Fim do curso de Engenharia de Computação da Poli-USP

Logo PCS Poli USP

Fim do curso de Engenharia de Computação?

Na primeira semana de julho fiquei sabendo que o “Departamento de Computação” (PCS) da Poli USP decidiu parar de oferecer o curso de Engenharia Elétrica com Ênfase em Computação (popularmente conhecido como Engenharia de Computação Semestral, ou, “Comp Semestral”). Essa decisão ainda precisa ser ratificada pela Congregação da Escola Politécnica da USP (agosto ou setembro) e também pelo Conselho de Graduação da USP (CoG). O Curso não mais será oferecido, e as 60 vagas do curso serão distribuídas entre os demais cursos de Engenharia Elétrica (Poli-USP).

No fim das contas a Poli ficará apenas com um curso de Computação, o cooperativo (ou quadrimestral). O motivo alegado para esta decisão é: a nova estrutura curricular da elétrica ficou inviável, excessivamente pesada para alunos e professores.

A computação, o PCS e a EC3

Fui representante discente na Congregação da Poli e também no próprio PCS. Dentre muitas atividades e projetos dos quais participei, contribui com a comissão que debateu, pensou e formulou a base da nova estrutura curricular da Poli, a EC3. Era uma proposta moderna, e alguns dos ideias que a moldaram eram: modernizar e sanar algumas deficiências/problemas dos cursos; e dar mais liberdade aos estudantes para que eles pudessem fazer mais atividades e ter uma formação mais abrangente. Por isso, um dos itens mais importantes da proposta era que, a partir do segundo semestre do curso, sempre houvesse espaço para uma disciplina optativa livre, que o estudante pudesse escolher qualquer disciplina em qualquer lugar da USP. Afinal de contas, vivemos num mundo em que é cada vez mais necessário ter conhecimentos e experiências diversas. Além disso, também havia a ideia de permitir que os estudantes tivesse mais tempo para atividade extracurriculares. Essa proposta saiu de um grupo que contou com discentes e docentes da Poli, depois de quase 2 anos de trabalho, nos quais foram estudados e avaliados modelos e regras de universidades do Brasil e do exterior.

Assim que a proposta base foi aprovada, cada departamento da Poli deveria organizar sua própria Estrutura Curricular (grade de disciplinas). Alguns departamentos iniciaram as discussões com seus estudantes, mas o PCS decidiu montar a estrutura curricular num “petit-comitê“, formado apenas por alguns poucos docentes e sem a participação de nenhum estudante – apesar de eu, Representante Discente do Departamento à época e membro da comissão que montou a proposta base, ter dito explicitamente várias vezes que desejava participar. A grade decidida pelo departamento praticamente acabava com a proposta de disciplinas optativas livres, e reforçou características que já eram muito criticadas pelos estudantes há tempos. Houve uma clara tendência a reforçar a presença de disciplinas ligadas aos grupos que estavam na comissão, enquanto disciplinas de outros grupos foram retiradas da grade (como Linguagens e Compiladores, por exemplo, que deixou de ser uma disciplina obrigatória). Ou seja, as diretrizes pensadas foram ignoradas no limite do possível, e hoje estão todos e todas, docentes e estudantes, sofrendo as consequências. E optamos pela mais traumática e radical das soluções, encerrar o curso.

Um pouco mais de histórico do PCS

Vale lembrar que o PCS experimentou o curso de Engenharia de Computação Cooperativo (Quadrimestral) em Cubatão no início dos anos 90, curso esse que foi encerrado antes do fim da primeira turma, que teve que se transferir para a Capital. Já mais recentemente o PCS iniciou mais um curso um tanto quanto “marqueteiro” de “Engenharia de Computação (com ênfase em Sistemas Corporativos)” na USP Leste, curso esse que também durou dois ou três anos, foi cancelado e fez com que os estudantes tivessem de se mudar para o Campus Butantã. Percebe-se ai uma certa tendência a tomar decisões não muito boas no curto prazo (pensando no tempo de um curso de graduação).

E o que eu acho disso tudo?

Eu, como egresso do curso, acho um grande erro encerra-lo. Acho que deveria se buscar sanar as deficiências, reduzir a grade, parar de tentar tutelar demais os estudantes – porque achar que os docentes é quem devem definir a grade completa e fazê-la a mais cheia possível é achar que os estudantes não sabem tomar decisões sobre seu futuro; e manter o curso.

Ficar apenas com o modelo Quadrimestral me parece um grande erro, primeiro porque vai afastar ainda mais o departamento do resto da Escola (com grades de periodicidade diferente os estudantes dos Quadrimestrais interagem muito pouco com os demais). Em segundo lugar porque este é um curso muito engessado em termos de disciplinas diversas e formará alunos com uma amplitude menor de conhecimento. Em terceiro, e mais importante, não são todos os estudantes que possuem condições de vida de poder estudar quatro meses intensamente e trabalhar quatro meses, alternadamente, durante sua graduação. Alguns precisam trabalhar para se sustentar, e o modelo proposto inviabiliza muito essa realidade, que a Poli como um todo deveria acolher, e não rechassar.

Enfim, estes são alguns dos meus pensamentos sobre o que está se passando. Espero que a Congregação da Escola Politécnica não deixe essa história seguir em frente da forma como está indo, e reforço a minha opinião de que a cultura de decisões de “petit-comitê” do PCS me parece mais danosa do que proveitosa.

