Politécnico é estando presente na mesma fazer o pedido de inserção de pauta.
Na reunião geral do dia 10/02 foi debatida a questão da sala denominada “Comunicação”, que a mesma deveria ser organizada e ter computadores funcionando. Eu fiquei como responsável por fazer tal organização (sem estar presente à reunião).
Aceitei sem problemas, e, juntamente com o Caio Fattori, organizei o que foi possível. Deixamos 4 computadores funcionando perfeitamente.
Pensando num melhor funcionamento do Grêmio – que consistiria na sala Comunicação em pleno funcionamento e na Secretaria não tumultuada para utilização dos computadores – também fiz um levantamento das necessidades de renovação de infra-estrutura, do ponto de vista de informática, do Grêmio. Este levantamento contemplou uma renovação da infra-estrutura de rede e a compra de novos computadores. Tal levantamento foi parcialmente colocado como pauta dia 21/02 para a Reunião Geral do dia 26/02. No próprio dia 26/02 eu coloquei uma descrição bem detalhada dos equipamentos e investimentos a serem feitos, com opções de cotação para tudo. Porém ninguém sequer leu o que estava escrito no fórum. No dia seguinte, eu fiquei puto ao ler a ata da Geral e ver que o tópico nem ao menos foi citado na reunião! Acabai tendo de ouvir que “as pessoas não leêm mesmo o que está escrito, ninguém lê o que eu escrevo”. Depois ouvi, também, que o problema é que as pessoas não conheciam como funciona o fórum direito (o que não me convenceu, pois quase a totalidade desta gestão atual esteve presente em reuniões gerais ano passado, nas quais nós liamos o conteúdo dos tópicos postados no fórum). Me dei ao trabalho de explicar a algumas pessoas nessa mesma semana sobre a importância de ler o que foi escrito no fórum, utilizando como exemplo o caso da revista “Caros Amigos”, que passou nessa geral do dia 26, e que foi aprovado o pagamento da assinatura da revista, mesmo eu tendo escrito no fórum que o Grêmio nunca pagou tal assinatura, nós ganhamos a assinatura (por 2 anos consecutivos!) – E ninguém leu!
Bem, na semana seguinte (04/03) coloquei como pauta “Pautas da Reunião passada que não foram discutidas”. E o que aconteceu? Claro… a pauta não foi discutida novamente… Para a reunião do dia 11/03 o Leonardo Ramos colocou como pauta “Pautas pendentes da Geral Passada”… Mas nada das pautas serem discutidas novamente…. Além disso o Leonardo havia colocado, também, como pauta, “Bugiganga dos computadores”, dizendo que uma mulher havia pedido ao Grêmio que doasse os “restos” de computadores que estavam jogados na sala da comunicação à ONG que ela faz parte. Nada na geral também. Ai, no dia 1 de abril, durante uma discussão sobre o acesso à secretaria (em função do globo roubado durante o integra), o Marcus faz a sugestão de que alguém entre em contato com o Maurício (ex-funcionário) para que ele desse sugestões sobre os computadores! (Não sei se algo foi deliberado algo sobre, mas na ata da respectiva reunião não consta nada – Aliás, existe pelo menos 1 ata (18/03) que não foi enviada).
Além disso, durante o evento da Compra Coletiva (no máximo 1 semana depois de os computadores terem sido colocados em funcionamento) os computadores foram desligados e colocados no chão, as mesas foram levadas para fora da sala para serem utilizadas na compra.
As mesas só voltaram para a sala mais de um mês depois dessa data início da Compra Coletiva.
Por diversas vezes (antes e depois das mesas voltarem à sala) eu ouvi de várias pessoas o seguinte (tanto durante o período com mesas como após ele): “Ah, os computadores daqui não estão funcionando”.
Detalhe que ninguém sequer tentou ligar tais computadores novamente, eles estavam completamente desligados no chão da sala desde o primeiro dia da Compra Coletiva.
Durante este período um dos computadores que estavam no Poliglota (“Bart”) foi levado à sala da Secretaria do Grêmio, com o intuito de ser um computador exclusivo para a Diretoria (vide pauta em alguma(s) geral(is) e adesivo colado no monitor do mesmo).
Da comunicação o que restou além de um monte de computadores jogados pelos cantos foi 1 computador, que creio ter sido o Thiago (funcionário) a ligá-lo (pois já estava funcionando).
Para completar, para a reunião do dia 15/04, eu coloquei no fórum como pauta o mesmo tema, mas com um enfoque diferente. Propus que a diretoria do Grêmio entrasse em contato com o CCE (Centro de Computação e Eletrônica da USP) para que eles fizessem a manutenção dos computadores e até mesmo a renovação da infra-estrutura de rede e de computadores do Grêmio (lógico que isso tem um custo, mas é abaixo do mercado, além de a gestão em si não precisar mexer a bunda, já que eles fazem todo o projeto). Nem preciso dizer que não foi passado na geral né?
Bem, percebe-se que falta de tentativa de ajudar não é o caso!
Aliás, para dar um prejuízo de R$30.000,00 numa festa o Grêmio pode gastar…
Para pagar R$18.000,00 em um trio-elétrico para um evento da Atlética (sendo que o mesmo não é fundamental ao evento), com um suposto “plano maior” e até mesmo com lucro (já que o Grêmio está na pindura), que não sei em que instância do Grêmio foi discutido (talvez na instância corredódromo, já que em nenhuma ata de reunião geral consta tal plano), não se questiona muito.
Agora, na hora de comprar uma impressora, cerceia-se o uso de um departamento (afinal, “Compraremos a impressora que deverá ser usada apenas para assuntos do Grêmio”, não pode ser usada pelo Cursinho afinal, ele é um projetinho meia-boca que não dá certo e não envolve os politécnicos e dissemina cultura). Na hora de se tirar 12 reais em xérox para panfletar um evento GTP+Grêmio+Cursinho (aberto a qualquer pessoa), cogita-se dividir os custos entre o GTP e o Cursinho. Na hora de pensar levar os computadores velhos que estão jogados no Grêmio para o Escritório Piloto, questiona-se que “temos que ver se o EP estiver firme passamos os computadores” [ainda bem que não foi um pedido de verba para compra de novos computadores! – Aliás, pq o EP precisaria de novos computadores? Para trabalhar com projetos de engenharia?]
Inclusive, quando eu fui questionar as pessoas do motivo pelo qual as minhas pautas não passam em geral, a resposta que eu ouço é: “Ah, não tem como discutir uma pauta sem quem a colocou estar presente”. Portanto, concluo que as pessoas que não podem aparecer na geral não tem o direito de se expressar nessa gestão do Grêmio. Mas é como disse o Gui, “na hora de falar de auxilio, precisamos pensar como se o gremio nao tivesse dinheiro, mas quando é pra fazer alguma coisa q dá um prejuízo, ninguem tá nem aí, o gremio tem dinheiro mesmo”
Giulia, se você não gosta de ouvir críticas (que nem foram pessoais, foram ao coletivo!), desculpe-me, mas você está no lugar errado, quem quer representar as pessoas TEM que estar aberto a ouvir críticas. Concordo que a crítica pela crítica não serve de nada, mas se a crít
ica construtiva não é ouvida, ela se torna crítica pela crítica!
Aliás, pra finalizar, eu não preciso de 3 horas pra ver o que vocês estão fazendo, não tem 3 horas de informações sobre o que está sendo feito em lugar nenhum! E do que está sendo feito, basta uma rápida olhada para encontrar bizarrices!