Reforma Política e Mamilos

Contexto: Comentário que escrevi após ouvir o Podcast Mamilos#27 sobre Reforma Política (Recomendadíssimo!).

Tentando contribuir com alguns pontos.

Vou começar com a questão “Doar para Partido” x “Doar para candidato(a)s”. Acho que esse ponto fica polêmico quando assumimos doações empresariais e sem limite de valores. Não vejo ninguém questionar pessoas físicas doando para partidos, seja dentro ou fora dos períodos de campanha (quando não existem candidatos).
Eu pessoalmente acho péssima a possibilidade de empresas doarem rios de dinheiro aos partidos. A eleição de 2014 foi a primeira eleição que tivemos um trabalho minimamente razoável de prestação de contas das campanhas eleitorais, até então era impossível fazer qualquer auditoria nas contas de campanha. E grande parte dessa impossibilidade era advinda do fato de que havia o fenômeno das “doações ocultas”, ou seja, o dinheiro era erado para o partido ou para comitês partidários (p.ex. “Comitê Financeiro Único” do PMDB-SP), e esses faziam a redistribuição dos recursos aos candidatos, ocultando a “origem” do dinheiro.
Em 2014 todas as doações, mesmo que passando por partido/comitê deveriam ter sua origem identificada. Isso permitiu fazer o tracking do dinheiro, apesar de ainda haver alguma dificuldade. Com isso foi possível, pela primeira vez, fazer trabalhos como:
http://estadaodados.com/padrinhos/
http://estadaodados.com/eles_elegem/
http://estadaodados.com/doacoes2014/

Eu participei dos 3 projetos, então sei o quão difícil foi fazer o tracking do dinheiro.

Mas no fim das contas eu acho que do ponto de vista de financiamento de campanha o grande problema, e o que gera grande parte do personalismo que observamos na política partidária eleitoral, é o fato de que os partidos distribuem os recursos de forma completamente desproporcional entre seus candidatos. Se a ideia é fortalecer os partidos, poderíamos realizar mudanças que reduzissem as disparidades dos(as) candidato(as) em termos financeiros e de tempo de tv. Isso inclusive desencorajaria as grandes empresas a doarem tanto quanto doam, porque o dinheiro delas seria distribuído de uma maneira que reduziria muito o poder de pressão e influência sobre uma única pessoa.

Outra questão que poderia contribuir seria limitar os gastos de campanha. Olhando do ponto de vista sistêmico, se o objetivo da campanha é fazer com que a sociedade debata e conheça as candidaturas (e não candidato(a)s), então me parece fazer sentido promover uma distribuição mais equitativa de tempo e dinheiro entre as candidaturas. Não precisa ser necessariamente igual para todo mundo, mas me parece razoável que haja uma equidade maior.

Isso inclusive poderia fazer com que os partidos tomassem mais cuidado na escolha de candidato(a)s. Claro que existem ônus também, visto que isso provavelmente dificulta a inserção de pessoas com menor expressão pública dentro dos grandes partidos.

Agora pontuando uma questão mais focada no financiamento empresarial de campanha, acho que precisamos pensar “no que queremos”. É comum ouvirmos o discurso de que “as empresas fazem parte do país, qual o problema delas defenderem os interesses delas?”.
Assumindo que é válida a tese de que as empresas tem o “direito” (desde quando empresa tem direito? Quem tem direitos constitucionais são pessoas não?) de defender seus interesses por meio de doações de campanha, trago os seguintes dados:
“Atualmente, (as micro e pequenas empresas) são responsáveis por 84% da geração de empregos. Enquanto isso, as médias e grandes empresas ocupam 16%.”[1]. Porém, elas representam 27% do PIB, 52% dos empregos com carteira assinada e 40% dos salários pagos[2]. No Brasil elas representam 99% das empresas[3].
Ou seja, do ponto de vista de capital elas possuem um terço das média e grandes empresas, mas elas são 99% das empresas e empregam mais pessoas. Mas seu poder de influência é extremamente menor que das grandes empresas. Ao permitir o jogo empresarial sem considerar essas proporções, estamos favorecendo que uma parcela extremamente pequena seja privilegiada no jogo de poder da política, mesmo essa parcela não tendo representatividade em termos de pessoas empregadas e população. Estamos permitindo uma enorme distorção da representação que o parlamento deveria ‘reproduzir’ – que, no meu ponto de vista, é a representação da população, e isso não quer dizer que deva ser uma representação censitária;

Mas no fundo no fundo, eu acho que o mais importante de tudo é debatermos como podemos tornar as Instituições (seja legislativo, executivo e também judiciário) mais permissivas e transparentes, com mais espaço para participação, atuação e influência da população, de uma forma direta. Não estou falando aqui de propostas de “democracia líquida”, mas sim que precisamos de mais mecanismos de participação e controle social, direto e distribuído, sobre as instituições representativas. E, com isso, também é fundamental a participação fora dos períodos eleitorais. Resumir nossa participação política ao voto é o maior dos erros. (Nossa, eu dei uma pausa no podcast bem no finalzinho, antes da última fala da Cris, para escrever esse comentário. Logo depois de terminar esse parágrafo eu dei play novamente e o comentário da Cris foi exatamente esse, não podemos nos resumir ao voto…. ótimo!)