Bem, se quiserem jogar meu e-mail na caixa de SPAM fiquem à vontade, mas essa gestão não está fazendo o Grêmio para os Politécnicos, e muito menos ouvindo-os! Com um Congressao da USP às vias de iniciar-se o foco das discussões se mantém em FESTA. Acho que pra isso o CEC (via Girafales) já está fazendo um bom trabalho, melhor inclusive que o Grêmio! É engraçado como as pessoas, quando têm o poder em mãos, caem nas mesmas práticas que antes criticavam (ou ainda criticam)!

Atenciosamente,

Diego

Movimentos Sociais, criticar é fácil!

Estava lendo uma reportagem que fala sobre o “Curta” “SintuspWars”, produzidos por alunos da Escola Politécnica da USP em meados de 2005. Não vou falar exatamente sobre o filme, mas sim sobre a reportagem que o cita.
A reportagem foi escrita por Reinaldo Azevedo, Colunista do site Veja On-Line, no dia 10 de fevereiro de 2006. O título é ‘Um exemplo de como age um sindicato dentro da USP: no momento, ele é aliado dos reitores paulistas. Bonito, hein, Magníficos!?
Segue abaixo o comentário que eu postei no blog dele, a minha crítica sobre o assunto.

“Caro Reinaldo, sou estudante da Politécnica USP, e amigo das pessoas que produziram o vídeo. Acho que posso fazer alguns comentários que são válidos e importantes.
Os métodos utilizados pelo Sintusp para divulgação de Manifestações, funciona muito bem na maior parte das unidades da USP, pelo menos isto é o que eu já ouvi de muitas pessoas, tanto de algumas unidades como dos próprios. Porém tal método não tem eficiência na Escola Politécnica. Após esse vídeo eles vieram conversar com nós, via Grêmio Politécnico, para tentarmos chegar a um método que funcione para informar os alunos da Escola Politécnica. Ou seja, eles se preocuparam em vir conversar para tentar resolver os problemas de comunicação.
Vale também o comentário que, atualmente, a maior parte dos estudantes universitários não está preocupada em pensar no país e na situação que estamos vivendo, com corrupção às claras, violência descontrolada, e outros problemas. A maior parte dos estudantes universitários quer apenas estudar para tirar seu diplominha para e ir ganhar seu dinheirinho.
Hoje em dia não existe mais um pensamento coletivo de discutir o país e tentar mudar e melhorar as coisas, apenas existe o pensamento de reclamar – e ficar sentado esperando que alguém faça algo. Os pais dizem aos filhos que Movimento Estudantil(ME) é besteira, perca de tempo, os professores e a própria Universidade não dão o espaço que deveriam à movimentação estudantil. E isso cada vez mais é característica de nossa sociedade, essa apatia generalizada está a cada dia mais forte, e acho que criticar as pessoas que tentar mudar alguma coisa é algo que tem que ser bem pensado. Deve-se, sim, criticar métodos, mas deve-se também dar sugestões, debater, e, principalmente, participar ativamente da construção da Sociedade.
Hoje faço parte do Movimento Estudantil e me dedico muito a ele. Mais até do que poderia, considerando o curso que eu faço, Aprendi muito já, mais até do que todos os meus colegas que ficam apenas estudando – Veja bem, eu falei APENAS estudando -, e não me arrependo de ter tido alguns “prejuízos” no meu curso. Pois sei que estou fazendo a minha parte por um mundo que eu acho melhor.
A imagem das pessoas que participam de movimento estudantil, que mostra um bando de “drogados” que não querem nada da vida é passado, hoje a maior parte das pessoas que convivem comigo no ME são pessoas que estudam bastante, muitos trabalham, e ainda dão um jeito de participar do ME. O Cursinho da Poli-USP (http://gremio.poli.usp.br/cms/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=21&Itemid=29) é um belo exemplo disso. Vale conhecer.

Bem, acho que o que tenho a falar é isso. Espero que possa ter mostrado uma realidade que nem sempre é evidente, e que possa fazer alguma diferença.

Atenciosamente,

Diego Rabatone Oliveira
Diretor do Grêmio Politécnico da USP”