E agora só jogando um ponto que ainda não apareceu na discussão mas que acho importante de ser pensado no contexto de representatividade e parlamento, acho que precisamos discutir com seriedade a regulamentação do Lobby. Porque isso é algo que ocorre sempre, mas que sem uma regulamentação acaba por favorecer quem já tem mais força (econômica). Inclusive é aqui que a doação de campanha das grandes empresas realmente aparece, porque são estes lobistas que fazem pressão naqueles que receberam “doações”.

p.s: Só um relato pessoal sobre como é relevante entender “as regras do jogo” das eleições. Nas duas últimas eleições para Dep. Fed. eu havia votado no Ivan Valente, e fiquei feliz com o trabalho que ele fez. Nesta última eleição eu doei para a campanha dele mas não votei nele. Votei num outro candidato do partido, mas com menor expressão. Mas fiz isso sabendo que, no fim das contas, pela regra do jogo, meu voto iria ajudá-lo a se eleger, e de quebra ainda pude dar meu apoio dentro do partido a uma pessoa diferente, ainda nova na disputa.

Nossa, acho que exagerei….. vai virar post no blog rs.

Linkando caso alguém queira continuar o debate futuramente em outro espaço com divergências temáticas:

http://

[1] http://radioagencianacional.ebc.com.br/economia/audio/2015-02/micro-e-pequenas-empresas-geram-84-dos-empregos-do-pais
[2] http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/mt/noticias/Micro-e-pequenas-empresas-geram-27%25-do-PIB-do-Brasil
[3] http://www.sebraesp.com.br/index.php/234-uncategorised/institucional/pesquisas-sobre-micro-e-pequenas-empresas-paulistas/micro-e-pequenas-empresas-em-numeros

 

Bolsa Família, o que é e o que não é

Bolsa Família
Bolsa Família
Bolsa Família

Como tenho ouvido um monte de besteiras sobre Bolsa Família, algumas por desinformação, outras por maldade mesmo, resolvi fazer a compilação de uma série de links que podem ajudar quem quer de fato se informar sobre o assunto e entender um pouco melhor a realidade do programa.

Depois de lidar com esses dados algumas vezes eu digo que nunca vi nenhuma ação de nenhuma entidade (pública ou privada) que conseguisse ter o grau de detalhe e informação que esse programa tem. É de assustar o quão eles conseguem chegar das maiores cidades do mundo às mais afastadas. Ao mesmo tempo, ter todas essas informações disponíveis publicamente, inclusive os beneficiários e o quanto cada família recebe mensalmente. Duro é ver críticas a esse programa vindas de pessoas, em geral com uma ótima formação e diplomação, que sequer se deram ao trabalho de buscar conhecer de verdade o programa e o que está disponível sobre ele, pessoas que eu duvido que sequer conheciam o site oficial do programa ou o “hotsite” do Portal da Transparência sobre o mesmo.

Informações oficiais do programa:

Relatórios sobre o Bolsa Família da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde – Aqui existem uma série de relatórios do programa, incluindo famílias assistidas por município, número estimado de famílias identificadas que se enquadram nos requisitos do programa (por município), percentual dessas famílias atendidas, e por ai vai. Se quer conhecer de verdade o programa tem que dar uma olhada nessa informações!

Portal da Transparência do Governo Federal – Área exclusiva sobre Bolsa Família – Neste site você encontra informações da Controladoria Geral da União com o todos os pagamentos dos beneficiários do programa Bolsa Família no ano de 2014, discriminados por estado, cidade e indivíduo, com o valor total recebido no ano e também o discriminado mensal. Se quiser ver esse dado para outros anos que não 2014 na página principal do Portal da Transparência (http://www.portaltransparencia.gov.br/) você pode escolher o ano que deseja no quadro ” Despesas – Pagamento” > “Consultas Temáticas”.

Portal Oficial do Programa Bolsa Família com todas as informações oficiais do programa.

Respostas às Perguntas Frequentes sobre o Programa, com respostas advindas dos portais do Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome (MDS) e da Caixa Econômica Federal

BR Bolsa Familia 1st APL – Página do Banco Mundial dedicada a informações, dados e relatórios do programa Bolsa Família

——

Outros links que tratam sobre o programa, tirando dúvidas ou falando sobre ele:

 

Sobre o escândalo da Petrobrás, precisamos de mais lupa

lupe-160478_640O escândalo da Petrobrás deve ser o assunto mais pautado nas últimas semanas, e continuará assim por mais algumas (no mínimo até o fim da eleição).

Acho que é um escândalo extremamente sério e que precisa mesmo ser investigado até o fundo e todos os envolvidos punidos (e dinheiro público devolvido).

Todo escândalo tem se baseado nos depoimentos do Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, e do Alberto Yousseff, “doleiro”.

O que eu gostaria é que TODOS os nomes citados por eles, seja de pessoas físicas, seja de empresas, fossem devidamente investigados “em escala”. Ou seja, se uma empresa foi citada como parte do esquema, que TODOS os contratos dessa empresa com qualquer órgão público (federal, estadual, municipal) e em qualquer momento (década de 80, 90, 00, 10) fossem devassados e verificados.

Digo isso pois não sou inocente, nem mesmo falso ou hipócrita, para acreditar que essas empresas já conhecidas e citadas pelos delatores (Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Iesa, Engevix, Mendes Junior e UTC, etc)tenham iniciado esses “esquemas” só no governo atual ou “nos governos do PT”. Empresas desse tamanho que entram nesse jogo o fazem de forma sistêmica, e vão atuar assim na Petrobrás, no Metrô de SP, no Rodoanel (SP), na “Ferronorte”, “Transposição do São Francisco”, expansão da Marginal Tietê, e por ai vai.

Por isso gostaria muito de ver uma “devassa em cascata”, que tenho certeza que pegaria gente do PT, PSDB, PMDB, PP, e de muitos outros partidos com poder e influência (ou partidos de aluguel), que fazem parte todos de um mesmo Sistema de poder – tanto é que todos estes partidos são fortemente financiados por essas mesmas empresas.

Enfim, mais transparência e fiscalização e menos hipocrisia, é o que eu gostaria. Cade a investigação do caso ALSTOM de SP? E da SABESP?….

Só lembrando, que com mais dados abertos e mais transparência talvez consigamos, com mais olhos e mais lupas, evitar mais casos assim.

Uma proposta para assinatura de documentos públicos aderente à LAI

PDF Fechado
PDF Fechado
PDF Não é Dado Aberto!

Você já tentou acessar algum documento público e deu de cara com um PDF?

E quando esse PDF é uma imagem escaneada/digitalizada de um documento impresso?

É péssimo não? Mesmo se o documento for “apenas” textual e não contiver tabelas – se houver tabela então a vontade de suicídio é quase imediata!

Qualquer pessoa com um pouquinho de envolvimento no debate sobre Dados Abertos, Lei de Acesso à Informação e Transparência sabe que PDF NÃO É DADO ABERTO, e que a sua utilização desenfreada é um grande entrave à evolução. Mas, mesmo assim, um dos casos mais comuns de utilização de PDF com imagens digitalizadas de documentos impressos é para documentos que precisam de assinatura.

Vou tomar aqui como exemplo um dos Substitutivos do Projeto de Lei do Marco Civil da Internet. Este documento contém uma rubrica em cada página (do relator? Sério que aquele rabisco vale alguma coisa? Ele é “infalsificável”?) e uma assinatura no final do documento (essa sim do relator). Essas assinaturas/rubricas servem como justificativa para que este tenha que ser o formato oficial.

Tirando o fato de a rubrica ser absolutamente rudimentos e insegura, acho que hoje em dia temos tecnologias suficientes para aumentar a segurança/fiabilidade desses documentos, agilizar o processo de assinaturas de documentos que exijam a assinatura de diversas pessoas e também permitir que estes documentos possam ser distribuídos em formatos que permitam sua leitura por máquina (de acordo com a Lei de Acesso).

Uma dessas tecnologias possíveis é a utilização de mesas digitalizadoras e/ou “tablets” e/ou notebooks com telas sensíveis a toque para que esses documentos possam ser assinados “digitalmente” com as assinaturas “comuns” de quem deve assiná-lo. Assim, todo o resto do documento continua permitindo buscas no próprio documento (usando o “find” dos leitores de pdf).

Mas essa não é a melhor solução ainda, porque PDF não é dado aberto. Temos soluções melhores até do que essa digitalização, que é a utilização de certificados digitais (p.ex. o e-cpf) para Assinaturas Digitais de documentos. Muitos tribunais de justiça já utilizam essa tecnologia de assinatura eletrônica usando certificado digital – mas continuam distribuindo apenas PDFs assinados digitalmente.

Fico imaginando o quão ridiculamente simples é um ambiente no qual os parlamentares podem assinar (remota e simultaneamente) um determinado projeto de lei, e que este mesmo ambiente permita que qualquer pessoa baixe o texto do projeto em formato TXT (ou XML ou JSON, ambos para exportar metadados junto do texto integral) e também baixe o PDF assinado digitalmente com o texto na íntegra (para imprimir ou para algum tipo de distribuição). Claro que o PDF sempre deveria vir com um link para o texto original para fins de verificação.

Isso agilizaria infinitamente os processos todos, seria mais sustentável (menos papel), mais organizado, mais barato, mais público, mais transparente, enfim, só traria ganhos para todos os lados. Precisamos urgentemente dessas soluções.

E claro, esse ambiente deveria considerar a utilização de sistemas de versionamento do texto, assim os parlamentares assinariam uma determinada versão do documento e, eventualmente, um ou outro “patch”, e nós poderíamos pegar apenas os “diffs” caso fosse interesse, ou saber quem apoia qual mudança no texto.

Reflexões sobre a RodAda Hacker

Lá vamos nós para mais uma RodAda Hacker (RH)!

rodada

Aos que não conhecem, sugiro olhar no site (link acima) e conhecer melhor, mas, resumidamente, a RodAda Hacker, do meu ponto de vista, é um espaço para hackear nosso modelo de sociedade (e tudo que nele está incluso!) para construir uma sociedade mais igualitária e justa. E na rodAda fazemos isso por meio do aprendizado colaborativo e coletivo de ferramentas de programação, focando principalmente em meninas e mulheres, para dar-lhes autonomia e termos mais mulheres no mundo da tecnologia e transformação social.

A RH não é simplesmente uma “oficina de programação”, ou um “curso de programação”. Se isso fosse, não seria um espaço de transformação social, seria simplesmente mais um espaço de formação de mão de obra, que iria incluir no mercado de trabalho mais mulheres com “tech skills“, e estas possivelmente ganhando menos do que homens para realizar a mesma função, reforçando assim os preconceitos e determinismos existentes hoje. Por isso eu defendo a RH enquanto um espaço de transformação social, de mudança de paradigma, no qual a tecnologia é apenas uma ferramenta e um meio, nada mais do que isso. E, pensando assim, acho que tudo que envolve a RH deve ser pensado, refletido e articulado pública e coletivamente, porque pensar e refletir sozinho(a) não leva a reflexão a outras pessoas e outros patamares.

Eu fui à primeira RH, e foi algo simplesmente maravilhoso. Estou devendo um post sobre como foi, e o farei (enquanto isso leiam o post do Capi). Serei tutor novamente, e é da construção desta RH que quero falar, partindo dos conceitos que passei acima.

Construindo a segunda RodAda

Percebam que eu disse que quero falar da construção desta segunda RH de SP, e não da organização dela. A Daniela Silva, idealizadora da rodAda, decidiu expor a todas as pessoas envolvidas (tutoras, tutores e inscritas) uma questão que foi levantada por boa parte das interessadas que se inscreveram, que é a demanda das mulheres por cuidar de suas filhas e seus filhos, e tentar chegar a uma solução coletivamente, ouvindo todas as pessoas envolvidas.

Eu achei sensacional a atitude da Dani, porque é assim que o processo de transformação tem que ocorrer, de forma coletiva, com todas as pessoas pensando e refletindo sobre ele, sabendo das dificuldades, próprias e das outras pessoas, e ajudando a construir uma solução que contemple todas as necessidades na medida do possível, aprendendo a reconhecer as dificuldades e ceder um pouquinho para poder contemplar mais pessoas, cada uma com suas limitações e dificuldades, mudando nosso paradigma de “eu” para “nós“.

Algumas consequências surgiram desta iniciativa, eu pensei muitas coisas que vou compartilhar abaixo.

Algumas questões, tudo junto, misturado, mas separado.

Do Eu e do Nós, o coletivo e o diálogo

Infelizmente nós vivemos na sociedade do Eu, na qual as nossas necessidades individuais e de curto prazo estão sempre à frente, de forma exclusiva, às necessidades do Nós. As pessoas (aglomerado de Eus) tem muita dificuldade de entender que a força do coletivo (Nós) é sempre maior que a força do aglomerado. Um pouquinho disso pode ser visto e sentido recentemente nas passeatas e manifestações que ocorreram em São Paulo, e ainda ocorrem pelo país. Enquanto éramos milhares em nossos sofás reclamando, e reclamando aos vizinhos nos elevadores, nada mudava. Mas quando nos transformamos a indignação em algo coletivo e público, algumas coisas começaram a mudar. E digo começaram, porque ainda tem muito o que ser feito, e precisamos continuar como Nós para que mais mudanças ocorram, e mudanças de longo prazo. (Tenho milhares de críticas e discordâncias com muita coisa que aconteceu, mas não vem ao caso).

Nesse contexto, algumas das pessoas inscritas na rodAda, e interessadas em aprender a tecnologia (justíssimo!), se posicionaram de forma rígida e absoluta contra a presença de crianças no espaço, ou próximo a ele, pois estas iriam atrapalhar o “objetivo da atividade” – aprender a programar para usar isso profissionalmente.

É importante refletir que (quase) ninguém aprende um novo conhecimento, de uma área que não domina, em um dia e sai usando isso no mercado. Acho um pouco de ilusão pensar assim, e a RH não me parece caminhar nesse sentido. O objetivo deve ser dar os primeiros passos e, principalmente, aprender a ter autonomia. As comunidades hackers e de software livre são totalmente necessárias do senso de coletivo, porque é no coletivo que buscamos apoio, ajuda, respaldo, e é nele que se sustenta a força dessas comunidades. E pensar a RH é pensar na formação de um coletivo de mulheres (e homens também, porque não), que vão oferecer apoio e suporte, técnico e não técnico, para todos e todas. Se começamos já nos posicionando de forma individualista, sem diálogo, excluindo algumas pessoas com necessidades e demandas diferentes das nossas, essa formação de comunidade fica comprometida, e o grande benefício fica de lado. O aprendizado técnico de um dia pode não ser suficiente e se perder rapidamente (e tende a ser assim), mas uma comunidade não se perde dessa forma e contribui para a solução dos problemas técnicos.

Por isso acho absolutamente fundamental a busca coletiva por soluções que satisfaçam as necessidades de todas as pessoas envolvidas, o olhar para o próximo, o diálogo e a capacidade de entender que nem sempre todas as nossas condições podem ser satisfeitas.

Isso, claro, vale para os dois lados. As duas necessidades postas são importantes e justas, tanto a de aprender a técnica quanto a de ter uma criança que precisa de cuidados (desde bebês até crianças mais velhas) – e porque não, como bem foi pontuado, idosos e idosas que também podem ser dependentes de cuidados mais próximos!

Eu serei um tutor, e vou ajudar ao máximo todas as pessoas presentes, sem distinções, e gostaria muito que todo mundo que se interessou na RH participe e se abra para a construção coletiva. Mas se alguém tem uma necessidade muito urgente de aprendizado da técnica, talvez a RH não seja o melhor lugar e essa pessoa precise, também, de buscar uma escola de formação técnica.

Mães, filhos, pais, mulheres e homens

Uma outra questão que me chamou muito a atenção na discussão (e no meu email chegaram 35 de pelo menos 45 emails trocados), foi a questão de Gênero.

A começar que só mulheres respondera me trocaram emails, mesmo sabendo que muitos homens também acompanharam a troca de emails desde o começo. Quando eu olhei meu email e vi 35 mensagens, um debate caloroso, fervoroso e riquíssimo, e nenhuma mensagem de homem fiquei muito incomodado e decidi escrever – só que tinha tanta coisa para falar e refletir que preferi fazer esse post de blog, que compartilharei com todo mundo na thread.

O segundo ponto a destacar é a clara reflexão de que os homens não fazem parte efetivamente do cuidado e da criação dos filhos e filhas, e o quanto as mães não se sentem à vontade de forma natural para deixar as crianças com os pais e dedicarem um tempo para si próprias. Claro que existem casos e casos, mas ainda são exceções.

O terceiro ponto que notei, do ponto de vista de gênero, é que foi cogitado por muitas pessoas organizar um local aonde as mães poderiam deixar seus filhos, atrelado à contratação de alguém(ns) que pudesse(m) cuidar das crianças. E praticamente todos os comentários sobre contratação foram no sentido de contratar uma profissional, ou uma arte-educadora, ou a mãe de alguém, ou a amiga de alguém. Olha que loucura, mesmo num espaço de reflexão, no qual claramente há uma questão de gênero posta, e o ponto que destaquei no parágrafo anterior, o primeiro, e majoritário, pensamento é em convidar/contratar mulheres para cuidar das crianças, e não me lembro de ter visto questionamentos sobre isso (o fato de serem mulheres).

Claro que as mulheres possuem mais habilidades para cuidar de crianças, porque elas foram educadas socialmente para isso desde pequenas (#goBarbie!). Mas os homens também são capazes. Inclusive tenho certeza de que existem alguns que fazem isso profissionalmente, ou voluntariamente, e dariam conta do recado.

Para ser justo, acabei de lembrar que a Dani comentou que na primeira RH tínhamos uma mãe presente, a Bianca, com sua pequenita Cecília (ainda de colo), e que um dos tutores ajudou nos cuidados da mesma durante a atividade. Isso pode ter “atrapalhado” de algum forma o desempenho do ponto de vista do aprendizado técnico? Talvez sim, talvez não, mas certamente isso permitiu que a Bianca construísse algo concreto (), que talvez nunca tivesse sido pensado e saído do plano das ideias se a pequenita não pudesse participar de alguma forma. Aliás, recomendo fortemente a leitura do post da Bianca e a visita ao projeto que ela construiu. O post no blog deixa muito claro o quão importante é a Comunidade e o senso de Coletivo, e o quanto a técnica não é nada sem isso!

Mas voltando à questão, eu acho que seria extremamente transformador, por exemplo, construir um espaço nos quais homens ficassem responsáveis pelas crianças, sejam eles pais ou não das mesmas. Principalmente porque é importante entendermos que trazer as mulheres para o mundo da tecnologia e do mercado de trabalho é algo que tem que caminhar junto a trazer os homens para a responsabilidade conjunta da casa, e que “cuidar da família” não é colocar dinheiro em casa e decidir como ele será gasto. Assim como, por exemplo, é fundamental um debate sobre jornada de trabalho (eu quero 30 horas!) e outras afins. As coisas não são estanques, e precisam ser pensadas em conjunto. Quem sabe na próxima RH de SP (3a) não lançamos, em paralelo, uma Oficina Ser Pai (com P maiúsculo!)? #let’sHack.

Mas porque aqui e não lá, e o que eu tenho a ver com isso tudo?

Voltando à questão de porque eu não escrevi diretamente no emails e vim aqui para o blog, e fazendo uma autorreflexão e uma autocrítica.

Acho que foram três motivos que me levaram a escrever aqui e não nos emails.

O primeiro deles é que eu queria escrever bastante, mais do que eu acho que cabe num único email, e que isso poderia acabar matando a thread de alguma forma (emails muito grandes costumam matar threads).

O segundo deles é que eu acho importante documentar e compartilhar essas reflexões, por piores que elas sejam é melhor do que nenhuma reflexão né? E se ficasse só naqueles emails iria se perder no tempo e no espaço, dificilmente atingiria outras pessoas e poderia ser revisitado com o tempo (isso sem falar em indexação na web). Mesmo meu blog não sendo uma referência em número de visitas, muito pelo contrário rs.

E o terceiro ponto, e aqui vem a autocrítica, a autorreflexão e possivelmente o principal motivo, é que eu não me senti totalmente a vontade para escrever na thread.

Provavelmente, se eu tivesse visto a thread logo nos primeiros emails eu teria escrito e feito parte. Mas como só a vi com mais de 30 emails, um debate acalorado, e só mulheres participando, me senti de alguma forma intimidado. Acho que os papéis sociais postos, de homem e de mulher, poderiam fazer, de forma subconsciente, algumas das mulheres não se manifestarem após um homem opinar. Já vi isso ocorrer em outros espaços, presenciais e virtuais, sei o quanto, infelizmente, a presença de homens pode inibir. E não é algo racional e consciente, de nenhuma das partes.

Um outro pensamento que me passou pela cabeça sobre isso, e que eu acho que interferiu no meu julgamento, mas que eu refleti sobre e espero ter mudado um pouquinho para as próximas vezes, foi o “poxa, como que eu, um homem que não tem filhos, vai interferir nessa conversa?”. Racionalmente isso não faz o menor sentido, e depois de pensar um pouco sobre a minha “conclusão” é que eu tenho todo direito de opinar, mas sabendo que eu não vivo a realidade de Pai, de Mãe ou de Mulher, e que preciso olhar, entender e respeitar que essas são realidades diferentes das minhas.

Bem, por hora é isso que eu gostaria de compartilhar, sei que tem um monte de coisas que não lembrei, e muitas outras que podem ser abordadas, mas fica para um próximo post. 😉

Comentários e críticas são sempre bem vindos!

E bora hackear!

Cota Parlamentar, gastou muito?

Recentemente o Dep. Federal Jean Wyllys deu uma entrevista[1] (recomendadíssima!) ao jornalista Marcelo Tas, e um dos assuntos tratados foi o salário de Deputado. Muito buxixo foi gerado a partir de então, e o deputado decidiu escrever um artigo[2] sobre o assunto, deixando as coisas mais claras.

Este artigo foi parar na lista Transparência Hacker, da qual faço parte, e nela iniciou-se um debate sobre os gastos do Deputado com sua Cota Parlamentar. Decidi responder ao email, e coloco abaixo a minha resposta (que também está nos arquivos da lista[3]). Continue lendo “Cota Parlamentar, gastou muito?”

A estrutura da Universidade

Este é um post para explicar um pouco de como é a estrutura organizacional da Universidade de São Paulo (USP), e como os Representantes Discentes se encaixam nessa estrutura.

Primeiramente cabe esclarecer que nas Universidades Públicas os órgãos de decisão são sempre os Órgãos Colegiados. Eles estão acima dos “administradores”, seja Reitor(a), Diretor(a), Chefe de Departamento, etc. Eles são compostos principalmente por docentes (em geral professores titulares), mas também possuem espaço servidores técnico-administrativos e estudantes – de graduação e pós-graduação.

As Universidades Públicas brasileiras são baseadas num conhecido tripé: Ensino, Pesquisa e Extensão.
Tendo isso em vista, e pensando também num órgão geral ‘superior’ de decisão, a USP possui 5 principais órgãos colegiados. Abaixo a tabela com os órgãos colegiados da USP e como se dá a representação discente em cada um.

Conselho de Graduação 20% do total de docentes do Conselho
Conselho de Pós-Graduação 20% do total de docentes do Conselho
Conselho de Pesquisa 10% do total de docentes do Conselho
Conselho de Cultura e Extensão 10% do total de docentes do Conselho
Conselho Universitário 10% do total de docentes

De acordo com o Estatuto da USP, Cap. II, Art. 15 e Art. 29, no caso do Conselho de Graduação os representantes são eleitos entre os entre os estudantes de graduação. No caso dos Conselhos de Pós-Graduação e Pesquisa, os representantes são eleitos entre os estudantes de pós-graduação. No caso do Conselho de Cultura e Extensão os representantes são divididos, proporcionalmente, entre estudantes de graduação e pós-graduação. E, por fim, no caso do Conselho Universitário os representantes discentes de graduação são 10% do número de docente do Conselho, e os representantes discentes de pós-graduação são 5% do número de docentes do Conselho.

Há ainda outros órgãos de cunho mais administrativos, que também podem contar com representação discente, mas esta é definida dentre os representantes dos conselhos citados acima. Estes outros órgãos podem ser consultados neste link.

Saindo agora do nível central a universidade se divide em Unidades que, segundo o Art.5: compreendem Institutos, Faculdades e Escolas, todas de igual hierarquia e organizadas em função de seus objetivos específicos, são órgãos setoriais que podem, a seu critério, subdividir-se em Departamentos.

As Unidades também possuem órgãos colegiados, alguns obrigatórios e outros opcionais. Os obrigatórios são:

20% do total de docentes da Comissão, sendo estudantes de pós-graduação

Congregação 10% do número de Docentes, distribuídos proporcionalmente entre graudação e pós
Conselho Técnico-Administrativo um representante discente
Comissão de Graduação 20% do total de docentes da Comissão
Comissão de Pós-Graduação 20% do total de docentes da Comissão

Há ainda os conselhos que é facultado às unidades criá-los:

10% do total de docentes da Comissão

Comissão de Pesquisa 10% do total de docentes da Comissão
Comissão de Cultura e Extensão 10% do total de docentes da Comissão

Vale destacar que, a critério de cada unidade, essas duas comissões podem ser fundidas em apenas uma.

Como exposto no Art.5, as unidades podem ainda subdividir-se em Departamentos.

Conforme exposto no Art.51, “O Departamento é a menor fração da estrutura universitária para os efeitos de organização didático-científica e administrativa.“. O órgão de direção é o Conselho de Departamento, sendo que neste os representantes discentes são 10% do número de docentes do Conselho.

É facultado ainda aos departamentos a criação de Comissões para assessorá-lo.

O Art. 64 define ainda que “Cada habilitação ou curso será coordenado por uma Comissão cuja composição, em cada caso, será fixada pelo Conselho de Graduação.“. Atualmente esta “Comissão” é chamada de CoC (Comissão de Curso). A maior parte dos cursos possui apenas uma, que pode contemplar um ou mais departamentos.
Para exemplificar, a Comissão de Curso da Engenharia Civil da Escola Politénica é composta por 4 departamentos (PTR, PHD, PEF e PCC). Já a Comissão de Curso da Engenharia de Computação é responsável por dois cursos (Engenharia Elétrica – ênfase Computação e Engenharia de Computação), sendo composta por apenas um departamento (PCS).
Cada CoC possui um representante discente da graduação.

Existem ainda algumas outras instâncias organizativas, rescaldo de de estruturas passadas da USP. Uma delas é a “COD” (Comissão Didática), que na verdade hoje trata fundamentalmente de assuntos burocrático-administrativos dos prédios. Normalmente ela é composta por representantes dos departamentos que compõe o edifício e os estudantes também tem direito a uma representante nesta comissão.

Não se pode esquecer que todo representante tem direito a um suplente.

Em alguns casos, a critério do presidente do Conselho, pode-se permitir a participação com direito a voz de “convidados”. Por exemplo a CoC da Computação tem a prática de permitir que os representantes discentes titular e suplente participem da comissão, para garantir que possa haver um representante de cada um dos dois cursos (“Semestral” e “Quadrimestral”).

Enfim, está ai um pouquinho da estrutura da universidade, espero que ajude quem está começando agora – ou mesmo quem já está envolvid@ há um tempo um pouco maior mas que ainda não conhece direito.  Quem tiver dúvidas sinta-se à vontade para deixar uma pergunta ai nos comentários, e quem quiser comentar, criticar ou melhorar o texto também pode deixar sua sugestão! =)

“Artistas x Universitários” ? – Breves comentários sobre a campanha “Tempestade em copo d’água”

“Artistas x Universidade” (http://scienceblogs.com.br/discutindoecologia/2011/11/usina-de-belo-monte-artistas-x-universidade/)….esse é o título do post que, aparentemente, primeiro divulgou da campanha “Tempestade em copo d’água” (http://www.youtube.com/watch?v=gVC_Y9drhGo).

Tive contato com ele alguns dias antes de “cair no facebook”, e fiz minhas considerações sobre o mesmo – afinal, acho que é isso que se espera de qualquer pessoa, fazer uma análise crítica das informações, seja do movimento dos “globais” ou dos “universitários”.

A começar que é partir de um princípio medíocre (no sentido de ser médio) se manifestar/mobilizar partindo da contraposição aos “artistas” quando o foco deveria ser o tema em si (Belo Monte). Mas… enfim… essa é a nossa sociedade, sempre personalista, sem discutindo o que não tem que ser o foco, sempre na superfície das coisas.

Recomendo entrarem no blog e participarem da discussão que está acontecendo por lá.

Segue abaixo meu comentário postado no blog referido:

Caros,

primeiramente gostaria de parabenizá-los por levantar esse debate.

Mas tenho algumas críticas ao vídeo.

Vocês comparam a área que será alagada com a área que é devastada diariamente hoje, e usam esse argumento praticamente para dizer que “a área alagada será insignificante”. Acho esse argumento péssimo. Não é porque temos um grande problema (devastamento para agroindústria) que problemas menores podem ser aceitos sem críticas/questionamentos.

Além disso, o impacto dos alagamentos não se dá apenas pelo tamanho da área a ser alagada, mas também pelo que há nessa região, e pelo impacto das áreas que deixaram de receber o fluxo do rio como é hoje.

Outro ponto é que vocês colocam que a usina será a 3a em potencial energético, mas na verdade ela será apenas 3a em potencial instalado. São coisas bem diferentes.

Seu aproveitamento médio será consideravelmente baixo e, mais do que isso, na época em que mais temos problemas de abastecimento energético no país ela pouco contribuirá, sua maior contribuição para o sistema integrado nacional se dará fundamentalmente nas épocas em que temos maior abundância de energia.

Considerando ainda que ela produzirá, em média, cerca de 4200Mw/h, existem sim alternativas viáveis à sua construção.

Estudos mostram que se utilizássemos o bagaço de cana que é descartado no Brasil para transformá-lo em energia, nosso potencial seria de aproximadamente 4200Mw/h. Ou seja, resíduos que descartamos hoje poderiam ser utilizados para gerar a mesma energia que Belo Monte irá gerar em média. E ainda ter-se-ia a vantagem de poder fazer essa instalação mais próxima dos centros consumidores (reduzindo perdas com transmissão) e seria mais fácil gerenciar em qual época do ano essa energia seria utilizada.

Enfim, esses são só alguns pontos que achei relevantes tocar.

Por fim, gostaria de sugrir a vocês, e pedir que ajudem-nos a divulgar, um debate que realizamos (nós = Escritório Piloto da Escola Politécnica da USP) sobre Belo Monte com dois professores da EPUSP e mais o Prof. Célio Bermann, do IEE-USP, um dos responsáveis pela produção de um relatório de análise crítica do projeto da usina e do EIA/RIMA da mesma.

http://escritoriopiloto.org/artigo/debate-belo-monte

Neste link vocês encontraram as apresentações feitas e também os vídeos do debate. Sei que são razoavelmente longos, mas vale MUITO à pena assisti-los, tem muita informação técnica concreta (diferente do “movimento gota d´água)….

Abraços universitários!

Dados sobre a segurança na USP

Em maio de 2011 a USP assinou um acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), prevendo a intensificação da atuação da Polícia Militar no Campus da USP. No último mês de outubro, após uma série de conflitos e manifestações, foi divulgado na mídia que “crimes na USP caem 92% após o convênio“.

Este é um post para questionar esses dados, ou a forma como eles são lidos, e mostrar que a intensificação da PM no Campus não alterou tanto assim a realidade da segurança da universidade. Dos 6 meses do convênio, o único que realmente teve alguma diferenciação dos anos anteriores foi o mês de setembro. Todos os outros meses ou estão no mesmo patamar dos anos anteriores ou até mesmo maiores que nos anos anteriores.

Esses dados foram retirados do site oficial da Guarda Universitária da USP.